Terça-feira, Janeiro 31, 2006
Tem que ter estômago forte. Um link com cenas de ações da polícia nos morros, com direito a cenas de hospital (com cadáveres, corpos mutilados e vísceras aparecendo). Algumas das cenas - quem sabe, todas - foram filmadas em Niterói, provavelmente no Fonseca, no Cubango ou em Santa Rosa. Lá pelas tantas é possível ver um ônibus da Viação Santo Antônio, que serve a esses bairros, aparecendo. Na trilha sonora, "Welcome to the jungle", do Guns.
Texto reciclado*
"GATES OF METAL FRIED CHICKEN OF DEATH" - MASSACRATION (DeckDisc)*Piadas com o radicalismo, os códigos e as leis do heavy metal não são novidade aqui no Brasil. Uma caricatura bem mais fora da realidade já havia sido feita pelo Língua de Trapo em 1985, com o metal-brega "Os metaleiros também amam", e dez anos depois os Mamonas Assassinas riram do metal brazuca cantado em inglês na pouco executada "Débil metal", de seu único disco. A diferença do Massacration - por acaso lançado dez anos depois dos Mamonas - é que, nesse caso, a piada é feita por pessoas que conhecem bem o meio no qual mexem. Por sinal, a estréia do grupo foi produzida por um insider do mundo metálico, João Gordo (ou Rick Rubinho, o "Barbudão satânico", como diz o encarte).
Em Gates of metal fried chicken of death, o Massacration - uma brincadeira que surgiu do seriado Hermes & Renato, da MTV, levada adiante pelos próprios humoristas da série - dá a entender que as semelhanças com os Mamonas nem são tão pequenas. Boa parte das piadas poderia ter sido feita pelo finado (e bota finado nisso) grupo de Guarulhos, sob outro contexto. As piadas até podem ser entendidas por quem não está tão ligado no mundo metálico, embora fique mais engraçado para quem esteja pelo menos por dentro dos clichês do metal. É o caso de "Metal is the law", que brinca com o sectarismo de "defensores do metal", como o Manowar, misturando português e inglês de araque ("If you want to be metal, no avacalhation/use black forever.../No boiolation/frescuration/viadation").
Passeando pelo disco, dá para encontrar coisas inacreditáveis como "Evil papagali", com clima de Iron Maiden e uma letra que fala sobre um papagaio dos infernos ("Lôro/Lôro quer biscoito/Evil papagali/He wants to kill/He ordered me/To puta que pariu"). Isso sem falar em faixas como "Metal massacre attack (Aruê, Aruô)" e "Metal milkshake", cujas letras não querem dizer absolutamente nada, e nas gozações de "Feel the fire from barbecue" ("Lots of hearts in the sword/picanha is in the salt/lots of lifes in my stomach/the cow is gonna die/Barbecue of metal!"), "Let's ride to metal land (The passage is R$ 1,00)" e "Metal dental destruction" ("Fear of the killing broca/The mad dentist is coming/He's got no diploma.../You'll be like Tião Macalé"). Sobrou até mesmo para a misoginia geralmente atribuída a fâs de metal, tematizada no hit nato "Metal bucetation".
Em termos de som, o Massacration fica entre as palhetadas de bandas como o Metallica do começo, Iron Maiden, Judas Priest e Anthrax, soando como uma caricatura de todas elas - embora a maior caricatura esteja mesmo nos vocais agudos do "castrado" Detonator (personagem assumido pelo humorista Bruno Sutter), chupados de Rob Halford, Bruce Dickinson e Ronnie James Dio. O disco soa como se tivesse sido gravado no mesmo ano de 1988 no qual saiu State of Euphoria, do já citado Anthrax, e até convém a um gênero cujos fâs nem ligam mesmo para inovações.
Além do metal, ícones trash como o apresentador Sérgio Mallandro e o falecido humorista Costinha aparecem no disco - o primeiro, na zoada "Metal glu-glu"; o último, em samples de seu disco O peru da festa, incluídos na vinheta "The God master". O resultado de Gates of metal fried chicken of death é uma gozação que pode até estar meio fora de moda - provavelmente até as bandas mais antigas do gênero devem dar gargalhadas ao pensar no fanatismo de alguns fâs (sem falar que vários bangers têm senso de humor suficiente para rir bastante do Massacration). Mas funciona e rende boas risadas. Conheça em www.massacration.com.br.
* publicado no International Magazine.
