Quarta-feira, Junho 28, 2006

Mais música & futebol

"1x0" - Pixinguinha. Choro futebolístico e uma belíssima homenagem do compositor de "Carinhoso" a Arthur Friedenrich, espécie de Pelé dos anos 20, com passagens pelo São Paulo e pelo Flamengo (disco: Som Pixinguinha, Odeon, 1971).

"Aqui é o país do futebol" - Wilson Simonal. A música em questão foi composta por um ruim de bola, Milton Nascimento (a inabilidade do compositor mineiro com a bola foi revelada no livro Os sonhos não envelhecem, de seu parceiro Marcio Borges), ao lado de um de seus principais letristas, Fernando Brant. Na música, composta no começo dos anos 70, a dupla lembra que, durante as partidas de futebol, as tardes de domingo ficam vazias, e todos os problemas "ficam lá fora". Grande metáfora! (disco: Simonal, Odeon, 1970)

"Hino do Flamengo" - Banda Galera Campeã. Um dos mais belos hinos compostos por Lamartine Babo - que compôs os temas de todos os clubes cariocas, na base da pressão (o compositor enrolava tanto para entregar os hinos que os donos da gravadora a qual ele era ligado o prenderam num quarto e não o soltaram até que entregasse todos as músicas prontas). No caso do hino do Flamengo, se hino ganhasse jogo... (disco: Hinos dos campeões, CID).

"Hino do América" - Banda Galera Campeã. O América era o time do coração de Lamartine - talvez por isso muita gente diga que é o hino mais bonito. Detalhe: Lamartine chegou a ser acusado de plágio por causa deste hino - "inspirado" na Canção dos Remadores da cidade inglesa de Oxford. (disco: Hinos dos campeões, CID).

"Umbabarauma" - SoulFly. Composta por Jorge Ben e gravada em seu disco África Brasil (1976), a música homenageava um ponta-de-lança africano que jogou no Flamengo. Anos e anos depois, Max Cavalera, recém-saído do Sepultura, montou o SoulFly e quis dar um caráter mais... ahn... "brazuca" ao seu som, gravando o clássico de Jorge Ben numa versão pesada e berrada. Vale dar uma escutada - lembrando que tem gente que, quando escuta a versão do ex-Sepultura, esconde o rosto de vergonha. Por sua conta e risco. (disco: SoulFly, Sum, 1997).

"Romário" - Banda Bel. Samba-funk totalmente chupado de Jorge Ben, que fez relativo sucesso lá por 1994 (ano do Tetra) e mereceu até clipe na MTV, com participação do próprio Romário. Merece menção honrosa, por ser um raro momento da música pós-anos 80 em que se homenageou um craque - coisa que Jorge Ben fazia a todo momento na década de 70. A Banda Bel (batizada assim por ter vindo de... Belford Roxo, na Baixada Fluminense) teve como um de seus vocalistas ninguém menos que Toni Garrido. Na época de "Romário", quem segurava o microfone era Ronnie Marruda, que depois viraria ator - com passagens por novelas como Senhora do destino e Alma gêmea. (disco: não faço idéia).

"Ilmo sr. Ciro Monteiro ou Receita Para Virar Casaca de Neném" - Chico Buarque. Jogador amador - e dos bons, dizem - e fâ de futebol a ponto de ter criado um complicado jogo de tabuleiro nos anos 70 (o Ludopédio, reeditado pela Grow anos depois com o nome de Escrete), Chico dedicou várias músicas ao tema. "Receita..." é uma carta musicada para o amigo Ciro Monteiro, que mandou de presente para a filha de Chico (tricolor doente) uma camisa do Flamengo (disco: Nº4, Philips, 1970).

"O jogo é hoje" - Paulinho Nogueira. Mais conhecido como professor de violão - e autor de um método até hoje utilizado - o campineiro Paulinho teve aproximações com a música pop a partir de sambas e toadas como "Menina" (gravada até por Netinho - o do axé - nos anos 90) e de discos cultuados como Dez bilhões de neurônios (1972). "O jogo é hoje", uma de suas mais belas composições, coloca o futebol no rol de seus temas. (disco: Paulinho Nogueira canta suas composições, RGE, 1970).

"1x1" - Jackson do Pandeiro. O forrozeiro-sambista, tão respeitado quanto Luiz Gonzaga por quem entende do assunto - embora só tenha sido redescoberto por muita gente a partir dos anos 90 - tematizou a porradaria entre torcidas em um de seus principais sucessos. (disco: Sua majestade, o Rei do Ritmo, Copacabana, 1954).

