
O endereço é
http://midsummer-madness.blogspot.com. Diz lá que o endereço é provisório. Como o
site da gravadora está para sofrer modificações há alguns meses, creio que depois façam um mmrecords.com.br/blog ou algo assim.
Ah, sim: segue abaixo uma entrevista que fiz com o chefe do selo, Rodrigo Laríú, há alguns meses pro site
Nitideal. Para quem não sabe, o Rodrigo é de Niterói e começou com o fanzine midsummer madness (que recentemente voltou para uma edição especial no
Ruído Festival deste ano) quando estudava numa escola daqui no Ensino Médio. Vejamos:
midsummer madness
O selo
midsummer madness (assim mesmo, com minúsculas) é velho conhecido de todo mundo que acompanha a cena underground nacional. Com um catálogo que já soma cerca de 15 CDs e 30 CD-Rs e inclui discos nacionais licenciados fora do Brasil (além de alguns lançamentos estrangeiros), o midsummer, desde seu começo, desponta como um selo com personalidade própria, lançando algumas das mais interessantes bandas do meio independente nacional.
São bandas que ainda não chegaram às grandes gravadoras, mas que mantém um público fiel, como os cariocas do Luisa Mandou Um Beijo e do
Pelv`s, os brasilienses do Low Dream, os mineiros do
Valv etc. Recentemente, um dos melhores nomes do selo, o cantor e compositor carioca
Nervoso, chegou a abrir um show do Barão Vermelho. Seu disco Saudade das minhas lembranças, que exibe uma MPB com influência de rock, samba e até jazz, vem sendo bastante elogiado.
A história do midsummer se iniciou aqui mesmo, em Niterói, no ano de 1989. O criador do selo, o jornalista e produtor Rodrigo Lariú, estava ainda no Ensino Médio e, por intermédio de uma amiga de escola, tomou contato com alguns fanzines - revistas pequenas, feitas por jornalistas iniciantes, divulgadas de mão em mão. Naquele mesmo ano ele estaria fazendo, junto com a irmã Alessandra e alguns amigos da cidade, o fanzine midsummer madness, cujo objetivo era mostrar as bandas alternativas daqui.
- Naquela época, o rock brasileiro famoso andava meio decadente. E haviam muitas bandas alternativas que estavam ativas mesmo na época que o rock brasileiro estava em alta, no Rio e em SP. Com essas caídas, as bandas independentes tiveram mais espaço - rememora Rodrigo - Em Niterói tinha o Saara Saara, que existe até hoje e na época era considerada a maior banda da cidade, e estava começando a aparecer o Second Come. Também tinha o Squonks, da Simone do Vale, que depois viraria baixista dos Autoramas, além de várias outras que passei a conhecer graças ao fanzine. Eu não queria só copiar matérias de semanários ingleses, como vários fanzineiros faziam. Queria ir para a rua, ver os shows, os ensaios, entrevistar as bandas que estavam dando sopa na cidade.
Rodrigo desejava que os leitores tivessem acesso fácil à música das bandas que apareciam nas edições. Em 1992, o quarto número do midsummer vinha acompanhado de uma fita cassete, com faixas de grupos como Pin-Ups, Killing Chainsaw e Second Come. Em 1994 o midsummer virou uma gravadora especializada em lançamentos em fita - além de coletâneas, saíram cassetes de bandas como os cariocas do Cigarretes e os baianos do Brincando De Deus.
- A idéia da fita cassete era de ter um suporte que não sacrificasse o fanzine ou a gravadora. Naquela época já existia o CD, mas uma banda independente jamais sonharia em fazer um, poderia no máximo sonhar em ter um vinil. E tanto o LP quanto o CD eram muito caros para se fabricar. - explica Lariú, exemplificando: - A idéia da fita era simples. Você me mandava uma carta dizendo que queria a fita dos Cigarretes e escondia no envelope quatro reais, que era o preço, somado, da fita, mais a xerox para a capinha e o correio. Eu ia na esquina, comprava a fita, fazia e mandava. Era atendimento por demanda, a gente nem fazia estoque, só no caso de bandas muito pedidas.
Pouco depois, o CD surgia na vida do selo:
- Lá por 1997, a gente percebeu que algumas bandas, como o Cigarretes e o Pelv`s, vendiam tanta demo que já poderíamos arriscar um CD. Se elas vendiam 300 fitas, porque não venderiam 500 ou mil CDs? Lançamos de uma vez só o primeiro do Cigarretes e o segundo da Pelv`s - conta.
Fora do selo, Rodrigo chegou a trabalhar um bom tempo na MTV carioca, como produtor de jornalismo - apresentou também programas em rádios como Transamérica e Fluminense FM, sempre voltado para o rock alternativo. O midsummer, de fanzine pequeno, foi crescendo. Atualmente recebe várias demos, faz lançamentos em CD de fábrica (distribuídos pela empresa paulista Tratore e também vendidos no próprio site) e também apresenta boa parte do seu elenco no festival anual Algumas Pessoas Tentam Te F... A edição deste ano acontecerá em dezembro, no Teatro Odisséia, e promete uma novidade curiosa: as bandas que tocarem - entre contratados e convidados - deverão tocar uma cover de algum artista de heavy metal (
isso foi ano passado e, que eu lembre, aconteceu, não foi?).
- Na época em que lançávamos fitas e CD-Rs, era regime de cooperativa. Eu falava para as bandas: `olha, eu posso distribuir e divulgar a sua demo. Não quero exclusividade nenhuma, mas posso fazer isso para vocês. Também não vou poder pagar nada a vocês a não ser que a fita comece a dar lucro`. Primeiro era isso, eu colocava disponível no site, depois fazia uns catálogos, não tinha contrato nenhum para essas bandas. Com o catálogo de CDs, nós temos contrato com algumas bandas, a não ser as mais próximas, como o Pelv`s, com as quais temos um trato diferente de grana a cada disco.
A “cara” do selo é explicada com sinceridade por Rodrigo, especialmente no que diz respeito à pecha de que o MM só lança bandas que cantem em inglês.
- Eu tenho sócios no selo, mas é basicamente o meu gosto musical. A gente não lança banda que a gente não acha boa, mesmo que possa vender. É um selo `indie`, no sentido de `independente`, mas não no sentido que as pessoas geralmente usam
(mais caricatural, de bandas totalmente desassociadas do mercado). É uma gravadora de rock alternativo, mas nunca teve essa história de que as bandas têm que cantar em inglês. Dos últimos discos que lançamos, três são cantados em português e dois em inglês - conta. - Também já lançamos coisas de MPB, como Casino e
The Gilbertos. Não é MPB do Caetano Veloso nem do Jorge Vercilo, mas é MPB.
Para breve, Rodrigo planeja inovações no site do selo - que está no ar desde 1997.
- Nosso catálogo de demos vai virar um catálogo de mp3 gratuito, com mais de 300 músicas. E vamos continuar vendendo CDs. O de mp3 vai virar o que seria, se a gente fosse uma gravadora do mercado europeu, a nossa relação de singles, que é aonde a gente testa bandas novas - adianta.