Terça-feira, Maio 30, 2006

Filme do Chorão!!!

Serinho. Olha o e-mail que chegou aqui hoje:
"No dia 06 de junho a Buena Vista International organiza uma coletiva de imprensa para anunciar o início das filmagens e apresentar o elenco do filme O MAGNATA, que estréia em todo o Brasil em janeiro de 2007. Estarão presentes Chorão, Paulinho Vilhena, o diretor Johnny Araujo, Fabiano Gullane, diretor da Gullane Filmes e Rodrigo Saturnino, diretor geral da Buena Vista International no Brasil. (...)

Sinopse Um projeto de Chorão, líder de uma das maiores bandas de rock do Brasil, com a participação de grandes nomes da música brasileira da atualidade, que vai falar direto com o público jovem. Magnata é um rock star que ganha muito dinheiro em sua carreira de ídolo pop, mas na verdade financia suas extravagâncias com a herança deixada pelo pai. Amigo de Chorão, da banda Charlie Brown Jr., Magnata é um sujeito imaturo, que vive deslumbrado com seu sucesso. Sua vida pode mudar quando conhece Dri, uma garota muito especial, por quem se apaixona. Mas, no mesmo dia em que descobre o amor, Magnata comete um crime. A partir daí, seus sonhos tornam-se um pesadelo e ele se dá conta de que suas atitudes têm conseqüências, algumas graves. Muito som, surf e skate, num retrato preciso da cena jovem urbana, capaz de fazer a platéia "sair do chão".

“O Magnata” - Um projeto de Chorão, com direção de Johnny Araújo e produzido por Gullane Filmes."

Estação de rádio inglesa suspende execução de músicas de James Blunt

"A estação de rádio inglesa Essex FM suspendeu a execução de músicas do cantor James Blunt de sua programação.
Segundo a agência de notícias AFP, os ouvintes da rádio disseram estar "cansados" de ouvir as faixas "You're Beautiful" e "Goodbye My Lover".
As canções fazem parte do primeiro CD de Blunt, "Back To Bedlam", que desde 2005 já vendeu mais de 7 milhões de cópias no mundo. "You're Beautiful" também faz parte da trilha da novela "Belíssima".
Para o programador da estação, Chris Cotton, as gravadoras exercem pressão para que certas músicas sejam tocadas ínumeras vezes durante a programação das rádio, o que, segundo Cotton, nem sempre coincide com o gosto da audiência.
"Nós não temos nada contra James Blunt, mas realmente precisávamos de um tempo", afirmou Cotton sobre o banimento das músicas.
Ex-oficial do exército britânico, James Blunt repetiu no Brasil o sucesso alcançado com "You're Beautiful" na Inglaterra e outros países. Em abril, a canção foi a mais executada nas rádio brasileiras."

É, nem jabá dá mais certo em alguns lugares... Os tempos realmente estão mudando... Só espero que para melhor!
A idéia da revista Palavril - que por enquanto, só existe no formato blog - é difundir literatura, poesia, artes plásticas, mídia alternativa e arte de modo geral. Vale a pena dar uma olhada - tem um texto bem interessante sobre Mídia não-corporativa, além de várias outras coisas.

Segunda-feira, Maio 29, 2006

Volta dos Mutantes

+ Entrevista de Sérgio Dias no Portal Jovem Guarda sobre o retorno. Leia aqui.

+ O livro A divina comédia dos Mutantes, de Carlos Calado - que o Sérgio Dias, sempre que tem chance, mete o pau (eu particularmente gosto do livro) - foi relançado pela Editora 34, que o havia lançado, lá por 1995. "Composto a partir de dois anos de pesquisas e cerca de duzentas entrevistas, o livro do jornalista e crítico musical Carlos Calado reconstitui a trajetória da banda desde suas origens, em 1966, até sua dissolução, em 1978. O material recolhido por Calado traduz toda a irreverência e originalidade do grupo, considerado por muitos o maior fenômeno do rock brasileiro de todos os tempos. Além de contar em detalhes toda a história dos Mutantes, o livro é ilustrado com mais de cem fotografias e traz ainda a discografia completa da banda."

+ E o CD/DVD do show de Londres vai sair pela Sony & BMG, pelo que andaram falando.

Sábado, Maio 27, 2006

Greve de passageiros em Niterói!!

Não é matéria de música, mas lá vai a tal matéria sobre a greve de passageiros de ônibus que andam planejando fazer aqui na terrinha. O original tá no Nitideal (link acima).

GREVE DE PASSAGEIROS

"Greve de passageiros? Como assim?" Essas devem ter sido as duas perguntas que muita gente se fez nos últimos dias. Pois é: o movimento contra o aumento da tarifa do transporte coletivo na cidade começou devagar, ganhou a mídia (com direito a matérias em grandes jornais e a uma comunidade no Orkut com mais de 1300 participantes) e terá seu ápice na próxima quarta-feira, dia 31 de maio. Nesse dia, os articuladores do movimento pedem que ninguém saia de casa de ônibus, em protesto. E para as 16 horas está marcada uma manifestação em frente à Câmara Municipal, no Centro.

- Queremos que as empresas mostrem as planilhas de custo, que elas sejam auditadas. O preço cobrado em Niterói é um abuso, até por causa do tamanho da cidade. É uma cidade muito pequena para que a passagem custe R$ 1,75. - diz o vendedor René Amaral, um dos organizadores, que crê no sucesso do boicote. - Vemos que as pessoas, em especial os jovens, ficaram decepcionadas com esse aumento da passagem. E estão frustradas com o governo, com a máquina governamental.

O movimento ganhou as ruas na manhã do dia 22 de maio, quando os articuladores René e Anderson Porto, junto de outros membros da comunidade, fizeram uma manifestação na Praia de Icaraí, ao lado do Conselho Comunitário da Orla da Baía de Guanabara (CCOB). Além de protestar contra o aumento da passagem e a má conservação dos ônibus - a partir de um abaixo-assinado, cujas assinaturas foram colhidas no ato - eles planejam entrar com uma ação no Ministério Público para investigar fraudes no setor.

- Os ônibus têm qualidade ruim. O valor cobrado é discrepante com a qualidade dos carros. - diz René. - Fora que há poucas linhas explorando o transporte da cidade. Se você quer ir a Pendotiba, só tem uma linha. Para o Fonseca, praticamente a mesma coisa. Como, em muitos casos, só uma empresa faz esses percursos, ela não sente nenhuma necessidade de dar qualquer tipo de explicação à população. Queremos que tudo esteja investigado.

- Dessa questão do aumento, você puxa um fiapo e vê que outras coisas começam a aparecer. Há gente poderosa envolvida nisso. - explica Anderson, que é analista de sistemas. - Queremos que o abaixo-assinado seja apresentado ao Ministério Público e que sejam pedidas as planilhas de custo das empresas.

O grupo conta com a ajuda de setores como o próprio CCOB e o Comitê Anti-Máfia dos Transportes. Fora isso, outros niteroienses já estão se mobilizando. A estudante de jornalismo Luciana Lage colou cartazes na universidade em que estuda, e vem convidando as pessoas a aderir ao movimento pelo Orkut.

- Esse aumento foi um absurdo. – reclama. - Os responsáveis pelas empresas se aproveitaram do reajuste dado aos rodoviários para aumentar abusivamente o valor da condução, aproveitando a alienação e indiferença de grande parte dos niteroienses.