Segunda-feira, Janeiro 30, 2006
Isso só pode ser brincadeira... (e deve ser)
"BABY BOOMO astro infantil Jordy já é um adolescente e agora canta hip hop
Les Enfants Grandis - Dûr Dûr d’Être Exploité (Blague Records)Jordy Lemoine, o bebê francês que foi uma espécie de Menudo no início dos anos 90, voltou para mostrar, enfim, que tem algum talento. Prestes a completar 18 anos, o rapazote não tem mais nada de fofinho. Ducha fria na galerinha que por alguma razão obscura gosta de reviver a infância trash. Jordy agora é o cabeça desse grupo de hip-hop. Batidões violentos e letras agressivas, de fazer inveja ao Mano Brown. O ex-mini-popstar-meigo critica os seus próprios 15 minutos de fama quando tinha 4 anos. Na faixa que dá nome ao álbum, brinca com o seu maior sucesso, "Dûr Dûr d’Être Bébé". Enterra o seu passado sem dó, beira a autoflagelação. Assim, se isenta para soltar o verbo em qualquer um com letras em sintonia com a revolta que está rolando na França. Tensão social no último volume. (Wagner Martins, editor do site cocadaboa.com)"
O link da matéria existe mesmo, saiu na revista Trip e tá aqui. Não parei pra conferir se este disco existe de verdade - vale conferir que o autor do texto é Wagner Martins, o mr. Manson do Cocadaboa, aquele site que já passou a perna em boa parte da imprensa brasileira (eu entre eles).
(fonte: André Mansur).
Arquivos do blog (desde 2002)
Já andaram me perguntando o que vou fazer com os antigos arquivos do Discoteca Básica, que podiam ser acessados até semana passada. Como ainda não sei direito o que vou fazer com eles, achei um meio rápido de colocar todos à disposição dos leitores. Basta entrar neste arquivo do Rapidshare e baixar todos os textos do blog, de meados de 2002 até dezembro de 2005. Que eu saiba, os arquivos ficam no ar se houver um número suficiente de pessoas para baixá-lo. Para quem nunca usou o Rapidshare, é só descer a barra de rolamento, clicar em "free" e esperar alguns segundos para digitar um código e baixar os arquivos. Como não posso adivinhar as intenções das pessoas que vão ler os textos, peço apenas que qualquer coisa que for feita com eles, eu seja avisado - o e-mail que uso no blog é rschott2004@gmail.com.
Como já falei em outro momento, tem muita coisa ruim ali - textos que eu reformularia, coisas que eu não repetiria, resenhas mal escritas, pelo menos no comecinho do blog. O Moracy do Val, que foi empresário do Secos & Molhados, chegou a me procurar (gentilmente) pedindo que eu retificasse algumas coisas no texto sobre os dois discos da banda, mas minha conta de e-mail antiga ficou inativa e não tenho mais seu contato. Se voltasse com todos os arquivos, teria que reformular muita coisa e minha secular preguiça jamais deixaria. Por enquanto, fica assim até que eu tenha tempo e saco de fazer algo.
A novidade é que, graças à maior facilidade de postagem, já estou com alguns textos preparados para colocar aqui durante a semana. Também dá para colocar mais facilmente links legais, de matérias maneiras, serviços, sites, etc. Como não tenho mais o contador de acessos - que acusava visitas diárias de até 700 pessoas, em ótimas fases (como a de quando a URL do blog apareceu na Bizz, na época daquela minha matéria sobre A Cor do Som) - seria legal que os leitores do blog se manifestassem aí nos comentários ou via e-mail.
Como já falei em outro momento, tem muita coisa ruim ali - textos que eu reformularia, coisas que eu não repetiria, resenhas mal escritas, pelo menos no comecinho do blog. O Moracy do Val, que foi empresário do Secos & Molhados, chegou a me procurar (gentilmente) pedindo que eu retificasse algumas coisas no texto sobre os dois discos da banda, mas minha conta de e-mail antiga ficou inativa e não tenho mais seu contato. Se voltasse com todos os arquivos, teria que reformular muita coisa e minha secular preguiça jamais deixaria. Por enquanto, fica assim até que eu tenha tempo e saco de fazer algo.
A novidade é que, graças à maior facilidade de postagem, já estou com alguns textos preparados para colocar aqui durante a semana. Também dá para colocar mais facilmente links legais, de matérias maneiras, serviços, sites, etc. Como não tenho mais o contador de acessos - que acusava visitas diárias de até 700 pessoas, em ótimas fases (como a de quando a URL do blog apareceu na Bizz, na época daquela minha matéria sobre A Cor do Som) - seria legal que os leitores do blog se manifestassem aí nos comentários ou via e-mail.