Discoteca Básica Rarities: Casseta & Planeta

"PRETO COM UM BURACO NO MEIO" - CASSETA & PLANETA (WEA, 1989)+

Complicado dizer uma coisa dessas, mas agora que Bussunda morreu - e o Casseta & Planeta, que já gozava há tempos do posto de "instituição do humor", voltou a virar assunto de mídia - pode ser que vários produtos antigos do grupo voltem às lojas. Para quem cresceu acostumado com o Casseta aparecendo toda semana na TV - e já chegou à adolescência achando natural o "fala sério" de Bussunda, além das paródias nada comportadas do grupo - vale lembrar que ne sempre foi assim. Nos anos 80, a revista Casseta Popular e o tablóide O Planeta Diário eram o que havia de mais inovador em termos de humor brasileiro. A possibilidade dessa galera chegar à televisão e manter um programa próprio na faixa nobre parecia impossível - só que na década de 80, as pessoas eram um "pouquinho" mais inquietas que hoje em dia e desejavam realmente uma renovação, a ponto do TV Pirata, primeiro grande programa com a assinatura Casseta & Planeta a chegar ao ar, virar assunto até de debate em sala de aula (aconteceu na minha antiga turma de oitava série!).

Além dos vários números do Planeta e da Casseta, dos programas de TV da Globo e até de um obscuro programa da Bandeirantes, exibido no reveillón de 1987 (o Wandergleyson show, que contou com Hubert e Reinaldo como roteiristas e já trazia atores que participariam do TV Pirata, como Luiz Fernando Guimarães e Pedro Cardoso), sem falar nos vários livros, o Casseta & Planeta também deixou sua marca em show, em disco e até em vídeo. Em abril de 1988, os dois grupos se juntaram para fazer o show Eu vou tirar você deste lugar, que invadiu os palcos do Rio e virou mania - com direito até a famosos na platéia. Era hilário: além das composições próprias dos Cassetas (que eram oito - Mané Jacó, ou Emanuel Jacobina, hoje roteirista da Globo, completava o grupo), haviam outras invenções malucas. Bussunda imitava Tim Maia - com direito à roupa de lamê e mancha falsa na cara - ao cantar o funk "Mãe é mãe", Hubert imitava Paulo Francis cantando "Garota de Ipanema", o grupo fazia a politicamente incorretíssima "Piada em debate", todos sacaneavam pessoas da platéia...Quem viu, viu: até pelo caráter de inovação, foi um momento mágico na história do humor brasileiro (Eu vou tirar você deste lugar chegou a ficar em cartaz, no fim de 1988, aqui em Niterói no Teatro Gay-Lussac, por sinal).

A versão LP do show só viria em 1989, quando a multi WEA (!) lançaria Preto com um buraco no meio, vinil que - vergonha! - nunca foi resgatado em CD e virou raridade. Acompanhados de vários músicos de estúdio conhecidos - além do fiel escudeiro Mu Chebabi, até hoje co-autor das paródias do programa - o disco parecia uma paródia do esquema quase yuppie que dominava as gravações de MPB dos anos 80. Para quem não se lembra, era uma época em que qualquer gravação do Cazuza ou do Lobão tinha saxofonezinho, sintetizador, piano de churrascaria, violão ovation, etc. O disco era uma sacanagem só, do começo ao fim, abrindo com o hini "Mãe é mãe" (cuja introdução você escuta até hoje nas chamadas do Casseta & Planeta e cujo refrão é inesquecível: "mãe é mãe, paca é paca/mas mulher, mulher não/mulher é tudo vaca!!"). Bussunda mantinha sua paródia de Tim Maia, que deu chabu: o cantor odiou a piada, ameaçou processar a banda por racismo (por causa do "preto" do título) e disse que ia compor uma canção-resposta, intitulada "Branco com um buraco na testa".

Outras paródias vinham na seqüência: Djavan imitava a si próprio no reggae "Tributo a Bob Marley" (dos versos: "tentei ir pra Paris, Londres, Amsterdam/Ganhar grana imitando Djavan", cantados por ele mesmo). A música-brega-comprada-como-chique, que viraria moda nos anos 90/00, era lembrada na baladinha "Me diga". E um funkzinho chupado de Cazuza-Marina Lima aparecia na casca-grossíssima "Herança genética", que falava de um rapaz muito estranho: "Eu lambuzo meu cabelo com gumex/Tenho assinatura da anal sex/Você quer ir embora e não sabe como/Só porque eu tenho mais um cromossomo". Sinistro...