O outro lado: Perguntado sobre o aumento da passagem, o assessor do presidente do Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários do Rio (Setrerj), Mário Mesquita, afirma que não há relação entre o preço da tarifa e a quilometragem rodada pelo ônibus.

- O valor da tarifa é a divisão do custo operacional pela quantidade de passageiros pagantes. No custo, são consideradas as despesas com combustíveis, salários dos rodoviários, pneus, peças, tributos e impostos, além das condições adversas do trânsito. - explica. - Quanto aos passageiros pagantes, houve queda da quantidade, devido ao aumento de uso de gratuidades, muitas mediante fraudes, e a concorrência do transporte ilegal. Em resumo, é como se um grupo de amigos fosse ao restaurante. No final, soma-se o custo e divide-se pelos pagantes. Quanto maior a quantidade de pessoas, menor será a quantia a ser paga por cada um. O mesmo ocorre no transporte.

Quanto a conservação dos ônibus, Mário afirma que não é verdade que toda a frota operadora de transporte da cidade esteja mal conservada, embora reconheça que "a idade média dos ônibus aumentou, embora esteja muito longe de estar entre as mais velhas".

- As empresas têm feito grande esforço para renovar as frotas e implementar novas tecnologias. Só que a queda da quantidade de passageiros pagantes e o aumento do custo operacional, não estão viabilizando maiores investimentos pelas empresas de transporte. - diz Mario, enfatizando que o empresariado não busca o aumento da tarifa como solução. - O ideal seria a desoneração da tarifa, mediante redução da carga tributária, redução do consumo de combustível, melhores condições de trânsito e aumento da clientela pagante.

Sexta-feira, Maio 26, 2006

Escreveu e não leu...

Arctic Monkeys pode perder direitos de suas músicas por tê-las hospedado no MySpace.
Leiam aqui. Tá em espanhol, ok? E leiam sempre as cláusulas e as letrinhas miúdas antes de assinar qualquer porcaria.

Fonte: Flávia Durante.

Só avisando:

+ Amanhã vai rolar showzito dos Djangos (lembram de "Sopa de Jornal"?) aqui em Niterói, de grátis, no Bay Market. Aí vai o serviço: dia 27, sábado, às 18 horas no Shopping Bay Market (endereço: R. Visconde do Rio Branco, 360 lj. 3, Niterói, ao lado das barcas).

+ Amanhã vai rolar pela segunda vez a Cinerave, a festa de trilhas de filmes, lá no Recife - mais aproximadamente no Casarão Sabor de Pernambuco (Rua do Apolo, 213, Recife Antigo), a partir das 22 horas. Dizem os organizadores - o DJ Eduardo Pereira e o VJ Cidadão Kelmer - que estão preparando uma edição especialíssima para a data. "Além de o local ser todo decorado com todos os padrões relacionados ao mundo do cinema, musicalmente também não deixará a desejar, porque enquanto o público dança a música vê o filme correspondente no telão. Filmes e musica dos anos 60, 70, 80, 90 e atuais, serão as atrações principais da festa", avisam. Mais informações na comunidade do Cidadão Kelmer.

Quinta-feira, Maio 25, 2006

Greve de passageiros em Niterói - é mole?

"Greve de passageiros - A vez dos usuários

No dia 31 de maio, passageiros da cidade de Niterói, no Estado do RJ, boicotarão as conduções na chamada "Greve de Passageiros". O movimento é um repúdio às companhias de ônibus, que aproveitaram o pedido de reajuste salarial dos rodoviários para aumentar abusivamente o valor das passagens de R$1,60 para R$1,75, e ao péssimo estado de conservação dos veículos. Além do boicote, está marcada para às 16h a primeira manifestação pública, em frente à Câmara dos Vereadores. O Comitê Anti-Máfia dos Transportes e o Conselho Comunitário da Orla da Baia (CCOB) aderiram o protesto. Inclusive, o CCOB emprestará o som para o ato público."


Para quem quiser saber mais informações sobre o assunto, a movimentação tem uma comunidade no Orkut. Só digo que o lance tá sério - saiu notinha até no blog da Rosana Hermann, que é uma das redatoras do Pânico. Andei entrevistando os caras para o Nitideal (não saiu ainda).

Quarta-feira, Maio 24, 2006

Desencavando textos: International Magazine

"AFRICA UNITE: THE SINGLES COLLECTION" - BOB MARLEY (Tuff Gong/Universal)

A Island/Tuff Gong, que cuida do espólio de Bob Marley, anda a fim de fazer com o rei do reggae mais ou menos o mesmo que fizeram as várias gravadoras de Jimi Hendrix. Sempre sai uma coletânea de Bob Marley - só que, ao contrário do que acontece com Hendrix, que teve ótimos LPs póstumos, o baú de novidades parecia ter se esgotado mais cedo. Uma boa (meia) surpresa é este Africa Unite: The singles collection, que reúne compactos das gravadoras JAD e Island, lançados entre 1970 e 1977. Além de sucessos e gravações raras, ainda tem duas novidades: WillI.Am, do Black Eyes Peas, fez um remix para "Africa unite" e os filhos de Marley, Stephen e Ziggy, encontraram uma faixa inédita, "Slogans". A fita com a canção foi descoberta em 2003 e, para completar o trabalho que Marley deixara, seus filhos convidaram Eric Clapton para gravar guitarras na música.

Quem compar a versão dupla, vendida apenas lá fora, vai ganhar mais gravações de Bob Marley no começo – aqui, ficou tudo resumidinho. A fase inicial de Bob, no CD lançado aqui, se resume a poucas músicas, nas quais é possível escutar a trilha sonora daquele período que todo mundo que já leu algum texto biográfico sobre Marley conhece - de quando eles começaram a trabalhar com Lee "Scratch" Perry, de quando eles foram passados para trás por empresários espertalhões, de quando a relação de Bob com Peter Tosh ainda tinha alguma solidez, etc. As cinco primeiras faixas mostram um Bob Marley (com seus Wailers) ainda simplificado, com vocais chegados ao doo wop (caso de "Soul shakeboom party") ou fazendo as primeiras versões de músicas que, posteriormente, alcançariam sucesso - caso de "Lively up yourself", lançada depois no Natty dread (1973). Com mais cara de banda de ska do que de reggae, os Wailers ainda estavam bem mais próximos do gueto que gerou canções como "Trenchtown rock" e "Concrete jungle" - e ambas aparecem no CD, em versões do comecinho.

De resto, o que dá para dizer é que Africa Unite consegue soar como uma coletânea um pouco mais generosa do que Legend, lançada em 1985 e inesquecível para todos os fãs de Bob - e isso graças aos singles do começo, incluídos. Não há muitas diferenças e quem for comprar o CD, provavelmente só vai escutar os hits que está acostumado a ouvir em rádio. Caso de "I shot the sheriff", "No woman, no cry", "One love", "Three little birds", "Sun is shining" e várias outras que todo mundo conhece. Além das duas faixas novas, o disco pelo menos tem a desculpa de vir no aniversário de 60 anos de Bob Marley, comemorado ano passado. Mas não é nada que vá mudar a vida dos fâs.

Ficou faltando falar das músicas novas. O tal remix de "Africa Unite" acaba soando meio inútil, concorrendo com a própria versão original de Bob, imbatível. Já a tal "Slogans" é até uma boa pérola - reggae ensolarado com mão Beatle, lembrando um misto de "Let it be", dos Beatles (saque o refrão!) com a própria versão que Gilberto Gil fizera de "No woman no cry". É uma surpresa legal desse Africa unite, coletânea perneta que não apresenta tantas novidades e talvez não signifique para os anos 00 o que Legend significou para os 80.