Domingo, Janeiro 29, 2006
Isso também é 2005!*


"SILENT ALARM" - BLOC PARTY (WEA) e "LULLABIES TO PARALYZE" - QUEENS OF THE STONE AGE (Universal)
Como em toda lista de melhores do ano - como a que publiquei há duas semanas aqui no Nitideal - sempre fica faltando muita coisa. Especialmente se, por falta de tempo, você não conseguiu escutar tudo o que havia de legal no ano passado. É um fato que não ocorre só comigo: o ano vai passando, os mp3 que você baixou vão se acumulando - e sendo guardados em CD-Rs que você jura que vai escutar um dia -, os discos (ganhos, comprados, baixados ou, vá lá, pegos por empréstimo) vão pegando poeira e muita coisa legal vai sendo descoberta só meses depois de lançada.
No caso de Silent alarm, dos ingleses do Bloc Party (WEA) e Lullabies to paralyze, dos norte-americanos do Queens of The Stone Age (Universal), a sensação de "eu devia ter ouvido isso antes" (no caso do Queens o pensamento é "eu devia ter ouvido isso antes com mais atenção") bate forte, de primeira. Não importa que o primeiro trabalho seja hedonismo puro, como bem convém a uma nova geração de bandas que vai saindo do gueto indie de forma assustadoramente rápida, e o segundo seja corrosivo, deprê, pesado, quase violento. O Bloc Party soa como aquele seu amigo que usa camisetas bacanas, vai à Casa da Matriz (no Rio de Janeiro), conhece montes de bandas novas via Soulseek e curte ir a festas. Queens of The Stone Age soa mais ligado ao punk, ao metal, mais alternativo, mais sujo - uma banda que tascou apenas nomes de drogas na letra do anti-hit "Feel good hit of the summer", de 2001 (do CD Rated R). Dois lados diferentes do rock de 2005.
O Bloc Party não chega a ser campeão no quesito originalidade - não é uma cópia, mas seu grande lance é a referência ao Cure dos anos 80 (especialmente nos vocais do líder-cantor-guitarrista Kele Okereke) e a bandas como Gang Of Four, Television, Talking Heads, etc. Rolam as mesmas batidas marciais, os mesmos riffs durões, numa escola de pós-punk que não se via desde os anos 80. É "rock de festa", algo que não se via desde a época em que, nas boates, os playboys dançavam ao som de "In between days", do Cure - e que foi tendo seu quinhão durante os anos 90, com "Shinny happy people", do R.E.M. e outros poucos hits. Silent alarm, lançado após alguns outros EPs e singles, mostra que o sempre desconfiável semanário New Musical Express - que elege, muitas vezes, umas bandas meio-mais-ou-menos como sendo a maravilha do ano - não gastou latim à toa ao incensá-los por um bom tempo.
O curioso é que, se bobear, vai ter gente achando o Bloc Party cópia até da Plebe Rude - que já sofria influência dos mesmos grupos que o BC, só que nos anos 80. Quem tiver alguma dúvida, é só escutar o peso etéreo da bela "Plans", que, bricando, brincando, lembra bastante o velho grupo de Phillippe Seabra e André X, graças ao cruzamento cavalar de batidas e palhetadas. É mais ou menos por aí o que pode ser ouvido em bons hits como "Banquet" (que você já deve ter escutado no rádio ou em noitadas), "Price of gas", a bela "So here we are" (essa, lembrando bastante as surpresas aprontadas pelo Cure em discos como The head on the door e Kiss me, kiss me, kiss me), "Like eating glass" e várias outras. Para descansar, só a hipnótica "Compliments", que fecha o disco em clima de David Bowie anos 90 - mas as coisas boas da fase mais recente do camaleão do rock, por favor. Além de Kele, o grupo tem Russell Lissack (guitarra), Gordon Moakes (baixo) e Matt Tong (bateria).
O Queens, por sua vez, já tem mais tempo de carreira (seu primeiro disco, epônimo, saiu em 1998) e uma história recente conturbada, já que, após a expulsão do baixista Nick Olivieri, muita gente não via mais tanto futuro na banda. O grupo é expoente de um estilo conhecido como stoner rock, um gênero cuja definição não é das mais fáceis - trata-se de uma mistura braba de loucuras de estúdio, esquisitices, guitarras pesadas, hard rock e metal anos 70 (Black Sabbath, Grand Funk Railroad), punk e (vá lá) drogas, além de bandas "sujas" dos anos 60 e 70 - caso do Blue Cheer, grupo psicodélico norte-americano responsável por uma versão porca e jazzy de "Summertime blues", clássico do rock anos 50, de Eddie Cochran. Já tocaram no Brasil - no Rock In Rio III, de 2001, numa apresentação que, para além do aspecto musical, sempre será lembrada como o dia em que o saído Nick Olivieri exibiu as "jóias da família" para o público.