Preto..., como versão disco do show que já fazia sucesso, perdeu um pouco da espontaneidade. Ainda assim, valia a pena. "Tô tristão", sambão sacana cantado por Reinaldo - que provocava sustos com um hilário "p*** que o pariu!" berrado quase no fim da música - era o sucesso do disco, com seu refrão abusado: "eu tô tristão, tô sofrendo pra c******/eu me f***, sou carta fora do baralho". "Mama Áustria" ("samba do bloco Filhos de Gramsci", explicava o encarte) era cantado por ninguém menos que Hélio de La Peña e tinha versos como "eu não sou neguinha, eu não sou negão/sou branco azedo, africano não/(...) não suporto samba, nem aperto um fino/eu nunca li a lei Afonso Arinos". O punk paulista era zoado pelo próprio Bussunda na introdução da hilária "Adolescente" ("oi gente/nós somos um grupo novo, de São Paulo/é o Caganeira!/alguém conhece a gente???"). "Mobral" espalhava brasa para a MPB contemplativa, de Beto Guedes e Flávio Venturini, mas o tema era sacanagem. E a maior ironia: o disco "terminava" com uma música que não existia, por estar censurada, "Punheta" ("O Departamento de Censura da Polícia Federal proibiu tocar PUNHETA em todo o território nacional", dizia o encarte). O Casseta conseguiu condensar em disco todas as modinhas musicais da época - até mesmo a das canções que a censura, moribunda, fingia que censurava só para fingir que estava fazendo algo de útil. Uma sátira e tanto.

Além do primeiro disco, o C&P lançou o show Eu vou tirar você deste lugar em um tosco e hoje raro vídeo, lançado pela Globo em VHS - e filmado pelos rapazes com câmeras caseiras, uma zoeira só. Rolavam todas as músicas do show, além de várias que não pintaram em disco, como o sambão-bossa "Os livros que eu não li" (dos versos: "você só quer saber dos livros que eu não li/Tu amas Debussy/que coisa mais careta/tu amas Debussy/e eu gosto é de b*****"). E o grupo voltaria ao disco outras vezes. Para comer alguém, de 1993, saiu pela independente Velas e foi recusado pela global Som Livre, por causa do conteúdo, mais podre ainda que o do primeiro LP - é só verificar a toada sertaneja gay "Dois c*s" e a anti-ecológica "Caldo verde", dos versos "Brigitte Bardot adota um bebê-foca/deve ser por falta de p*****". A coletânea The bost of Casseta & Planeta (1999, Som Livre) dava uma rebobinada na fita e recolocava algumas músicas em catálogo. Agora é torcer para tais discos e vídeos voltarem às lojas e para que o Casseta & Planeta volte a investir em sua face multimídia.

+ Publicado originalmente em Nitideal.

+ UPDATE: Um sujeito colocou esse disco em mp3 para a galera baixar na net. Cliquem aqui e peguem. Não baixei e nem sei como está esse link, portanto nem venham reclamar comigo se houver algum problema.

Segunda-feira, Junho 26, 2006

Música & Política

Para quem se interessa por música e políticas musicais, o site da AMAR (Associação de Músicos, Arranjadores e Regentes) traz entrevistas com alguns compositores e produtores conhecidos, falando de assuntos como direito autoral, arrecadação de direitos para músicos, etc. Leia papos com Paulo Cesar Pinheiro, Paulinho Albuquerque (recém-falecido, pelo que andei lendo) e Marcus Vinicius aqui.

Tem que rir!

Um maluco chamado Matthew fez versões-paródia dos Bee Gees, de Tina Turner, de Prince, dos Beach Boys, etc, cantando músicas dos PIXIES!

Pelo que dá pra entender, cada versão é meio que uma zoação com uma determinada música e/ou fase do artista em questão. A do Prince lembra muita coisa que ele fazia nos anos 80. A dos Beach Boys é a cara da fase psicodélica do grupo. As melhores - tendo como padrão a doideira absoluta - são a dos Bee Gees ("Wave of mutilation") e a de Jimi Hendrix ("Vamos", com vocais idênticos aos do negão, e com trechos do Hino Norte-Americano enxertados). A pior, sob qualquer padrão de semnoçãozisse, é a do Frank Sinatra (uma "Monkey gone to heaven" despropositada). Para tirar suas próprias conclusões, o site do doido tá aqui e a página dele no My Space (aonde se lê a inscrição "The stars salute the Pixies") tá aqui.

Música & futebol 1 (tava faltando falar disso...)