Terça-feira, Maio 23, 2006

A morte de Elino Julião


Rodrigo Levino, jornalista lá de Natal (RN) e chefe do blog Desafogar, mandou o texto abaixo sobre a morte do compositor Elino Julião, que foi colaborador de Jackson do Pandeiro. Para quem não conhece o cara, o site oficial tá aqui e tem mais outro link aqui. O Levino arriscou (opa) umas linhas e depois colocou a crônica de outro jornalista, Alex Medeiros.

"Faleceu no último sábado um dos maiores íncones da música e cultura populares do Nordeste: Elino Julião.

Elino é mais um daqueles casos de personalidade com reconhecimento muito aquém do merecido. Talvez a morte, mesmo que tardiamente, repare este erro.

Conheci sua obra com maior profundidade através de Diogo Guanabara, em farras e madrugadas homéricas onde volta e meia a gente até se arriscava nalgum boteco, fazendo música ao vivo por dois ou três aplausos e chamando alguém "pra sombra do juazeiro".

Tempos depois soube que Elino era amigo do meu pai. Daí, o que eram apenas ouvidos atentos um dia foram olhos brilhando numa mesa, com Elino contando por horas muitas e muitas histórias e no final o presente: todos os seus discos lançados em CD, autografados.

Canto tudo - De Rabo do Jumento a Cofrinho do Amor. Arrisco até uns passos, porque com Elino é difícil ficar parado. E logo eu, roqueiro, indie, chato, intolerante com o que às vezes chamo de "ranço provinciano" em relação à cultura mais popular, confesso que me rendi desde cedo.

Agora é isso, conformar-se com o seu desaparecimento, mas sem deixar que em cada audição, mais que dois passos e uma alegria, façamos todos uma grande homenagem. Elino merece.

Deixo com vocês a crônica do jornalista Alex Medeiros, escrita ainda no dia da morte de Elino.

Nota musical de falecimento

"Eu vou ali fazer uma viagem

cadê coragem pra me despedir
não quero ir, meu Deus peço socorro
eu sei que morro de saudade do Siri."
(Elino Julião, Siri Siridó, 1976)

Eu havia acabado de deixar a sessão de "O Código Da Vinci", no Praia Shopping, pouco antes das 22 horas, e fui para uma resenha em Ponta Negra com Jacqueline, Ailton Medeiros, Jener Tinoco, Robinson Faria e sua mulher, Julianne. Nem tinha tomado o primeiro gole de guaraná e o telefone toca. Ouço a voz do produtor cultural Zé Dias. Pensei: lá vem sacanagem (aquele papo de uso do cachimbo faz boca torta).

Mas diferente de todas as outras milhares de vezes em que a voz de Zé vem carregada de provocações ideológicas (quando o assunto é Lula), zombarias futebolísticas (quando há derrotas - perdão da redundância - do Botafogo) e vibrações musicais (quando é o caso de sucesso de algum artista local), daquela vez o timbre era de tristeza. Falando num compasso de marcha fúnebre, ele avisou: "Elino Julião acabou de morrer".

Minha cabeça rodou e me levou de volta à estreita travessa Mário Lira, nas Quintas, quando a partir dos anos 1960 aprendi a gostar das canções de Elino, tocadas numa constância em todas as rádios de Natal e do interior. Sempre que quero viajar àquele passado lúdico, coloco no CD do carro sua coletânea com o melhor daqueles anos: O Rabo do Jumento, de 1967, Puxando Fogo e Xodó de Motorista, de 1970, A Festa do Senhor São João, de 1973, e Na Sombra do Juazeiro, de 74.

Se a vida fosse um filme, e o gênero fosse bang-bang (quem disse que não é?), Elino seria o meu Ennio Morricone, o compositor de temas dos melhores filmes do diretor Sergio Leone. Suas canções funcionam como trilhas de bons tempos, cada uma delas rememora períodos da minha infância e adolescência. Quando tive o privilégio de gozar da sua amizade, coisa rara entre ídolos e tietes, contei-lhe sobre isso. Ele expressou um orgulho que era para ser só meu. O poeta Graco Medeiros, meu mano, ficou lhe devendo a promessa de me levar para um palmo de prosa em sua casa, como ele queria.

Elino também foi trilha sonora das emoções da Copa do Mundo de 1970, quando seus clássicos foram sucessos em todos os campos radiofônicos do Brasil. Nenhum som me lembra mais aqueles instantes do que Xodó de Motorista, um forró pisado numa seqüência rítmica que mistura lirismo e linguagem popular, numa métrica de soneto aleijado. Naquele tempo, o "quadrado mágico" era formado por ele, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Marinês.

Elino Julião está para a cultura do Rio Grande do Norte como Jackson para a da Paraíba. Sua carreira e discografia são marcas de um artista com fôlego musical e atemporal. Seu forró é original como o trio de instrumentos que agora experimenta ressurreição nos salões de dança, aquele que foi destaque até no "The New York Times". As louras que hoje rebolam cantando letras ridículas em forrós pasteurizados não amarram a chinela da "deusa do Mercado José".

Elino se foi como um pássaro cantante. Morreu na sua estação preferida, a estação das sanfonas, dos arrasta-pés, das fogueiras, dos balões, das canjicas. Elino não vai mais amanhecer o dia na festa do Senhor São João, em Mossoró. Mas em sua memória, vamos todos mandar brasa, pois ele gostava mesmo era de animação. Agora, cada vez que meu filho de nove anos pedir para ouvir "O Rabo do Jumento", eu vou morrer de dor. E por favor, avisa ao pessoal de casa: quem esquecer Elino Julião é um filho de goiamum.

Alex Medeiros

Elefant

"THE BLACK MAGIC SHOW" - ELEFANT (Kemado/Hollywood/Universal)*

A banda novaiorquina Elefant é um dos melhores retornos de 2006. Digo retorno - é esquisito falar assim de uma banda relativamente nova, eu sei - porque o quarteto andava desaparecido há três anos. Num momento em que as informações circulam rapidamente, montes de novas sensações do rock surgem a cada dez minutos e críticos musicais mudam de opinião a cada cinco segundos, esses novaiorquinos (liderados por um filho de argentinos com nome de galâ da Malhação, Diego Garcia), resolveram dar um sumiço básico dos estúdios, tendo apenas um CD gravado, Sunlight makes me paranoid. Apesar de reconhecido pela crítica até no Brasil, o disco nem chegou a ser lançado aqui - lá fora, saiu pela pequena Kemado recods, numa edição corajosa que incluía até uma arquivo com todas as músicas em mp3, prontas para serem passadas de fâ para fâ, na internet. O resultado foi que nem todo mundo comprou o disco, mas muita gente esperou por um segundo registro.

The Black Magic Show, segundo CD dos caras - além de Diego nos vocais, tem Mod (guitarra, teclados, backing vocals), Kevin McAdams (bateria) e Jeff James (baixo e backing vocals) - conseguiu até uma edição nacional, via Universal. Lá fora, saiu por uma junção da Kemado com a grandinha Hollywood Records. O Elefant já demonstrava estar à parte da cena atual no primeiro álbum - talvez a banda que mais se compare a eles seja The Killers, que representa uma feliz união de hedonismo musical, batidas dançantes e powerpop do bom. No Elefant, praticamente não há influências do punk-funk que bate ponto no som de grupos como Franz Ferdinand e Bloc Party, e também não há a sujeira dos Strokes, só para citar alguns grupos atuais. O lance de Diego e seus camaradas é bem outro: romantismo e sensualidade em letras e músicas, postura quase glam em shows e fotos de divulgação, referências que abarcam Duran Duran, The Cure, New Order, David Bowie, Bryan Ferry - sinônimo de estilo, segurança e pose classuda, coisas difíceis de serem encontradas hoje. Uma espécie de new wave sombria, se é que isso é possível.