No que depender da crítica, lá fora, Lullabies to paralyze, disco novo deles, nem seria considerado tão bom quanto os anteriores - e realmente é um disco que demora para descer, em comparação com Rated R e Songs for the deaf, os dois mais recentes. O tempo é que ajuda a melhorar a audição de um disco variado, com poucos hits e muita loucura, como no peso em várias partes de "Everybody knows that you're insane", na introdução fofinha-às-avessas de "This lullaby", no blues psicodélico de "Burn the witch", nas melancólicas "In my head" e "I never came" ou num estranho encontro entre o Pink Floyd do começo e o Black Sabbath ("Someones in the wolf"). Para guardar de vez na mente, tem o hit "Little sister", punk com riffs de metal, quase uma "Paranoid", do Sabbath, para o novo milênio. Brilhante.
* publicado em minha coluninha do site Nitideal.
Sábado, Janeiro 28, 2006

Bossa Supernova, Lispector, Luís Capucho e Sérvio Túlio/Glauco Baptista
Espaço Sérgio Porto, Rio
12 de janeiro
Um dos selos independentes que sobreviveu às últimas crises - ainda que não esteja tão constante nas nossas lojas - o Astronauta Discos vem marcando presença pelo menos através de lançamentos esporádicos e eventos anuais. Foi o caso do Planeta Astronauta, que, de acordo com o release, serviria para "reunir músicos e DJ's em torno do conceito de olhar para o futuro da música de arte e do mercado fonográfico independente brasileiro". Realizado numa só data, o festival seguiu, em parte, o conceito do selo, de trabalhar em cima de artistas "novos-velhos" - ou seja, de artistas que já estão há tempos no mercado, mas que ainda soam como novidade para público e mídia.
Além desses, representados pelo compositor Luis Capucho e pelos músicos Servio Túlio e Glauco Baptista, houve também o pop-rock do Lispector e as experimentações do projeto BossaSuperNova, que abriu o evento unindo João Gilberto e guitarras. O som do Bossa não é feito para roqueiros empedernidos - apesar do próprio Leonardo Rivera, dono do selo, definir a apresentação como "guitarrada", o grupo une características de bossa-nova a uma formação de grupo de rock (voz, guitarra, baixo e bateria), preparada para pessoas de mente aberta. Acabou sendo uma ótima introdução para o festival – que se perdeu em seguida, com a apresentação acústica da banda Lispector, meio deslocada no evento. O som do grupo de Niterói não avança muito em relação ao que já é feito no pop nacional (Kid Abelha, Pitty) e pode ter perdido ainda mais força por ter se tratado de um set desplugado.
O melhor foi ficando para o final. Luis Capucho, também de Niterói, subiu ao palco acompanhado apenas por seu violão e pelo piano de Paulo Baiano. Foi uma apresentação absurda, no sentido mais positivo que esta palavra pode tomar. Cantor de voz "indecente", influenciadíssimo por Bob Dylan e autor de letras irônicas – como "Maluca", gravada por Cássia Eller, e "Máquina de escrever", por Pedro Luís e a Parede – Capucho acabou provocando a platéia, no melhor sentido, com versos que destilam agressividade mesmo nos momentos mais românticos. Só pecou pela falta da cantora Mathilda Kóvak, anunciada como "participação especial" no show de Capucho – e que acabou tendo de cancelar de última hora.
No fim, a apresentação de "Canções de cabaret, revistas musicais e filmes", do cantor Sérvio Túlio e do pianista Glauco Baptista. O set de Sérvio e Glauco é uma das raras chances que fãs de música não radicais podem ter de aumentar a cultura e desopilar o fígado. Além das canções, os músicos explicam um pouco da história do repertório, baseado, em grande parte, em músicas de cabaret alemão. Entram vários compositores banidos pela história (já que a política nazista perseguiu todos eles), como Fredrich Hollander e Spolianski, além de alguns mais conhecidos, como a dupla Kurt Weill e Bertolt Brecht – autores, por sinal, de "Alabama Song", que até os Doors gravaram. As músicas contam histórias engraçadas, como a da fã do artista do cinema mudo Buster Keaton (que comia fotos do astro com sal e pimenta), e são quase teatralizadas por Sérvio – que provocava risos nos anos 80/90, ao encerrar as apresentações de seu irônico projeto eletrônico Saara Saara com uma versão de... "O Amor e o Poder", de Rosana.
Além de promover o show, o selo pretende lançar este ano o CD da dupla gravado ao vivo na Rádio MEC – e permanecer trabalhando, apesar de não contar com um mercado dos melhores, nem com um Ministério da Cultura que faça alguma coisa de efetivo pelos selos independentes nacionais.
