Quinta-feira, Agosto 24, 2006

Van Morrison


"PAY THE DEVIL" - VAN MORRISON (Universal)

O bardo irlandês Van Morrison poucas vezes chegou perto do sucesso popular - seja graças ao medo de palco que o acompanhou por anos, seja pelo fato de se dedicar a montes de projetos que duram um só álbum. Nos últimos anos tivemos o bom pop clássico de Down the road (2002) e o som jazzy de What’s wrong with this picture (2003, lançado pelo selo Blue Note), só para citar dois exemplos. E Van - cuja extensa carreira, que gerou um número incontável de discos, merece ser conhecida por qualquer pessoa que entenda de música - continua inventando moda, no bom sentido. Dessa vez, ele chegou pra cima dos clássicos do country, em Pay the devil. Mais um álbum em que passado e presente aparecem entrelaçados - característica que acompanha a vida de Van faz tempo.

Surgido do meio roqueiro sessentista - fez parte da banda Them, aqueles de "Baby please don’t go", da trilha de Bom dia Vietnã - Van sempre localizou suas intenções no rhythm’n blues e no soul, algo fácil para um branco com voz de negro. Em Pay the devil, repleto de pérolas country-folk, a impressão que dá, a todo momento, é a de se estar escutando um disco de soul, tamanha a emoção que Morrison imprime a seus vocais. No meio, tem até duas faixas próprias, "Playhouse" e "Pay the devil", que já nascem clássicas, em meio a canções como "What Am I living for?" (Chuck Willis) e "Half as much" (gravada por Hank Williams e até por Emmylou Harris).

Fanático por Ray Charles e por suas gravações de country music, Van seguiu o caminho do ídolo em quase todo o disco - em especial, nos vocais cheios de sentimento de "Things have gone to pieces". Em faixas como "There stands the glass" os vocais, como não poderia deixar de ser num trabalho desses, soam como um Elvis Presley retrabalhado, mais agudo - união total entre country e tons negros. Tanto os arranjos quanto (de certa forma) a qualidade sonora, honram os discos de country dos anos 50 e 60 - não há nada modernizado, a própria gravação de vocais tem um calor difícil de ser encontrado após o advento das gravações digitais. Mais que reproduzir uma época, Van trabalhou como se aquele período fosse agora - com direito a steel guitars, corais e dobros. Algo típico de seu trabalho - desde o começo, quando brigou com o produtor do Them e foi fazer seus discos solo, muitas vezes à margem do reconhecimento popular, Van Morrison sempre primou por fazer o som que existia em sua cabeça, sem muitas concessões.

Em Pay the devil, Van esmera-se em reproduzir uma época, um conceito, uma emoção que existe em seu coração e sua lembrança de grande admirador da música norte-americana - característica que pegou outra banda formada por irlandeses, o U2. E pode acabar emocionando até mesmo quem não se sentia tocado pelo universo do country e suas letras carregadas.

2 Comments:

Anonymous Walis Oliva said...

SOUL ASYLUM - THE SILVER LINING
GOO GOO DOLLS - LET LOVE IN
GIN BLOSSOMS - MAJOR LODGE VICTORY

Todos àlbums novinhos,Rines!Vai resenhar?!?

4:49 AM  
Blogger GuiaDaNoite said...

Um bom repositório sobre a noite em Lisboa, se alguma vez você vier cá é o Guia da Noite de Lisboa

3:31 PM  

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