E olha que, no que depender da banda, o lance é mais complexo do que parece. Diego Garcia andou declarando que uma das grandes influências do Elefant em The Black magic show foi... Quem? Bob Dylan? David Bowie? Julian Casablancas? Não, Carlos Gardel! "Tive um sonho no qual me senti como se estivesse o incorporando", confessou o garotão no release do novo disco, sem medo de pagar mico. "Eu estava com uma luva branca na mão, cantando com um microfone gigante, para pessoas num grande auditório. Tentei canalizar esta vibração para muitas dessas canções".

O feeling da noite de Nova York também serviu de matriz para o álbum, segundo Garcia. Isso talvez explique o fato de que, de modo geral, o disco novo tenha bem mais sentimento - aquela coisa que ninguém sabe explicar, mas que quem ouve, entende. E também aponta que sobra demônio (no melhor sentido) no disco, cujo título é Show de magia negra e cuja faixa-título, uma bela e ensolarada música de ascendência new wave, fala em "não há diferença entre errado e certo" e "o diabo canta uma canção para você". Se há ainda alguma nerdice no meio indie, ela com certeza não passou por aqui - e as imagens de letras como "Sirens" e "Lolita" (olha só!) comprovam isso.

O disco segue do começo ao fim com belas melodias, linhas simples e bem marcadas de baixo (como as que apareciam em discos de bandas como Pixies e Husker Du, ou até mesmo no Duran Duran) e montes de curiosidades - como o fato da banda ter convidado Don Gilmore para produzir o disco. Don trabalhou com o (olha eles aí de novo) Duran Duran quando o grupo gravou um - fraco - disco de retorno. E também esteve ao lado de nomes um tanto diferentes de tudo o que foi citado até agora, como Good Charlotte e Linkin Park. Nem é preciso afirmar que não há nada desses dois grupos no disco.

Ficou faltando falar mais de cada música. Nem precisa: do jeito que os fâs do Elefant são, The Black magic show já deve estar rolando no Winamp da galera há séculos. Mas quem não conhece, pode se amarrar no romantismo a la David Bowie de "The clown" (na qual a banda oferece a alguma musa "um belo dia para pecar"), os riffs delicados e o refrão pop e pesado de "Uh oh hello" (que talvez agrade fâs de Smiths e Pretenders), a nostálgica "Why", a sombria e quase operística "My apology", a dançante (mas baseada em riffs distorcidos) "The lunatic" e... Bom, o Elefant gravou uma música chamada "Brasil". Não há referência ao país na letra, e nem mesmo a música apresenta "brasilidades". A melodia lembra mais uma milonga, ou um fado. Mas é um detalhe sórdido muito pequeno, dentro de um disco que, desde já, mostra-se como um dos mais perfeitos de 2006 (site: www.elefantweb.com).

* publicado no Nitideal.

Sexta-feira, Maio 19, 2006

Dicionário de bandas (estrangeiras)

Eu não sabia, mas a Folha de São Paulo lançou um. O link tá aqui.

Quarta-feira, Maio 17, 2006


Por fazer parte de uma lista de "blogueiros mais atuantes do Brasil", fui convidado para uma certa Festa do Copo Vermelho, que será celebrada no sábado, dia 20, em São Paulo. Se você não faz parte do mundo blogueiro ou não sabe direito o que é, tem posts nos blogs do Inagaki e do Charles Pilger explicando tudo (aqui e aqui, respectivamente).

A ilustração aí em cima é a reprodução da parte do site na qual aparece o endereço do Discoteca Básica - não sei se tá dando pra enxergar. Valeu, mas o endereço oficial, há três anos, é www.discotecabasica.com. Como saí do servidor antigo, o domínio está apontando para este blog do Blogger - já que, após minha saída do blogspot, em 2003, um cara pegou o endereço http://discotecabasica.blogspot.com pra ele.

Mesmo para quem não tem nada a ver com a tal festa ou não foi convidado - se bem que tem até um jeito para ser incluído na lista, você pode copiar um código deles lá e eles avaliam - vale a pena dar uma olhada na lista de blogs. Tem uma série de blogs lá que já são até "velha guarda" no meio e continuam legais (caso da Dama e do Pura Goiaba), além de uma porrada de blogs dos quais eu - que era viciadíssimo no assunto até dois anos atrás - nunca tinha ouvido falar. Interessante que o meio blogueiro tenha saído um pouco de moda - você quase não vê textos sendo publicados sobre o assunto, até porque durante um bom tempo a maioria das pessoas que tinha blog voltou-se para os fotologs - mas ainda esteja se renovando. Agora o que tem a empresa de bebidas Johhnie Walker a ver com as calças, não entendo.

Terça-feira, Maio 16, 2006

Pop-rock nacional em desenho animado

Olha o que deu no blog do André X, baixista da Plebe Rude: "A Plebe Rude, em sua formação original, estará no próximo clipe do Capital Inicial, da música 'Anúncio de Refrigerante' (do CD Aborto Elétrico e, por sinal, uma das melhores releituras do disco). Fizemos as pazes com o Gutje? O Jander mudou de idéia? Nada disso, trata-se de clipe animado pelo mestre Didiu. Aqueles ligados nos Ratos do Porão devem se lembrar de um clipe que ele desenhou para a banda dois anos atrás (ou mais?). Vejam a cena, acima. Trata-se de um resgate dos shows que ocorriam no Foods, uma lanchonete na Asa Sul. Vejam o Jander, com seu colete de brim. O Philippe com seu topete exagerado. E esse que lhes escreve com a camisa com o A da anarquia. Didiu, faltou o detalhe, que abaixo do A tinha a frase: 'enforquem o Fábio Jr.' ".

A título de informação, vai aí uma coisa que o André não colocou em seu blog: Didiu foi responsável também por um dos melhores clipes do pop nacional atual, o de "A verdadeira dança do patinho", de B Negão e os Seletores de Frequência*. Eu não sabia, mas esse clipe pode ser baixado gratuitamente do site do Centro de Mídia Independente (CMI Brasil). Entre nesse link e saiba como.

Ah, tá faltando realmente falar aqui o que achei do tal disco do Aborto Elétrico relido pelo Capital Inicial. Faço isso semana que vem, ok?

*UPDATE: O bestalhão aqui, quando foi postar, esqueceu de colocar o nome do B Negão. Ainda bem que, aparentemente, ninguém notou.

Desencavando textos: International Magazine

"ACÚSTICO" - A COR DO SOM (Performance Be Records/Sony & BMG)

A volta da formação mais clássica da Cor do Som foi uma das coisas mais bem-vindas dos últimos tempos. O grupo já havia voltado anteriormente, nos anos 90, para um disco que chegou a ganhar um prêmio Sharp (Ao vivo no Circo, gravado no Circo Voador) mas que passou longe do grande público. Animada com a possibilidade de lançá-lo pela Sony, a banda trabalhou bem, gravou o disco, deu shows - mas a onda do pagode atropelou tudo, ocasionando o lançamento do CD pela nanica Movieplay, com divulgação próxima de zero.