+publicado em Rock Press.
+tem uma matéria sobre o selo Astronauta aqui.
Quinta-feira, Janeiro 26, 2006
O e-mail ricardo.schott@discotecabasica.com ficou inativo. Quem quiser falar comigo pode escrever para rschott2004@gmail.com. Esse vai ser o e-mail oficial do Discoteca Básica por algum tempo. Envio de CDs, sugestões, xingamentos, etc - pode mandar tudo por aí.
Melhores do ano, é?*
A título de curiosidade, resolvi postar aqui parte da lista de Melhores do Ano que fiz para o site Scream & Yell. Como em toda lista, ficaram algumas coisas de fora, mas vale mencionar os discos, livros e filmes que aparecem aí embaixo.
MELHOR DISCO NACIONAL
LEELA - Leela (EMI). Goste-se ou não (e eu gosto), eles ralam. Podiam muito bem se escorar no fato de terem uma vocalista gatinha, mas o jogo do Leela é bem outro. Produzido por Rick Bonadio, Leela, o primeiro disco, é rock anos 90 (influenciadíssimo por punk rock e pelas bandas alternativas da época) com vários hits em potencial: tem "Odeio gostar", "Romance fugitivo", "Último jantar" e montes de faixas que talvez só sejam descobertas em 2006 - ou seja, provavelmente vai dar Leela nas eleições de melhores do novo ano.
CIDADÃO INSTIGADO - ... E o método tufo de experiências (Slag). Cidadão Instigado é um projeto do guitarrista e compositor cearense Fernando Catatau - que traz no currículo colaborações com Nação Zumbi e Los Hermanos. O som é uma surpresa que une jovem guarda, música brega, psicodelia e sons eletrônicos - de forma totalmente coesa, sem soar como várias flechas atiradas a esmo em montes de alvos. Fâ de artistas como Fernando Mendes, Catatau cria doideiras como "O pobre dos dentes de ouro" e "O pinto de peitos", e sugere encontros entre Mutantes e Roberto Carlos. Como se não bastasse, Cidadão Instigado ainda foi um dos melhores shows do Humaitá Pra Peixe.
SOM DA RUA - Músicas para violão e guitarra (Deck). Com a morte do vocalista e líder Liô Mariz, não se sabe qual será o futuro da banda. Mas que fizeram uma excelente estréia, fizeram. Pop-rock de primeira, aludindo a Beatles, Barão Vermelho (nos vocais frejatizados de Liô e em algumas melodias), Teenage Fanclub (sem a capa "indie") e a formações hoje pouco lembradas, como Hoodoo Gurus e Soul Asylum.
CACHORRO GRANDE - Pista livre (Deck). O terceiro disco da banda gaúcha, primeiro por uma gravadora de grande porte, já garantiu o sucesso para o Cachorro Grande - com direito a shows em festivais badalados, músicas rodando em rádios pop e um bom núcleo de fâs pelo Brasil afora. Mudanças no front: o grupo agora mistura Who, Beatles e Stones a um pouco de anos 80, com direito a batidinhas na cola do Devo, mas sem deixar de lado o peso de discos anteriores. Brilhante.
LOBÃO - Canções dentro da noite escura (Universo Paralelo). Após deixar a multi BMG, Lobão fez um pula-pula de gravadora em gravadora e transformou seu som numa bomba atômica noir, com melodias e vocais soturnos, letras existencialistas e, no pano de fundo, lutas intermináveis pela consolidação do mercado independente nacional - vide a revista Outracoisa, que vai para o terceiro ano de vida e já revelou vários artistas (entre eles os irreprensíveis B. Negão, Mombojó e Quinto Andar). Canções... aprofunda a veia que o cantor achou após Nostalgia da modernidade (1995), com direito a diálogos com o além, em parcerias post mortem com Cazuza e Júlio Barroso.
MELHOR DISCO INTERNACIONAL:
AUDIOSLAVE - Out of exile (Universal): O segundo rebento da união entre três ex-Rage Against The Machine e um ex-Soundgarden deu em rock pesado e belo, tangenciando tanto os anos 60 (nos riffs de faixas como "Out of exile" e "Dandelion") quanto a tão falada década de 80 ("Be yourself", uma marcha a la U2). Arrematando o ano, a banda ainda lançou o DVD Live in Cuba, registro de seu show na ilha - quando se tornaram a primeira banda nort-americana a tocar lá.
BLACK REBEL MOTORCYCLE CLUB - Howl (Sony & BMG): O BRMC começou fazendo uma interessante releitura do noisy-rock do Jesus & Mary Chain, dando-lhe uma cara estradeira, motoqueira e bem mais pesada e inconformista. Howl, terceiro disco, aprofunda tais ligações, mas dando à banda uma cara mais folk e satânica. Um dos melhores sons do ano passado.
