Mais música & futebol
"Aqui é o país do futebol" - Wilson Simonal. A música em questão foi composta por um ruim de bola, Milton Nascimento (a inabilidade do compositor mineiro com a bola foi revelada no livro Os sonhos não envelhecem, de seu parceiro Marcio Borges), ao lado de um de seus principais letristas, Fernando Brant. Na música, composta no começo dos anos 70, a dupla lembra que, durante as partidas de futebol, as tardes de domingo ficam vazias, e todos os problemas "ficam lá fora". Grande metáfora! (disco: Simonal, Odeon, 1970)
"Hino do Flamengo" - Banda Galera Campeã. Um dos mais belos hinos compostos por Lamartine Babo - que compôs os temas de todos os clubes cariocas, na base da pressão (o compositor enrolava tanto para entregar os hinos que os donos da gravadora a qual ele era ligado o prenderam num quarto e não o soltaram até que entregasse todos as músicas prontas). No caso do hino do Flamengo, se hino ganhasse jogo... (disco: Hinos dos campeões, CID).
"Hino do América" - Banda Galera Campeã. O América era o time do coração de Lamartine - talvez por isso muita gente diga que é o hino mais bonito. Detalhe: Lamartine chegou a ser acusado de plágio por causa deste hino - "inspirado" na Canção dos Remadores da cidade inglesa de Oxford. (disco: Hinos dos campeões, CID).
"Umbabarauma" - SoulFly. Composta por Jorge Ben e gravada em seu disco África Brasil (1976), a música homenageava um ponta-de-lança africano que jogou no Flamengo. Anos e anos depois, Max Cavalera, recém-saído do Sepultura, montou o SoulFly e quis dar um caráter mais... ahn... "brazuca" ao seu som, gravando o clássico de Jorge Ben numa versão pesada e berrada. Vale dar uma escutada - lembrando que tem gente que, quando escuta a versão do ex-Sepultura, esconde o rosto de vergonha. Por sua conta e risco. (disco: SoulFly, Sum, 1997).
"Romário" - Banda Bel. Samba-funk totalmente chupado de Jorge Ben, que fez relativo sucesso lá por 1994 (ano do Tetra) e mereceu até clipe na MTV, com participação do próprio Romário. Merece menção honrosa, por ser um raro momento da música pós-anos 80 em que se homenageou um craque - coisa que Jorge Ben fazia a todo momento na década de 70. A Banda Bel (batizada assim por ter vindo de... Belford Roxo, na Baixada Fluminense) teve como um de seus vocalistas ninguém menos que Toni Garrido. Na época de "Romário", quem segurava o microfone era Ronnie Marruda, que depois viraria ator - com passagens por novelas como Senhora do destino e Alma gêmea. (disco: não faço idéia).
"Ilmo sr. Ciro Monteiro ou Receita Para Virar Casaca de Neném" - Chico Buarque. Jogador amador - e dos bons, dizem - e fâ de futebol a ponto de ter criado um complicado jogo de tabuleiro nos anos 70 (o Ludopédio, reeditado pela Grow anos depois com o nome de Escrete), Chico dedicou várias músicas ao tema. "Receita..." é uma carta musicada para o amigo Ciro Monteiro, que mandou de presente para a filha de Chico (tricolor doente) uma camisa do Flamengo (disco: Nº4, Philips, 1970).
"O jogo é hoje" - Paulinho Nogueira. Mais conhecido como professor de violão - e autor de um método até hoje utilizado - o campineiro Paulinho teve aproximações com a música pop a partir de sambas e toadas como "Menina" (gravada até por Netinho - o do axé - nos anos 90) e de discos cultuados como Dez bilhões de neurônios (1972). "O jogo é hoje", uma de suas mais belas composições, coloca o futebol no rol de seus temas. (disco: Paulinho Nogueira canta suas composições, RGE, 1970).
"1x1" - Jackson do Pandeiro. O forrozeiro-sambista, tão respeitado quanto Luiz Gonzaga por quem entende do assunto - embora só tenha sido redescoberto por muita gente a partir dos anos 90 - tematizou a porradaria entre torcidas em um de seus principais sucessos. (disco: Sua majestade, o Rei do Ritmo, Copacabana, 1954).