Agora, A Cor do Som (Armandinho, vocais e guitarras; Mu, vocais e teclados; Dadi, vocais e baixo; Ary, percussão e vocais; Gustavo Schroeter, bateria e percussão) volta em outro clima. A Cor do Som Acústico foi lançado em CD e DVD, trazendo o primeiro registro de imagens do grupo, o que por si só já dá um frescor diferente ao antigo repertório d’A Cor. Como aconteceu na volta dos Novos Baianos, em 1997 (com o duplo Infinito circular), o disco traz algumas inéditas, fruto tanto de um prosseguimento do trabalho anterior da banda (o quase axé "Amor inteiro", de Armandinho e Fausto Nilo, que já haviam composto "Zanzibar" em 1980), quanto de novos rumos - caso da tribalista "O dia de amanhã", parceria de Dadi e Arnaldo Antunes, e do reggae-pop "Pela beira do mar", de Mu e Cássio Tucunduva.

Em uma audição distraída do disco, já se percebe que a volta do grupo não aconteceu à toa - A Cor do Som claramente quer ser vista e curtida como um movimento musical saudável e vigoroso que, de verdade, nunca acabou. Mais que uma banda, foi, e é, uma atitude, um vigor rock-samba-chorinho-frevo-folk que existe até hoje. A Cor do Som começou nos Novos Baianos, passou carreira solo de Moraes Moreira, pela sua própria existência de 1977 a 1986, pelo surgimento de Marisa Monte e, por fim, pelo sucesso dos Tribalistas - grupo do qual Dadi é um "quarto integrante", no papel de sessionman e compositor. O rock dos anos 80 não ficou imune. Há ecos de A Cor do Som em trabalhos conhecidos de Paralamas, Barão Vermelho (banda na qual Dadi tocou, no disco Na calada da noite, de 1989), Titâs (da qual veio o tribalista Arnaldo) e, como se não bastasse, Mu chegou a tocar com... a Legião Urbana! Sim, na turnê de As quatro estações, entre 1989 e 1990.

Em Acústico, gravado no Canecão em 24 de agosto de 2005, o quinteto larga os instrumentos eletrificados e cria uma atmosfera intimista e espontânea - talvez fruto do pouco tempo entre o reencontro dos músicos, os ensaios e o show (pouco mais de um mês). O grupo conta com amigos que o ajudaram na fase anterior - caso de Nivaldo Ornellas, arranjador de quase todos os seus discos, ou de Moraes Moreira, que aparece para cantar uma parceria que fez com Armandinho e que saiu em seu disco de 1977, Cara e coração, "Davilicença". Sim, a música foi feita para Davi Moraes, seu filho - que, pequenininho, entrava de sopetão na sala em que Moraes e Armandinho ensaiavam e sempre escutava as broncas do pai: "Davi, peça licença!", "Davi, licença!". Davi, por sinal, participa do DVD, no tema instrumental "Taiane", de Osmar Macedo, pai de Armandinho - e mais instrumentais podem ser encontrados na bela versão de "Noites cariocas" e em outras recordações, "Saudação a paz", "Frutificar", "Pororocas" e "Arpador" (essas duas, também só no DVD).

Faltou falar dos outros convidados. Daniela Mercury e Caetano Veloso, sem ensaio e sem nem saber direito o tom, fazem as coisas cada um a seu modo - Dani divide vocais com Armandinho, sem acertar o tom, em "Beleza pura" e Caetano manda bem em "Menino Deus" (não, a parte em que ele reclama das reclamações do público - que estava enfurecido com o baixo volume do show - não aparece no DVD). "Tocar", bela parceria de Carlinhos Brown e Ary, consegue ficar linda até com a participação bom-mocinho dos Canarinhos de Petrópolis*. E os Novos Baianos são lembrados com a boa versão de "Os 'pingo' da chuva", na voz de Dadi. No fim das contas, isso é que foi revival!

* comentário de um amigo que viu o DVD e estava lá no show: "porra, ninguém da banda deu um baseado pra esses moleques, não?"

Segunda-feira, Maio 15, 2006

Desencavando textos: International Magazine

"SELEÇÃO 1997-2004" - PEDRO LUÍS E A PAREDE (MP,B/Universal)

Hoje é difícil imaginar, mas Pedro Luís, líder d'A Parede - grupo com o qual faz uma MPB pop e percussiva, já associada a movimentos díspares como a MPC (Música Popular Carioca) e a chamada "retropicália" - já tocou adiante um grupo de ascendência punk. Era o Urge, autor do não-clássico "Idiotas" e de uma versão para "I shot the sheriff", "Matei o chefe". Essa parte da história de Pedro permanece oculta, porque dificilmente alguém vai relançar o LP único do Urge, lançado por volta de 1992 - mas a carreira discográfica de seu carro-chefe, A Parede, está resumida na coletânea Seleção 1997/2004. São 14 músicas trafegando entre o tropicalismo, o samba, o pop, o choro e o maracatu - e, por conseqüência, o mangue-beat, já que A Parede, assim como a Nação Zumbi, também toca com bateria desmembrada, numa paridade conceitual que rendeu montes de comparações durante os anos 90.

A "bateria" na Parede é formada pelo próprio Pedro (voz e violão) e por Mário Moura (baixo e voz), C.A Ferrari, Sidon Silva e Celso Alvim (batucada e voz). Pedro, vindo de outros movimentos pop dos anos 80/90 - chegou a tocar com o Asdrúbal Trouxe o Trombone no disco-espetáculo A Farra da Terra e também integrou o grupo Boato, da mesma turma da Parede - começou a ficar mais conhecido do grande público lá por 1995/1996, graças a músicas suas que foram parar nas vozes de O Rappa ("Miséria S/A") e Fernanda Abreu ("Tudo vale a pena"). Logo, Pedro e a recém-formada Parede estariam gravando seu primeiro disco pelo selo Dubas, com distribuição da WEA. Astronauta Tupy (1997) chamou a atenção primeiramente pela música "Pena de vida", puxada por um clipe com várias participações especiais. O ritmo lembrava uma mini-escola de samba, mas com os pés no universo pop-rock - herança de artistas como Jorge Ben e Bebeto. Além de "Pena de vida", aparecem em Seleção clássicos desse disco, como "Tudo vale a pena" (na versão de Pedro, mas com participação de Fernanda Abreu), a nordestina "Fazê o quê?" e o sambão reggae "Caio no suingue" (com Aricia Mess).

Ao lado de Pedro, começava a pontificar um movimento chamado Música Popular Carioca, cujo leque abrigava artistas como Rodrigo Maranhão, Marcelo Yuka, o próprio Boato e novos sambistas como o grupo Arranco de Varsóvia. O movimento foi tão incensado quanto criticado na mídia, que, se por um lado era a própria criadora da denominação, por outro usava rótulos como "badalação" para definir os trabalhos dos artistas. Em seguida, Pedro e a Parede lançavam seu segundo disco, já totalmente publicado pela WEA, É tudo 1 real (1999 ). Era um prosseguimento bem mais elaborado do álbum anterior, que, de modo geral, arrancou elogios da crítica. Sons pesados e brasileiros como "Quebra-quilos" (com Lenine) e "Rap do real", além da delicadeza da balada-rap "Menina bonita" e da meditativa "Imantra", todos incluídos na coletânea, faziam parte do álbum, produzido por Liminha.