KAISER CHIEFS - Employment (Universal): Assim como outra boa banda nova, o Bloc Party, o Kaiser Chiefs escutou as lições do The Cure - pelo menos nos vocais e na estrutura de algumas faixas. Mas o som do grupo em Employment também tem muito de Talking Heads e (em especial) The Jam. Em seu primeiro disco, há hits às pencas, como "Everyday I love you less and less", "Caroline, yes" (gozação loser com "Caroline no", dos Beach Boys) e, principalmente, "I predict a riot".
OASIS - Don't believe the truth (Sony & BMG): Ninguém (nem mesmo eu) esperava nada mais do Oasis. Mas que surpresa: eles até que capricharam direitinho, fazendo seu melhor disco desde Be here now. Além de "Lyla" (ótimo hit single) tem a beleza de "Turn up the sun" e "Love like a bomb", a barulheira de "Mucky fingers", gozação de "Guess God thinks I'm Abel", etc.
THE CORAL - Invisible Invasion (Sony & BMG): Os garotos do Coral vinham de uma fase em que lançavam um disco quase atrás do outro - o penúltimo, Nightfreaks and the sons of Becker (uma gozação com o tenista Boris Becker) foi apenas um aperitivo para Invisible..., disco que une com maestria rock dos anos 60/70, psicodelia, country, folk e até aquele som pesado, rápido e melódico que chamam de power pop.
MELHOR FILME
VINICIUS - Miguel Faria Jr. – Já escrevi sobre esse documentário aqui. O principal de Vinicius é dar ao espectador uma sensação de intimidade com o próprio poeta e com seu tempo, a partir de depoimentos, imagens de época, músicas, etc. No fim, fica apenas uma sensação: sim, Vinicius era genial, e teve sua melhor fase, de fato, num tempo dourado. E ainda teve gente que gostou do Dois filhos de Francisco...
MELHOR LIVRO
ANOS 70 - AINDA SOB A TEMPESTADE - Adauto Novaes – Original de 1979, Anos 70 traz textos de vários intelectuais, dissertando sobre a cultura da década e sobre a ditadura – fala-se sobre literatura, música popular, teatro, etc. Uma maravilha, só pecando pelo alto preço (são 70 reais, mas dê um desconto: era uma coleção de cinco livros que foi reduzida para apenas um!).
THE BEATLES - LETRAS E CANÇÕES COMENTADAS – Quer ter todas as letras dos Beatles, algumas traduções e ainda comentários curiosos sobre cada música? Por esse livro, você fica sabendo cada caso bacana que envolve cada bela canção da banda. E ainda que muita gente prefira os Beatles pós-65, o começo do grupo já era rico em causos.
TARSO DE CASTRO – 75 kg DE MÚSCULOS E FÚRIA – Tom Cardoso – Não é exatamente um livro de música, mas vale a menção. Jornalista, Tarso produziu publicações importantes (como O Pasquim e O Nacional), realizou shows de MPB e tem uma biografia repleta de causos pitorescos. Apesar de falhas graves na apuração (nem é culpa do autor: Millôr Fernandes, inimigo de Tarso, recusou-se a dar depoimento), o livro é um achado – uma das partes mais engraçadas é quando Tarso e seu amigo Caetano Veloso aparecem dando umas voltas de táxi por Porto Alegre.
* publicado no site Nitideal.
MELHOR DISCO NACIONAL
LEELA - Leela (EMI). Goste-se ou não (e eu gosto), eles ralam. Podiam muito bem se escorar no fato de terem uma vocalista gatinha, mas o jogo do Leela é bem outro. Produzido por Rick Bonadio, Leela, o primeiro disco, é rock anos 90 (influenciadíssimo por punk rock e pelas bandas alternativas da época) com vários hits em potencial: tem "Odeio gostar", "Romance fugitivo", "Último jantar" e montes de faixas que talvez só sejam descobertas em 2006 - ou seja, provavelmente vai dar Leela nas eleições de melhores do novo ano.
CIDADÃO INSTIGADO - ... E o método tufo de experiências (Slag). Cidadão Instigado é um projeto do guitarrista e compositor cearense Fernando Catatau - que traz no currículo colaborações com Nação Zumbi e Los Hermanos. O som é uma surpresa que une jovem guarda, música brega, psicodelia e sons eletrônicos - de forma totalmente coesa, sem soar como várias flechas atiradas a esmo em montes de alvos. Fâ de artistas como Fernando Mendes, Catatau cria doideiras como "O pobre dos dentes de ouro" e "O pinto de peitos", e sugere encontros entre Mutantes e Roberto Carlos. Como se não bastasse, Cidadão Instigado ainda foi um dos melhores shows do Humaitá Pra Peixe.
