"OOOOARIAAAAOOOO/OBÁOBÁOBÁÁÁ"
Entrevistei o Sérgio Mendes para uma matéria que a essas alturas deve ter saído no Guia de Compras da Bizz. Com as sobras - ou seja, o que conversei com ele sobre a cidade de Niterói, onde eu e ele nascemos (e ele ainda nasceu no meu bairro!!) - fiz uma materinha para o Nitideal. Divirtam-se.
SÉRGIO MENDES
O sucesso internacional é uma realidade para o compositor e músico brasileiro Sérgio Mendes desde os anos 60. Em 1966, acompanhado de seu grupo Brazil 66, ele gravou uma versão de "Mas que nada", hit de Jorge Ben, que estourou em todo o mundo. E agora, 40 anos depois, ele retorna às paradas com uma outra versão do hit. Só que com toques novos: além do piano suingado de Sérgio e dos vocais femininos – uma característica de seu som, desde os primeiros anos de sucesso – o músico conta também com a participação do grupo Black Eyed Peas, que fez um rap em cima da composição original de Ben. O resultado, você confere nas paradas mundiais.
Nem todo mundo sabe, mas Sérgio Santos Mendes nasceu em Niterói, no dia 11 de fevereiro de 1941. Seus primeiros contatos com a música foram no conservatório da cidade, ainda durante a infância. A contra-capa de seu segundo disco, Você ainda não ouviu nada!, gravado por Sérgio com seu primeiro grupo, o Sexteto Bossa Rio, traz um texto assinado por ninguém menos que Tom Jobim, explicando como era tocar com o então iniciante Sérgio. "Tive o prazer (o sofrimento) de colaborar com ele neste disco. E foram mil noites sem dormir e café e cigarros. Depois, eu ia levar Serginho a Praça XV. Comprávamos os jornais do dia, enquanto vinha chegando a barca que o levava de volta à sua Niterói", relatou o maestro.
- Adoro Niterói. – disse Sérgio em um contato com o Nitideal, por telefone, dos Estados Unidos, onde mora desde os anos 60. – Toda vez que vou ao Brasil, passo aí para visitar minha irmã. Tenho muitas saudades da cidade.
Apesar de estudar piano e de pesquisar música clássica desde os seis anos de idade, Sérgio não deixou de lado as brincadeiras de infância.
- Joguei muita bola na rua aí em Niterói. – diz o músico. – Nasci no Largo do Barradas, ali no Barreto, mas fui criado na rua Comendador Queirós, em Icaraí.
Com o tempo, Sérgio conheceu o jazz e a bossa nova, montou vários grupos e, já no começo dos anos 60, passou a tocar no célebre Beco das Garrafas – epicentro da fusão bossa-pop, em Copacabana. Suas idas para fora do Brasil, inicialmente para divulgar o seu trabalho com o Sexteto Bossa Rio, foram se multiplicando até que ele decidiu ficar de vez nos Estados Unidos. Desde 1964 lança discos regularmente lá fora, sempre com grupos diferentes, como Brasil 65, Brasil 66 e Brasil 77. Ficaram célebres suas versões abrasileiradas para clássicos dos Beatles (“Fool on the Hill”) e Otis Redding (“Sitting on the dock of bay”). Sérgio também gravou várias músicas de compositores brasileiros, em inglês ou português – caso de Marcos Valle (“Samba de verão”), Edu Lobo (“Memórias de Marta Sare”), Gilberto Gil (“Ê, povo, ê”, “Roda”), etc. Sérgio foi o único músico brasileiro a realmente fazer sucesso popular em todo o mundo, no período. Hoje, é tido como parte do pop mundial dos anos 60.
Em 2006, ele retorna às paradas com seu novo disco, Timeless (Universal). Além do Black Eyed Peas (cujo líder, Will.I.Am, produziu o álbum ao lado do músico), Sérgio contou com vários outros amigos, numa lista que vai do rap a MPB – Marcelo D2 (“Samba da bênção”), o violonista Guinga (“Fo´ Hop”) e rappers como Jill Scott (“Let me”) e Q-Tip (“The frog”, ou “O sapo”, de João Donato). E o público brasileiro, que o via pouco desde seu último grande sucesso – o álbum Brasileiro, de 1993, que ganhou um Grammy e teve participação de Carlinhos Brown – poderá ter a oportunidade de assistir a um show do músico num lugar bastante especial.
- Queremos dar um show aí na Praia de Icaraí! – avisa Sérgio.
Link: Site do disco Timeless.
Foto: Divulgação.


3 Comments:
Até a década de 80, Sérgio Mendes era visto como um artista comercial demais (no sentido negativo). Viam-no como um diluidor da música brasileira.Hoje, a sua obra é considerada moderna.O que estava errado naquela época? A crítica musical, até então, só falava mal dela e dele?
muito legal a matéria! fiquei curioso para ouvir uns discos que não conheço, principalmente da fase 77.
abraço
eu penso que havia um patrulhamento chatíssimo de esquerda, que tinha até razão de ser, mas que fechou os olhos de muita gente pra muita coisa boa, anônimo.
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