Como a WEA estava interessada em que Pedro largasse a Parede e tentasse carreira solo, o cantor e seu grupo se mandaram para o selo MP,B e editaram o capichado Zona e progresso. Este, se não alcançou o mesmo sucesso dos anteriores, evoluiu bastante em composições e experimentações rítmicas - e ainda ousou na regravação de "Nega de Obaluaê", balanço da lavra de ninguém menos que Wando! O próprio Pedro Luís, mesmo lembrando da música, nem sabia que se tratava de uma composição do autor de "Fogo e paixão" – que, nos anos 70. andava numa fase sambista, compondo músicas até para Os Originais do Samba e Jair Rodrigues. Além de "Nega...", aparecem o reggae pesado de "Zona e progresso", o samba-choro "Parte coração" (com Rodrigo Maranhão) e a toada-samba-rap de "Batalha naval", um retrato cru do dia-a-dia dos morros - e um tapa na cara de qualquer pessoa que pudesse enxergar modismos idiotas na obra de Pedro e seus colegas.

Hoje, Pedro Luís e a Parede já estão, de certa forma, mais do lado da MPB do que da MPC - ou, provavelmente, a MPB está se tornando mais alto-astral e pé-no-chão, graças a trabalhos como Vagabundo, gravado por Ney Matogrosso ao lado de Pedro e de seu grupo. Deste disco, foi escolhida uma das músicas que mais representa a união MPB-MPC, a indianista "Seres Tupy". Agora, aguarda-se para breve o DVD com o show de Ney, Pedro, Ferrari, Sidon, Mauro e Celso - e para quem não conhecia a história passada do grupo, Seleção dá uma boa peneirada (trazendo até um bônus ao vivo, "Vida de cão"), embora não escape do fantasma das 14 faixas. Conheça Pedro Luis e A Parede no site www.plap.com.br.

Sexta-feira, Maio 12, 2006

Por sua conta e risco

Conheça a nova febre da internet! Novo clipe trash do LATINO!

Você já conhece a nova febre da Internet? Não? Então clique no link abaixo e veja o novíssimo videoclipe trash que homenageia o
Latino.

Depois do já "clássico" clipe de "Festa no apê" agora chega "Meu gol de placa", a nova música do cantor, no clima de Copa do Mundo!

Confira!

"Meu gol de placa" é parte do álbum Latino Apresenta As Novas Aventuras do DJ L, já nas lojas.

Fonte: EMI.

Midsummer Madness blogando

O endereço é http://midsummer-madness.blogspot.com. Diz lá que o endereço é provisório. Como o site da gravadora está para sofrer modificações há alguns meses, creio que depois façam um mmrecords.com.br/blog ou algo assim.

Ah, sim: segue abaixo uma entrevista que fiz com o chefe do selo, Rodrigo Laríú, há alguns meses pro site Nitideal. Para quem não sabe, o Rodrigo é de Niterói e começou com o fanzine midsummer madness (que recentemente voltou para uma edição especial no Ruído Festival deste ano) quando estudava numa escola daqui no Ensino Médio. Vejamos:

midsummer madness

O selo midsummer madness (assim mesmo, com minúsculas) é velho conhecido de todo mundo que acompanha a cena underground nacional. Com um catálogo que já soma cerca de 15 CDs e 30 CD-Rs e inclui discos nacionais licenciados fora do Brasil (além de alguns lançamentos estrangeiros), o midsummer, desde seu começo, desponta como um selo com personalidade própria, lançando algumas das mais interessantes bandas do meio independente nacional.

São bandas que ainda não chegaram às grandes gravadoras, mas que mantém um público fiel, como os cariocas do Luisa Mandou Um Beijo e do Pelv`s, os brasilienses do Low Dream, os mineiros do Valv etc. Recentemente, um dos melhores nomes do selo, o cantor e compositor carioca Nervoso, chegou a abrir um show do Barão Vermelho. Seu disco Saudade das minhas lembranças, que exibe uma MPB com influência de rock, samba e até jazz, vem sendo bastante elogiado.

A história do midsummer se iniciou aqui mesmo, em Niterói, no ano de 1989. O criador do selo, o jornalista e produtor Rodrigo Lariú, estava ainda no Ensino Médio e, por intermédio de uma amiga de escola, tomou contato com alguns fanzines - revistas pequenas, feitas por jornalistas iniciantes, divulgadas de mão em mão. Naquele mesmo ano ele estaria fazendo, junto com a irmã Alessandra e alguns amigos da cidade, o fanzine midsummer madness, cujo objetivo era mostrar as bandas alternativas daqui.

- Naquela época, o rock brasileiro famoso andava meio decadente. E haviam muitas bandas alternativas que estavam ativas mesmo na época que o rock brasileiro estava em alta, no Rio e em SP. Com essas caídas, as bandas independentes tiveram mais espaço - rememora Rodrigo - Em Niterói tinha o Saara Saara, que existe até hoje e na época era considerada a maior banda da cidade, e estava começando a aparecer o Second Come. Também tinha o Squonks, da Simone do Vale, que depois viraria baixista dos Autoramas, além de várias outras que passei a conhecer graças ao fanzine. Eu não queria só copiar matérias de semanários ingleses, como vários fanzineiros faziam. Queria ir para a rua, ver os shows, os ensaios, entrevistar as bandas que estavam dando sopa na cidade.

Rodrigo desejava que os leitores tivessem acesso fácil à música das bandas que apareciam nas edições. Em 1992, o quarto número do midsummer vinha acompanhado de uma fita cassete, com faixas de grupos como Pin-Ups, Killing Chainsaw e Second Come. Em 1994 o midsummer virou uma gravadora especializada em lançamentos em fita - além de coletâneas, saíram cassetes de bandas como os cariocas do Cigarretes e os baianos do Brincando De Deus.

- A idéia da fita cassete era de ter um suporte que não sacrificasse o fanzine ou a gravadora. Naquela época já existia o CD, mas uma banda independente jamais sonharia em fazer um, poderia no máximo sonhar em ter um vinil. E tanto o LP quanto o CD eram muito caros para se fabricar. - explica Lariú, exemplificando: - A idéia da fita era simples. Você me mandava uma carta dizendo que queria a fita dos Cigarretes e escondia no envelope quatro reais, que era o preço, somado, da fita, mais a xerox para a capinha e o correio. Eu ia na esquina, comprava a fita, fazia e mandava. Era atendimento por demanda, a gente nem fazia estoque, só no caso de bandas muito pedidas.

Pouco depois, o CD surgia na vida do selo:

- Lá por 1997, a gente percebeu que algumas bandas, como o Cigarretes e o Pelv`s, vendiam tanta demo que já poderíamos arriscar um CD. Se elas vendiam 300 fitas, porque não venderiam 500 ou mil CDs? Lançamos de uma vez só o primeiro do Cigarretes e o segundo da Pelv`s - conta.

Fora do selo, Rodrigo chegou a trabalhar um bom tempo na MTV carioca, como produtor de jornalismo - apresentou também programas em rádios como Transamérica e Fluminense FM, sempre voltado para o rock alternativo. O midsummer, de fanzine pequeno, foi crescendo. Atualmente recebe várias demos, faz lançamentos em CD de fábrica (distribuídos pela empresa paulista Tratore e também vendidos no próprio site) e também apresenta boa parte do seu elenco no festival anual Algumas Pessoas Tentam Te F... A edição deste ano acontecerá em dezembro, no Teatro Odisséia, e promete uma novidade curiosa: as bandas que tocarem - entre contratados e convidados - deverão tocar uma cover de algum artista de heavy metal (isso foi ano passado e, que eu lembre, aconteceu, não foi?).