SOM DA RUA - Músicas para violão e guitarra (Deck). Com a morte do vocalista e líder Liô Mariz, não se sabe qual será o futuro da banda. Mas que fizeram uma excelente estréia, fizeram. Pop-rock de primeira, aludindo a Beatles, Barão Vermelho (nos vocais frejatizados de Liô e em algumas melodias), Teenage Fanclub (sem a capa "indie") e a formações hoje pouco lembradas, como Hoodoo Gurus e Soul Asylum.
CACHORRO GRANDE - Pista livre (Deck). O terceiro disco da banda gaúcha, primeiro por uma gravadora de grande porte, já garantiu o sucesso para o Cachorro Grande - com direito a shows em festivais badalados, músicas rodando em rádios pop e um bom núcleo de fâs pelo Brasil afora. Mudanças no front: o grupo agora mistura Who, Beatles e Stones a um pouco de anos 80, com direito a batidinhas na cola do Devo, mas sem deixar de lado o peso de discos anteriores. Brilhante.
LOBÃO - Canções dentro da noite escura (Universo Paralelo). Após deixar a multi BMG, Lobão fez um pula-pula de gravadora em gravadora e transformou seu som numa bomba atômica noir, com melodias e vocais soturnos, letras existencialistas e, no pano de fundo, lutas intermináveis pela consolidação do mercado independente nacional - vide a revista Outracoisa, que vai para o terceiro ano de vida e já revelou vários artistas (entre eles os irreprensíveis B. Negão, Mombojó e Quinto Andar). Canções... aprofunda a veia que o cantor achou após Nostalgia da modernidade (1995), com direito a diálogos com o além, em parcerias post mortem com Cazuza e Júlio Barroso.
MELHOR DISCO INTERNACIONAL:
AUDIOSLAVE - Out of exile (Universal): O segundo rebento da união entre três ex-Rage Against The Machine e um ex-Soundgarden deu em rock pesado e belo, tangenciando tanto os anos 60 (nos riffs de faixas como "Out of exile" e "Dandelion") quanto a tão falada década de 80 ("Be yourself", uma marcha a la U2). Arrematando o ano, a banda ainda lançou o DVD Live in Cuba, registro de seu show na ilha - quando se tornaram a primeira banda nort-americana a tocar lá.
BLACK REBEL MOTORCYCLE CLUB - Howl (Sony & BMG): O BRMC começou fazendo uma interessante releitura do noisy-rock do Jesus & Mary Chain, dando-lhe uma cara estradeira, motoqueira e bem mais pesada e inconformista. Howl, terceiro disco, aprofunda tais ligações, mas dando à banda uma cara mais folk e satânica. Um dos melhores sons do ano passado.
KAISER CHIEFS - Employment (Universal): Assim como outra boa banda nova, o Bloc Party, o Kaiser Chiefs escutou as lições do The Cure - pelo menos nos vocais e na estrutura de algumas faixas. Mas o som do grupo em Employment também tem muito de Talking Heads e (em especial) The Jam. Em seu primeiro disco, há hits às pencas, como "Everyday I love you less and less", "Caroline, yes" (gozação loser com "Caroline no", dos Beach Boys) e, principalmente, "I predict a riot".
OASIS - Don't believe the truth (Sony & BMG): Ninguém (nem mesmo eu) esperava nada mais do Oasis. Mas que surpresa: eles até que capricharam direitinho, fazendo seu melhor disco desde Be here now. Além de "Lyla" (ótimo hit single) tem a beleza de "Turn up the sun" e "Love like a bomb", a barulheira de "Mucky fingers", gozação de "Guess God thinks I'm Abel", etc.
THE CORAL - Invisible Invasion (Sony & BMG): Os garotos do Coral vinham de uma fase em que lançavam um disco quase atrás do outro - o penúltimo, Nightfreaks and the sons of Becker (uma gozação com o tenista Boris Becker) foi apenas um aperitivo para Invisible..., disco que une com maestria rock dos anos 60/70, psicodelia, country, folk e até aquele som pesado, rápido e melódico que chamam de power pop.
MELHOR FILME
VINICIUS - Miguel Faria Jr. – Já escrevi sobre esse documentário aqui. O principal de Vinicius é dar ao espectador uma sensação de intimidade com o próprio poeta e com seu tempo, a partir de depoimentos, imagens de época, músicas, etc. No fim, fica apenas uma sensação: sim, Vinicius era genial, e teve sua melhor fase, de fato, num tempo dourado. E ainda teve gente que gostou do Dois filhos de Francisco...