O Brasil jogou mal? Jogou bem? Tudo bem, mas você quer mesmo é uma trilha sonora para curtir depois do jogo, certo? Então vou dar algumas sugestões em alguns dos próximos posts.

"Fio Maravilha" - Jorge Ben. E não "Jorge Benjor". Quando fez a homenagem a Fio, jogador que despontou como atacante do Flamengo no começo dos anos 70, o cantor de "Mas que nada" ainda usava o nome antigo. A homenagem fez sucesso, acoplou o "Maravilha" em definitivo ao nome do craque mas... Fio se fez de pato a ganso e resolveu ir fazer carreira lá fora - decisão da qual se arrepende até hoje. Para piorar, um advogado inteligente convenceu o craque a processar Ben, alegando que o cantor não havia lhe pedido autorização para a homenagem (!). O destino de Fio, você vê aqui - já Jorge, hoje Benjor, canta a música atualmente com o nome de "Filho Maravilha" (disco: Ben, Philips, 1972).

"Geraldinos e arquibaldos" - Gonzaguinha. A divisão entre quem assistia aos jogos nas arquibancadas e na folclórica geral do Maracanâ (extinta em 2005 por decisão do Governo do Estado) foi tematizada por Gonzaguinha num curioso sambinha, tocado apenas com percussão de boca. Na real, o futebol era apenas uma metáfora para se falar do temporal grosso da ditadura militar - mas valeu a menção (disco: Plano de vôo, EMI, 1975).

"É uma partida de futebol" - Skank. Composta por Samuel Rosa e Nando Reis, a música veio numa época complicada para o futebol brasileiro - os resultados alcançados eram tão pequenos que o país quase correu o risco de não ir para a Copa de 2002. Mas virou hino. Tanto o Skank, que subia ao palco, nos anos 90, apenas com camisas de Clubes de futebol (hábito deixado de lado para não provocar ciúmes em torcedores), quanto Nando, que já até assinou colunas de esportes em jornais paulistas, têm verdadeira paixão pela bola. (disco: O samba Poconé, Sony & BMG, 1996).

"Meio de campo" - Gilberto Gil. Todo jogador de futebol dá sempre as mesmas declarações, certo? Não no caso de Afonsinho, que fez sucesso no Botafogo, nos anos 70. O jogador brigava com clubes, brigava com cartolas, demonstrava conhecimento de seus direitos e, como se não bastasse, jogava muito bem. Depois largou o futebol para ser médico. Esse comportamento rebelde inspirou Gil a compor uma música que ficaria mais conhecida na voz de Elis Regina, "Meio de campo". A versão do cantor você acha no CD duplo Cidade do Salvador, com sobras dos anos 70, editado na caixa Ensaio Geral (Universal, 1999).

"O que é, o que é" - Moraes Moreira. Unindo futebol e música, Moraes tabelou no belo sambinha que prestava homenagem a Elza Soares e Mané Garrincha - além de trazer para a música um pouco de suas reminiscências de infância (disco: Cara e coração, Som Livre, 1977)

"Camisa 10" - Luiz Américo. O descontentamento com a seleção brasileira da Copa de 1974 gerou um dos maiores clássicos do samba-rock setentista - gravado pelo sumidaço Luiz Américo, hoje dono de casa noturna no Guarujá (litoral paulista). A letra era gozação pura, sacaneando com os nomes dos controvertidos jogadores escolhidos por Zagallo, técnico da seleção - citado nominalmente na música. Os compositores de "Camisa 10" eram o ex-jovem guardista Luis Vagner e o samba-soulzeiro Hélio Matheus (disco: Camisa 10, Continental, 1973).

"Sou tri-campeão" - Golden Boys. Lançada só em compacto - e esquecida até em coletâneas do grupo - a homenagem à Copa de 70, realizada no México, foi uma das mais belas gravações dos Golden Boys. A música foi composta por Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle (está num disco lançado em 1978 pela Som Livre chamado Corrente 78).

"Flamengo até morrer" - Marcos Valle. Homenageando o controverso jogador Doval (argentino que fez carreira no Flamengo nos anos 70) e espalhando brasa para o presidente "flamenguista" Médici, o samba-rock de Marcos falava de futebol como quem fala de exército e ditadura, recorrendo à ironia em versos como "eu como um prato a menos/trabalho um dia a mais/e junto um trocadinho/pra ver o meu Flamengo/que sorte eu ter nascido no Brasil!" (disco Previsão do tempo, Odeon, 1973).