- Na época em que lançávamos fitas e CD-Rs, era regime de cooperativa. Eu falava para as bandas: `olha, eu posso distribuir e divulgar a sua demo. Não quero exclusividade nenhuma, mas posso fazer isso para vocês. Também não vou poder pagar nada a vocês a não ser que a fita comece a dar lucro`. Primeiro era isso, eu colocava disponível no site, depois fazia uns catálogos, não tinha contrato nenhum para essas bandas. Com o catálogo de CDs, nós temos contrato com algumas bandas, a não ser as mais próximas, como o Pelv`s, com as quais temos um trato diferente de grana a cada disco.

A “cara” do selo é explicada com sinceridade por Rodrigo, especialmente no que diz respeito à pecha de que o MM só lança bandas que cantem em inglês.

- Eu tenho sócios no selo, mas é basicamente o meu gosto musical. A gente não lança banda que a gente não acha boa, mesmo que possa vender. É um selo `indie`, no sentido de `independente`, mas não no sentido que as pessoas geralmente usam (mais caricatural, de bandas totalmente desassociadas do mercado). É uma gravadora de rock alternativo, mas nunca teve essa história de que as bandas têm que cantar em inglês. Dos últimos discos que lançamos, três são cantados em português e dois em inglês - conta. - Também já lançamos coisas de MPB, como Casino e The Gilbertos. Não é MPB do Caetano Veloso nem do Jorge Vercilo, mas é MPB.

Para breve, Rodrigo planeja inovações no site do selo - que está no ar desde 1997.

- Nosso catálogo de demos vai virar um catálogo de mp3 gratuito, com mais de 300 músicas. E vamos continuar vendendo CDs. O de mp3 vai virar o que seria, se a gente fosse uma gravadora do mercado europeu, a nossa relação de singles, que é aonde a gente testa bandas novas - adianta.

Quinta-feira, Maio 11, 2006

Suecos fazem MPB em português com letras de exilado da Marinha


Interessante essa notícia - que por sinal tem mais de um ano, mas só achei agora:

"O grupo A Bossa Elétrica, tido como uma das novas sensações do circuito internacional do dancefloor jazz, se apresenta neste sábado no Jazz Cafe em Londres (desconsidere essa parte, claro).

O álbum de estréia do grupo, lançado no final do ano passado pela gravadora Raw Fusion, tem o título Eletrificação, e as faixas, cantadas em português, têm nomes como Brazuca, Tudo Está Previsto, Veja o Sol e Maculelê.

Essa "brasilidade" toda vem da paixão dos integrantes pela música brasileira.

Mas nenhum deles é brasileiro. Todos são suecos e não falam português. As letras foram feitas por um poeta e ex-oficial da Marinha que teve que fugir do Brasil após o golpe militar de 64."

Fonte: BBC

Quarta-feira, Maio 10, 2006

Azymuth/Sabrina Malheiros*

"BRAZILIAN SOUL" - AZYMUTH (FarOut)
"EQUILIBRIA" - SABRINA MALHEIROS (FarOut)

Pensar na MPB dos anos 70 (e começo dos 80) sem lembrar do grupo niteroiense Azymuth é um erro histórico. O trio formado por José Roberto Bertrami (teclados), Alex Malheiros (baixo) e Ivan Conti, o Mamão (bateria) participou de quase tudo o que vale a pena ser citado daquela época - quase todos os álbuns da Philips (hoje Universal) dos anos 70 os tinham como músicos de estúdio. Eles estiveram em movimentos como a jovem guarda, a bossa-nova, o soul nacional (figuraram em álbuns de Trio Ternura, Tony Tornado, Tim Maia, Hyldon), o rock brasileiro dos anos anos 70 (idem com discos de Raul Seixas, Rita Lee e Erasmo Carlos), além de deixar sua marca em trilhas de novelas. Sua sonoridade - calcada em teclados antigos e batidas que unem soul, jazz, samba e rock - acabou sendo largamente usada em trilhas sonoras, novelas, filmes, etc. Mas ainda hoje, o Azymuth é mais reconhecido lá fora do que aqui no Brasil, com direito a edições especiais por selos gringos, que não saem nunca por aqui.

Agora dois lançamentos recolocam o nome do Azymuth na mídia - fora do Brasil, logicamente, já que são dois discos lançados pelo selo inglês Far Out recordings, que vem lançando CDs e vinis de música brasileira lá fora desde os anos 90. O selo tem em seu catálogo álbuns de Marcos Valle, Joyce, Milton Nascimento e outros que vêm daqui, mas alcançam maior reconhecimento fora daqui. Do Azymuth, sai o álbum Brazilian Soul - e Alex Malheiros também comparece no CD da filha Sabrina Malheiros, Equilibria, lançado também pela Far Out.

Brazilian Soul, em 14 faixas, mostra o que o nome já diz: música negra com alma brasileira. O disco tem certo caráter comemorativo - no encarte, estão espalhadas várias fotos antigas da banda, durante suas sessões dos anos 70, e nas faixas, há participações de pessoas importantes na história do Azymuth, como Marcio Lott (cantor "dos bastidores", fez coral em vários discos de MPB e gravou alguns singles pela Som Livre nos anos 70), Roberto Menescal e até Emílio Santiago, que antes das Aquarelas brasileiras, fazia shows em casas noturnas cariocas com Bertrami, Alex e Mamão.

A sonoridade do grupo não mudou muito - apesar de incluírem algumas batidas eletrônicas e algus ritmos mais modernos, músicas como o baião-soul "Biãozinho carioca", a instrumental "Retrovisor", a black "Estático" e o soul romântico (na linha do pessoal da gravadora Trama) "Demais" poderiam estar em discos dos anos 70. A bossa-nova, que marcou o começo da banda, quando tocavam em boates, surge em faixas como 'Sambafrica" e "Pra Zé". Ed Lincoln, ícone da música para bailes (é tido como um dos pais do samba-rock), é homenageado numa música que leva seu nome. Um disco perfeito - cujo único pecado é a falta de revisão no encarte (o pessoal da Far Out não treinou o português e cortou os acentos de quase todos os títulos, além de rebatizar o saxofonista Leo Gandelman de Leo "Gandleman").

Equilibria, de Sabrina Malheiros, tem uma sonoridade bem mais "moderna" - unindo batidões modernos, bossa-nova e samba, com programações eletrônicas pilotadas pelo produtor Daniel Maunick. Alex Malheiros, pai de Sabrina, colabora compondo algumas faixas, tocando baixo e fazendo vocais. O disco tem aquela mesma onda de brasilidade internacional que passa por trabalhos de Marcos Valle e Joyce - aliás, Marcos é autor da primeira faixa, "Terra de ninguém", uma de suas composições mais populares dos anos 60, resgatada por Sabrina. E a mistura de Brasil, jazz e soul aparece em músicas como "Love sorte", "Saudade Rio", 'Maracatueira" e "Vibrasom" - além de "Estrada de chão", com tons nordestinos e mineiros, e da bossinha ensolarada "Estação verão". Curiosidade: o encarte mais uma vez apresenta errinhos - deve ser especialidade da Far Out, que dessa vez rebatizou o saxofonista de Leo "Galdeman" e grafou uma música como "Eu sous mais eu" na contracapa (apesar do nome certo aparecer no encarte).

