MxPx/Snow Patrol

"PANIC" - MxPx (DeckDisc)*
Lançado no Brasil pela DeckDisc, o grupo norte-americano MxPx está com seu disco novo nas lojas, o Panic. O disco sinaliza mudanças - a banda veio de um insólito gueto gospel-punk e chegou a gravar discos por um selo de rock católico, o Tooth & Nail. No álbum recém-lançado, a banda não abandonou as raízes, mas mostra que quer ir além de seu público - numa fase na qual os três integrantes desejam, mais do que nunca, "partir do zero". "Nossa meta era ficar ligado no que acontecia lá fora, sair da redoma e ver o que o resto do mundo andava fazendo", disse à imprensa o guitarrista-baixista Mike Herrera.
Apesar do nome do CD, não há espaço para nenhum trocadilho infame - nem há nada que os fâs precisem temer. Após alguns álbuns bem fracos lançados pela major A&M (o último deles, Before Everything and After, vendeu tão pouco que rendeu aos rapazes um chute no traseiro), Mike Herrera e seus asseclas Tom Wisniewski (guitarra) e Yuri Ruley (bateria) finalmente voltaram a acertar a mão e fizeram o melhor disco desde o brilhante Life in General, de 1996.
Agora, eles já não são os moleques de outrora, fato percebido por eles enquanto bolavam o disco. As letras ficaram bem menos ingênuas e sem referências à religiosidade - pelo menos não há referências muito diretas. As melodias, em sua maioria, não são tão alegres nem tão furiosas. De qualquer jeito, a maturidade vem para todos e é preciso saber envelhecer com dignidade - coisa que o MxPX vem conseguindo fazer bem. A volta ao circuito independente - agora através do selo Side One Dummy, que licenciou o disco para a Deck - ao que parece fez muito bem ao grupo, pois, ao contrário do fraquíssimo álbum anterior, citado anteriormente, eles passaram longe das influências de Good Charlotte, pisaram mais fundo no acelerador e voltaram a beber na boa e velha fonte do punk pop do Green Day e cia.
Claro, ainda existem os momentos radiofônicos, como a balada "Wrecking Hotel Rooms" e a bela "This Weekend", que fecha o disco, mas não são elas que dão o tom da bolachinha. O que predomina são as melodias agitadas de faixas como "Darkest Places", "Young and Depressed" e a curiosa "Late Again", que parece um country rock acelerado no melhor estilo Matanza de ser. Outro ponto que chama muito a atenção é que, para uma banda com raízes católicas, é impressionante que eles tenham feito uma letra com temática tão pessimista quanto a de "Waiting for the world to end" ("História é história, o amanhã nunca chega / Nós só temos o hoje e o dia já acabou").
O MXPX andava no desvio fazia um tempo - corria o risco de sucumbir à moda emocore ou mesmo de entrar na seara engraçadinha do Blink 182, banda cujo líder, Mike Hoppus, é amigo de Herrera e até participa de Panic. Mas, pelo visto, houve a recuperação com o disco novo. Ainda assim, vale recomendar a qualquer pessoa que queira conhecer melhor a banda a audição urgente de clássicos do trio, como Teenage Politics e, claro, Life in General. Panic tem lá seus momentos de disco para fâs - , e é bastante recomendável para eles.
* texto de Luciano Cirne e Ricardo Schott
"EYES OPEN" - SNOW PATROL (Universal)O Snow Patrol teria tudo para ser confundida com qualquer outro grupo britânico choramingoso, graças ao seu passado - seus primeiros discos tiveram até participação de membros do ex-cultuado Belle & Sebastian e saíram pelo mesmo selo da banda de The Boy With The Arab Strap, o Jeepster. Pois é, isso aconteceu lá pelo fim da década passada, quando o Belle começava a chamar atenção na mídia - Songs For Polarbears, primeiro álbum do Snow Patrol, é de 1998. Hoje, se bobear, o Snow está bem mais aclamado e conhecido do que os amigos que o ajudaram no começo da carreira. Isso inclusive no Brasil, onde o grupo anda chamando a atenção.
Formado na Escócia por três irlandeses, o Snow Patrol vem conseguindo chegar bem mais perto do gosto popular do que seus patronos - a ponto de terem assinado contrato com a Fiction, mesmo selo do Cure, e de seus discos terem sido distribuídos pela multi Universal, que lança agora no Brasil o mais recente CD, Eyes open. O grupo, hoje um quinteto com Gary Lightbody (vocais, guitarra), Paul Wilson (baixo), John Quinn (bateria), Tom Simpson (teclados e samplers) e Nathan Connolly (guitarra), vem bem mais comercial, mais ajuizado e mais "ajustado" ao mercado do que em discos anteriores - vale afirmar que o disco novo já foi logo ficando "íntimo" dos primeiros lugares das paradas britânicas.
Em comparação com The Final Straw, o disco anterior (também editado aqui pela mesma Universal - os anteriores saíram aqui pela Trama), Eyes open mantém o nível, trazendo de oitentices típicas - como a batidinha dançante de "You're all I have" e o som chique de "Shut your eyes" - a tons bem mais pesados, impressos nas guitarras e na batida insistente do power pop "Hands open". Entre uma face e a outra, há a elaboração das notas circulares de "Chasing cars", da quase infantil, com teclados cristalinos, "You could be happy" e da balada folk e "climática" "Set the fire to the third bar", com participação de Martha Wainwright, cantora que vem a ser irmã do cantor Rufus Wainwright . Esta, uma das mais belas de Eyes open, é também um dos momentos mais anos 60/70 do CD, e ficaria linda num arranjo repleto de cordas - o grupo preferiu revesti-la de teclados, embora várias faixas do grupo tenham participações de corais e músicos de orquestra.
Fica claro no disco novo, mais até do que nos anteriores, que o Snow Patrol já deu adeus há tempos a condição de banda underground - o crossover entre o som com o qual o público da banda já estava acostumado e a "nova condição" de grupo de sucesso já foi estabelecido há algum tempo. Se bem que para quem está acostumado com o som do Coldplay, vale afirmar que a banda de Chris Martin desponta como grande influência do Snow Patrol em vários momentos - seja na "etérea" (e meia-boca) "The finish line", que fecha o disco, seja no pianinho da boazinha "Make this go on forever". Agora, acusar o Snow Patrol de pouca originalidade por conta disso seria até maldade. Músicas ensolaradas como "It's beggining to get to me" merecem tocar nos bailes de rock da vida e chegar a ouvidos ligados em grupos novos. E o grupo tem uma de suas marcas nos vocais carismáticos e cheios de romantismo (no melhor sentido da palavra) de Gary Lightbody, que preeenche suas letras de imagens fortes, como em "Headlights on dark roads".
No fim das contas, Eyes open traz uma boa coleção de canções pop, revelando uma banda que descorbiu que ser comercial não é sinônimo de ser pentelho ou de abaixar a cabeça - e dando alegria a quem já os conhecia de outros tempos. Vale dar uma ouvida.

2 Comments:
Ricardo, você já ouviu o projeto de superbanda do G.L., The Reindeer Section? O primeiro album deles, Son of Evil Reindeer é muito bom.
ainda não, marcos. tá aí uma dica pra baixar e resenhar aqui...
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