"Um bilhete pra Didi" - Novos Baianos. O grupo gravou em 1973 um LP chamado Novos Baianos FC e vivia jogando bola num sítio em Jacarepaguá (Rio), onde todos moravam em comunidade. A instrumental "Um bilhete..." era ágil como o futebol bem jogado, e serviu até de música-tema para o documentário Isto é Pelé, sobre a carreira do craque (disco: Acabou Chorare, Som Livre, 1972).

Depois tem mais! Mas pra se aprofundar em futebol & música, vale baixar o podcast da revista Bizz que fala sobre o assunto. Entenda o que é um podcast aqui e baixe a bagaça aqui.

+ O post acima foi publicado originalmente no blog da Copa do Nitideal.

Sábado, Junho 24, 2006

Desencavando textos: International Magazine


"LIVE IN SÃO PAULO" - SEPULTURA (DVD) (FNM/Universal)

Logo que saiu Nation, penúltimo disco de inéditas do Sepulura, uma resenha publicada em uma revista de música questionava: "Max de quê, mesmo?", dando a entender que o Sepultura estaria realizadíssimo musicalmente com o novo vocalista, Derrick Green. Pois é, entra ano, sai ano, e Derrick ainda permanece como o "novo" vocalista do Sepultura. Ao contrário do que muitos fâs e jornalistas previam, a banda ainda não se acertou tão bem no mercado lá fora - tanto que sofreu trocas de gravadora e, até no Brasil, se prepara para editar seu próximo disco, Dante XXI, pela Trama. Vale lembrar que, com o passar do tempo, o heavy metal, no mundo todo, virou um mercado para poucas pessoas - algo bem diferente dos anos 90, quando o gênero proporcionava vendagens gigantescas e boas oportunidades para os músicos que se dedicavam a ele. Mas, ao perder seu vocalista, o Sepultura se arriscava mais ainda.

Em Live in São Paulo, DVD novo da banda - duplo, repleto de extras, clipes e até um documentário feito por Derrick sobre seus anos no Sepultura - fica claro que a mudança teve dois lados diferentes. Derrick é um cara legal, berra bem e tem carisma. Mas não tanto quanto Max, dono de uma presença de palco bem mais pesada - em todos os sentidos - que a do norte-americano. Algo se perdeu de qualquer jeito: o Sepultura continua um grupo legal, faz discos bacanas (Roorback é um CD pesado, bem elegante e moderno, de orgulhar os fâs do grupo - embora esse tal "disco conceitual" que vem por aí já provoque medo). Mas o que antes assustava, hoje se torno um tanto sossegado - normal em se tratando de uma ex-banda de adolescentes metaleiros que viraram pais de família, mas curioso quando se lembra que, há quinze anos, o Sepultura dava a sensação de que tudo poderia acontecer num palco ou em disco. Iggy Pop, que não é pai de família mas tem o dobro da idade dos rapazes, ainda consegue causar quase o mesmo escândalo de trinta anos atrás.

Bom, o que consola é que, se Max voltasse ao Sepultura - e, na boa, depois do tempo estabelecido com Derrick e do esforço do americano em se adaptar ao grupo, nem seria legal que essa volta acontecesse - ele própio já estaria mais perdido que cego em tiroteio. O homem-Soulfly parece ter se enamorado demais da idéia de virar o Bob Marley do metal. E, por outro lado, com o passar do tempo, o Sepultura foi se unindo cada vez mais ao seu numeroso fâ-clube - o que já garante momentos de agito (no sentido metálico da coisa) ao tal Live in São Paulo.

Trazendo todos os grandes sucessos do grupo e mais algumas raridades, o DVD é um pancada só, com mais gente participando da festa. Entre eles, Jairo Tormentor, que foi guitarrista da banda antes de Andreas Kisser chegar - época em que o Sepultura posava para fotos com cabelos crespinhos e cruzes viradas, numa mistura de death metal e molecagem adolescente - e dá uma canja na velhusca "Necromancer". Outro convidado: João Gordo manda vocais indecifráveis em "Reza" e "Biotech is godzilla" - por incrível que pareça, dá para entender mais nitidamente a letra da segunda do que da primeira música. Já o rapper B.Negão poderia render mais na cover de "Black steel in the hour of chaos", do Public Enemy (uma das melhores do EP Revolusongs): sua participação soa meio apagada e ele sequer é apresentado ao público.

O repertório, todo fâ já conhece - tem "Troops of doom", "Desperate cry", "Choke", numa seleção pesada, saudável e bem feita. Única bola fora brabíssima: Derrick, cujo sonho é dirigir um filme, não mandou muito bem como documentarista. De resto, é esperar e torcer para que o "novo" Sepultura - que ainda parece novo, mas já tem quase 10 anos (Max deixou o grupo em 1997!) - bata de vez e se firme. Andreas, Paulo, Igor e Derrick merecem.