MELHOR LIVRO
ANOS 70 - AINDA SOB A TEMPESTADE - Adauto Novaes – Original de 1979, Anos 70 traz textos de vários intelectuais, dissertando sobre a cultura da década e sobre a ditadura – fala-se sobre literatura, música popular, teatro, etc. Uma maravilha, só pecando pelo alto preço (são 70 reais, mas dê um desconto: era uma coleção de cinco livros que foi reduzida para apenas um!).
THE BEATLES - LETRAS E CANÇÕES COMENTADAS – Quer ter todas as letras dos Beatles, algumas traduções e ainda comentários curiosos sobre cada música? Por esse livro, você fica sabendo cada caso bacana que envolve cada bela canção da banda. E ainda que muita gente prefira os Beatles pós-65, o começo do grupo já era rico em causos.
TARSO DE CASTRO – 75 kg DE MÚSCULOS E FÚRIA – Tom Cardoso – Não é exatamente um livro de música, mas vale a menção. Jornalista, Tarso produziu publicações importantes (como O Pasquim e O Nacional), realizou shows de MPB e tem uma biografia repleta de causos pitorescos. Apesar de falhas graves na apuração (nem é culpa do autor: Millôr Fernandes, inimigo de Tarso, recusou-se a dar depoimento), o livro é um achado – uma das partes mais engraçadas é quando Tarso e seu amigo Caetano Veloso aparecem dando umas voltas de táxi por Porto Alegre.
* publicado no site Nitideal.
Quarta-feira, Janeiro 25, 2006
Olá
Nas últimas semanas, como já andei falando para alguns leitores, tive alguns probleminhas, não só com meu tempo, como também com servidores e coisas do tipo. Por isso, o Discoteca Básica deixou de ser atualizado, as resenhas estão atrasadas, uma montanha de CDs que recebi está aqui parada, etc.
Como estava tendo alguns problemas com o antigo servidor (um pouco por não entender %$%#$ nenhuma de informática, um muito por causa de problemas com eles, mesmo), resolvi direcionar o www.discotecabasica.com para um endereço do Blogger, até arrumar uma casa melhor, ou ter saco para aprender conceitos rudimentares de informática, ou sei lá o quê. Por enquanto, o Discoteca Básica volta ao começo, até que eu arrume coisa melhor pra fazer com ele.
Não sei ainda aonde foram parar os arquivos antigos do blog - tenho todos arquivados num CD-R, mas se sumiram da net, paciência. Como acho que no começo do Discoteca Básica tinha muita coisa ruim, mesmo - e já era um projeto antigo meu tirar boa parte dos textos antigos - nem estou esquentando muito a cabeça. De vez em quando, quando faltar inspiração, vou recolocar alguns textos antigos por aqui. Também tenho que reaprender como se mexe no Blogger - que, vejam só, está todo em português. Além disso, nesse ínterim, um figura passou a usar o endereço discotecabasica.blogspot.com e tive que criar outra URL no Blogger.
Bom, essa semana devem haver mais novidades por aqui, nem que sejam textos antigos reprocessados ou coisa parecida. Eu estava até pensando em tirar o Discoteca Básica do ar, por esses dias, por estar meio de saco cheio do site - mas sabem que senti até falta?
Como estava tendo alguns problemas com o antigo servidor (um pouco por não entender %$%#$ nenhuma de informática, um muito por causa de problemas com eles, mesmo), resolvi direcionar o www.discotecabasica.com para um endereço do Blogger, até arrumar uma casa melhor, ou ter saco para aprender conceitos rudimentares de informática, ou sei lá o quê. Por enquanto, o Discoteca Básica volta ao começo, até que eu arrume coisa melhor pra fazer com ele.
Não sei ainda aonde foram parar os arquivos antigos do blog - tenho todos arquivados num CD-R, mas se sumiram da net, paciência. Como acho que no começo do Discoteca Básica tinha muita coisa ruim, mesmo - e já era um projeto antigo meu tirar boa parte dos textos antigos - nem estou esquentando muito a cabeça. De vez em quando, quando faltar inspiração, vou recolocar alguns textos antigos por aqui. Também tenho que reaprender como se mexe no Blogger - que, vejam só, está todo em português. Além disso, nesse ínterim, um figura passou a usar o endereço discotecabasica.blogspot.com e tive que criar outra URL no Blogger.
Bom, essa semana devem haver mais novidades por aqui, nem que sejam textos antigos reprocessados ou coisa parecida. Eu estava até pensando em tirar o Discoteca Básica do ar, por esses dias, por estar meio de saco cheio do site - mas sabem que senti até falta?