Bom, dito isto, só resta saber quando é que esses discos vão aparecer por aqui - provável que a Trama, que volta e meia lança algumas coisas da Far Out no Brasil, providencie um lançamento. Por enquanto, quem tiver bala na agulha, pode fuçar lojas virtuais ou o próprio site da gravadora, www.faroutrecordings.com.

* publicado no Nitideal.

Segunda-feira, Maio 08, 2006

Movimento pelo Fim do Jabá no Circo Voador

"Movimento pelo Fim do Jabá convoca reunião no Circo Voador
O JáBasta, Movimento pelo Fim do Jabá convoca os interessados para uma reunião no Circo Voador na próxima terça-feira, nove de maio, às 18 horas. O objetivo é organizar o recolhimento de assinaturas pela aprovação do projeto de lei 1048/03,do deputado Fernando Ferro (PT - PE) que torna crime a prática do jabá nas rádios e TVs, com pena de prisão e cassação da concessão. Para aderir ao abaixo assinado, mande mensagem para movimentopelofimdojaba@gmail.com nome completo, profissão e número de algum documento (grifo meu).

A veiculação de músicas em troca de remuneração lesa os direitos do ouvinte ou telespectador de ter livre acesso à produção musical para fazer suas próprias escolhas. Uma produção musical de qualidade deixa de chegar ao grande público porque seus autores não dispõem de dinheiro para pagar a veiculação. Mais informação em Movimento pelo Fim do Jabá (clique aqui) e no orkut (clique aqui).
Entre os signatários do abaixo assinado estão os artistas, jornalistas e formadores de opinião abaixo:

Beth Carvalho
Beto Feitosa
Carlos Malta
Célia Vaz
Claudia Telles
Claudio Zoli
Délcio Carvalho
Dilma Lóes
DJ Edinho
Jamari França
José Luiz Maziotti
Fernando Leporace
Lobão
Lucina
Marcelo D2
Osmar Milito
Pedro Luiz
Robertinho Silva
Roberto Frejat
Sandra de Sá
Silvio Essinger
Tony Garrido
Zélia Duncan"

Tirado do blog do Jamari, no Globo. E TODO MUNDO ASSINANDO ESSA PORRA!!!

Terça-feira, Maio 02, 2006

Pearl Jam novo


"PEARL JAM" - PEARL JAM (J Records/Sony & BMG)

O Pearl Jam está prestes a sair de seu processo de mumificação. Não que a banda tenha sido uma chatice nos últimos anos - mas esteve perto disso. O público fiel acompanhou tudo ao lado da banda: o Pearl Jam tomou atitudes inovadoras, como a de lançar vários discos ao vivo simultâneos de sua turnê de 2000 e bancar uma rede de "piratas oficiais", administrada pela rede de fâs Ten Club, além de deixar a grandalhona Epic (subsidiária da major Sony & BMG)* para ingressar na gravadora J Records, bem menor. Em termos de música, havia muita gente achando, após alguns discos inferiores ou malucos demais, que eles estavam devendo. A ponto do PJ, ancorado em sucessos antigos e numa postura "roquenrol!" - que une o mistério do Pink Floyd, o hippismo de Neil Young e a "consciência" do U2 em doses iguais - já estar virando o mais novo fóssil do rock. Ou o caçula dos classics, time encabeçado por Bob Dylan e pelos Rolling Stones.

Os fâs da banda, que viram o Pearl Jam brigar com grandes corporações (como o gigante dos ingressos, Ticketmaster), sumir da imprensa e mergulhar em disputas internas, sempre estiveram lá. Só faltava mesmo um álbum que pudesse voltar a convencer o público ocasional do grupo - aquele que adorou Ten, a estréia do Pearl Jam (1991), e voltou a dar atenção a Vedder & cia após singles como "Soldier of love" e "Last kiss", no fim dos anos 90. E o disco que pode levar o PJ a voltar a fazer cabeças está nas lojas hoje. Pearl Jam já começa impositivo em seu título, que leva apenas o nome da banda. Ouvindo-se o álbum, dá para imaginar que o Pearl Jam já sentia a ferrugem comendo seus calcanhares. O disco pode chamar de volta vários fâs antigos da banda, e pode dar uma renovada em seu público. No álbum, o quinteto ressurge com outra cara, fazendo um hard rock que não se prende a chavões nem requenta a fórmula hardfunkeada que marcou seu início.

Desancando a era Bush em letras enérgicas, Eddie Vedder (vocais), Mike McCready, Stone Gossard (guitarras), Jeff Ament (baixo) e Matt Cammeron (bateria) surpreendem pelo número de informações musicais que unem num só disco - bem mais que em momentos iluminados do passado, como o difícil Vitalogy, de 1995. O single "World wide suicide", complexo inventário do mundo pós-11 de setembro de 2001, soa ensolarado como o Pearl Jam nunca foi: exibe um insólito lado oitentista da banda, com batida dançante, uma melodia de teor 100% pop se comparada à história pregressa do quinteto e um tom mais para Husker Du (pais do punk melódico, influência cabal em grupos como Green Day) do que para Led Zeppelin. O mesmo pode ser dito de "Unemployable", capaz de espantar quem sequer imaginasse que o Pearl Jam pudesse ter um lado powerpop - a primeira comparação que vem à cabeça é com o Sugar, a reencarnação do já citado Husker Du. Bem, a faceta alegre resume-se à melodia. Na letra, Eddie Vedder continua olhando para o lado mais fraco da corda - desemprego, falta de grana, poucas chances de sobrevivência, numa acidez que lembra um Bruce Springsteen mais pessimista.

O peso que marcou discos anteriores não foi deixado de lado - seja num hard rock com cara de The Cult ("Life wasted", que abre o álbum), seja num punkão com letra visceral ("Comatose", lembrando "Spin the black circle", do Vitalogy), seja no folk rock de "Gone". Mais inovações surgem em "Parachutes", pérola pop que mostra o quanto a cover de "Last kiss" (sucesso sessentista regravado pela banda e hit total no Brasil entre 1998/1999) modificou o grupo. A ecológica "Big wave" tem um tom punk-new wave que lembra algumas doideiras do Nirvana. Já "Marker in the sand", rock´n roll de abertura tribal e refrão na cola de Bob Dylan e dos Stones, conquista pela beleza. A confiança do Pearl Jam no disco novo é tanta que o grupo se arriscou a tostar o saco do ouvinte, fazendo um blues ("Comeback") e uma canção sombria e arrastada ("Inside job") - que, no entanto, soam belas e bem colocadas.

Pearl Jam renova o som do quinteto bem na hora em que o rock volta a fazer sentido como música comercial. O cenário inclui roqueiros namorando modelos, festivais de grande porte bancados por empresas de telefonia, e o retorno do público jovem para um gênero que, de tempos em tempos, é dado como morto - mas que agora, adquire respeitabilidade de clássico. Na rara posição de banda sobrevivente da onda de Seatlle, não seriam eles que iriam brincar de dar murro em ponta de faca.

+ O Pearl Jam postou na internet seu novo álbum na íntegra. Para ouvir todas as músicas do CD, acesse: http://music.aol.com/artist/pearl-jam/5118/main?ncid=AOLMUS00050000000009 (fonte: Dynamite).

* Detalhe interessante é que a J é distribuída pela BMG, que se fundiu a Sony - e tudo voltou a ser como era antes para o PJ. Bem...