+ Evidentemente o texto acima já é meio antigo - tem alguns meses. De lá para cá, para entender o que tá rolando com o Sepultura, leia aqui.

"ROSENROT" - RAMMSTEIN (Universal)

Muita gente já se apressou em classificar o novo álbum da banda metálica alemã Rammstein como um disco menor, menos voraz, se comparado a outros deles. Só que não é nada disso. Fruto de um novo contrato com a gravadora Universal, de algumas sobras do álbum anterior (Reise, Reise) e de um momento até mais eclético na vida do grupo - o baterista Christoph Schneider, recentemente, declarou que estava curtindo o novo do Coldplay, o que deve ter causado horror nos meios bangers mais radicais - Rosenrot tem qualidade e se impõe justamente por não ter adotado uma postura careta em relação ao som pesado. Posturas engessadas, aliás, nunca foram o forte dessa banda - surgida nos anos 90, quando o guitarrista Richard Z. Kruspe encasquetou de misturar som pesado, teclados, climas deprê e tudo que pudesse fazer do som do grupo algo diferente no cenário da música pesada.

O resultado das maquinações de Richard, Christoph e seus companheiros Till Lindemann (vocais), Oliver Riedel (baixo), Paul Landers (guitarra) e Christian "Flake" Lorenz (teclado) acabou sendo um som bastante pesado, com vocais ríspidos, temática gótica, lembrando, por vezes, bandas como Bauhaus e Joy Division (sem esquecer, claro, grupos como Type O Negative e Danzig), com uma cozinha funcionando quase matematicamente. Essa verdadeira gestalt sonora cotinua funcionando bem em Rosenrot, cuspindo sons eletrônicos em "Wo bist du", hinos ferozes em "Mann gegen mann", tecno-metal na linha do Ministry em "Zerstören", cânticos de guerra em "Spring" e uma triste balada com cara de hit, "Stirb nicht von mir (Don't die before I do)", com participação de Sharleen Spiteri, vocalista da banda escocesa Texas - por sinal, a banda nada tem a ver com heavy metal e Sharleen consegue soar, na faixa, como uma Tarja Turunen (ex-Nightwish) melhorada. Uma bela surpresa.

A grande supresa do disco aparece mesmo na nona faixa, a pornográfica "Te quiero puta!", um curioso heavy-mariachi, com letra em espanhol de araque. Soa como um momento de descontração num disco sério e para baixo - resta saber se vai colar entre os fâs mais empedernidos e o público latino do grupo. Para rebater, no final ainda tem o peso melancólico de "Feuer und wasser" e a soturna "Ein lied". Resumindo, Rosenrot faz bonito.

Terça-feira, Junho 20, 2006

Skank grava CD de inéditas e transmite as sessões pela internet

O Skank está no Estúdio Máquina, em Belo Horizonte, onde grava seu sétimo CD de inéditas (e nono de sua discografia), com produção de Chico Neves e Carlos Eduardo Miranda. O CD, ainda sem título definido, será lançado pela Sony-BMG em agosto próximo.

Mergulhada no processo de gravação do novo CD, a banda lança hoje seu site oficial no UOL (
www.uol.com.br/skank). A novidade é que os fãs poderão assistir, ao vivo, a gravação do próximo álbum, direto do estúdio. Além da câmera exclusiva, transmitindo imagens em tempo real, vídeos on demand e fotos de making of estão disponíveis na nova área do site. "É mais interessante gravar sabendo que estamos sendo vistos por muita gente, e de qualquer ponto do planeta. Além dos nossos acertos, os nossos erros, discussões e brincadeiras. Pena que não gravamos 24h por dia, todos os dias", comenta Henrique Portugal.

Com visual baseado no último CD, Radiola, primeira compilação da banda lançada no final de 2004, o site traz a discografia completa do grupo. Nessa área, os fãs podem ouvir canções de todos os discos lançados em seus 15 anos de carreira, tendo à disposição as letras das músicas para acompanhar. Na área “Links”, uma página revela parte do universo Skank, onde a banda indica artistas, festivais e sites que são referência para os integrantes da banda, além de algumas jóias raras, como o endereço virtual do melhor fabricante mundial de cordas para instrumentos musicais ou um guia para amantes de sintetizadores vintage.

Acho que vale dar uma conferida...

Terça-feira, Junho 13, 2006

Eu sumi, sim

Mas foi por uma ótima causa. Estou envolvido com um projeto bacana do meu trabalho, provas da faculdade, textos e livros pra ler de uma hora pra outra, etc. Por enquanto, quem quiser me ler tem isso aí embaixo:


Como a Bizz não iria gostar lá muito de eu colocar a matéria aqui para as pessoas lerem enquanto a revista está nas bancas, vai aí o trechinho que está no site deles. E compre a revista na banca.

Revolução Orgânica
Como Marcos Valle, respeitável nome da “segunda geração da bossa nova”, descobriu a soul music, os Beatles, o poder jovem, quase foi parar no Vietnã e tingiu de negro a MPB.
Por Ricardo Schott

As mudanças já estavam claras nas primeiras notas de Mustang Cor de Sangue, de 1969. Na verdade, a própria capa já dava notícias: Marcos e o irmão-parceiro Paulo Sérgio cercados de carros, com um visual jovem, longe da estampa casual-chique da bossa nova e bem mais próxima do cotidiano surfista da dupla. Da bossa de Samba Demais (1963) ao órgão speed-racer que abria aquele LP abriu-se um abismo.

“Foi natural”, contemporiza Marcos Valle. “Sempre ouvi novidades. Mas quando lancei Mustang..., alguns puristas da bossa se chocaram.” Mesclando influências dos Beatles, do tropicalismo e da música americana ao samba e à bossa, o disco ousava botar na receita a black music nativa, graças às trocas de influências com Wilson Simonal – que já havia lançado a faixa-título em seus shows, deixando sua marca num “la la la la la” típico da pilantragem. A ousadia é que o compositor de clássicos como “Samba de Verão” incluiu o corinho em sua versão. “Esse disco é cheio de provocações”, admite. “E, depois disso, o pop passou a dividir as honras no meu trabalho.” Ou seja, aquele era o começo de uma fase que uniu protesto, hippismo, censura, psicodelia, soul, rock e ditadura – além de uma inquietude musical que até hoje cativa pessoas, dentro e fora do Brasil.

Não que misturas fossem novidade para Marcos Kostenbader Valle, que dividiu a infância entre aulas de piano, acordeon e audição de todo tipo de música, enquanto Paulo Sérgio concentrava-se nas novidades do pop internacional. Logo, este estaria letrando as melodias daquele. “Paulo sempre foi meu herói”, diz o cantor, que logo foi se achegando à bossa nova.

Logo após a estréia com Samba Demais, os caminhos internacionais já se abriram: Valle foi duas vezes aos EUA – uma delas, acompanhando Sergio Mendes. A estadia lhe rendeu contatos (com Quincy Jones, por exemplo), sucessos (“Samba de Verão” ganhou versões em inglês de Johnny Mathis, Connie Francis e de Walter Wanderley) e até um álbum, Samba 68, para o selo Verve, com letras em inglês.

Se Marcos Valle sempre viveu globetrotter – com direito a uma paquera sem frutos com agentes da Disney –, não admira que tenha vivido momentos de tensão comuns a qualquer jovem em território americano. “Quando estava gravando Samba 68, um policial do FBI apareceu em casa”, revela. “O cara perguntou quem eu era, o que fazia e disse que eu tinha de me alistar. Aleguei que era brasileiro, casado com brasileira, mas não adiantou”, diz ele, que por pouco não encarou o Vietnã. Valle gravou o disco e voltou rapidinho para o Brasil. Hoje, o sucesso nos EUA, na Europa e no Japão é uma realidade para o cantor. “Minha música interessa a uma garotada que gosta de dançar, mas não de dance music”, diz Marcos, curtindo o fato de seu som chegar tanto a fãs de bossa nova quanto a caçadores de pérolas da psicodelia. “Quando toco na Europa, meu show parece até de rock, com a galera dançando e curtindo.”

Segunda-feira, Junho 05, 2006

Chora, azulejo...

Quer ver todos os calendários da Pirelli, cheios de mulégostosa? Clica aqui.

Domingo, Junho 04, 2006

Detonautas

"PSICODELIAMORSEXO & DISTORÇÃO" - DETONAUTAS ROQUE CLUBE (WEA)

Sim, o Detonautas evoluiu. Particularmente, eu não tinha nada contra o som dos primeiros discos da banda - portanto o lance aqui nem é tratar o grupo como um exemplo de banda pop que resolveu acordar para o anti-comercialismo ou coisa parecida, como algumas pessoas vêm fazendo. Primeiro, porque Psicodeliamorsexo&distorção, de anti-comercial, não tem nada - logo na abertura, que mescla muito de new rock ao som da banda (com direito a Tico Santa Cruz tentando emular o vocal bêbado de Julian Casablancas, dos Strokes - até na qualidade da gravação) já dá para perceber que ninguém ali está rasgando dinheiro. O lance é tentar aproximar o grupo de um público novo - que ouve bandas como Strokes e até Los Hermanos - e modernizar uma fórmula que já repercutia bem nas caixas registradoras, conquistava fâs adolescentes, mas corria o risco de não sair do lugar, caso o grupo resolvesse dar uma Charlie Brown Jr. (aquela coisa de fazer o mesmo disco todo ano, e lançar disco TODO ano, que nem Engenheiros do Hawaii na época áurea, para lembrar ao público espinhudo e bobalhão que a banda ainda existe). Só que desde Detonautas Roque Clube, já dava para perceber que não se tratava de um grupo de um assunto só.

O legal de Psicodeliamorsexo&distorção é ver que, ao contrário do que acontece com quase 100% das bandas de rock nacional, os Detonautas não resolveram dar uma de "conscientes" para crescer em público - com exceção da letra em espanhol da faixa bônus, feita para um documentário de uma jornalista amiga de Tico Santa Cruz. A evolução vem mais no som pesado de "No escuro o sangue escorre", "Ela não sabe (mas nós sabemos)" e "Assim que tem que ser", na oitentice a la The Killers/The Bravery de "Quem sou eu?" e "Prosseguir", no som misto de Strokes e New Order/Cure de "Dia comum", na baladinha de piano "Tudo que eu falei dormindo" ou mesmo nos dezoito minutos (nada progressivos) de "Insone". Aconteceu como quase sempre acontece no rock internacional: as letras tratam de assuntos românticos, ou são meio "doidonas", sem sentido - e várias delas poderiam estar entre os poemas malucos que o vocalista posta no blog Clube da insônia. E a sacanice que aparecia nas letras do começo do grupo - "100 critério", "Preso no armário" e outras que nunca foram gravadas - ronda discretamente algumas faixas do álbum novo (caso de "Não reclame mais", que levou a gravadora a implicar com o verso "eu só quero trepar com você").

Por outro lado, o terceiro álbum do grupo carioca não é o disco "indie" que provavelmente o sexteto sonhou ter feito. Os Detonautas ainda são, sem tirar nem pôr, uma competente banda pop, que mira grupos como Red Hot Chili Peppers até quando faz boas baladas de violão como "Um pouco só do seu veneno", e chupa os Stone Temple Pilots de Shangri La Dee Da na hora de posar para as fotos do álbum novo. E talvez seja bem melhor assim. Se com Psicodeliamorsexo&distorção os Detonautas conseguirem surpreender muita gente, transitarem entre os dois lados do mercado e acabarem com certos narizes torcidos, tnto de crítica quanto de público, já estará de muito bom tamanho. Capacidade para isso, tanto a banda quanto o disco novo têm.

Sexta-feira, Junho 02, 2006

Desencavando textos: International Magazine


"RING OF FIRE: THE LEGEND OF JOHNNY CASH" - JOHNNY CASH (Universal/Sony & BMG)

Ring of fire: The legend of Johnny Cash não é um lançamento gasto à toa, ainda mais em se tratando do mercado brasileiro. Cash, countryman falecido em 12 de setembro de 2003, tem adquirido um grande número de fâs por aqui, ainda mais nos meios roqueiros - sua postura sempre deixou mais marcas nos fâs de rock do que nos fâs de country, até porque suas letras em nada se assemelhavam às dos grandes astros do gênero. E sua discografia não é das mais comuns nas lojas daqui. O lançamento de uma coletânea que cubra todas as fases de sua carreira acaba sendo útil para os que - só para citar um exemplo - ouviram To hell with Johnny Cash, dualdisc lançado pelo Matanza ano passado, e gostaram.

Pela audição das 21 faixas incluídas no disco, dá para perceber - ainda mais quando se ouve as primeiras músicas, registradas nos anos 50 e 60 - que Cash e Matanza têm tudo a ver mesmo. Membro do chamado Million Dolar Quartet (ele, Elvis Presley, Jerry Lee Lewis e Carl Perkins) e contratação de primeiríssima hora da afamada Sun records - aonde o próprio Elvis Presley começara sua carreira - Cash inseriu energia diferente no country: falava de bebedeiras, juras de morte, brigas e assassinatos, declamava as letras de suas músicas e resumia tudo a pouquíssimos acordes. Mas ao contrário do que os própros rapazes do Matanza falaram em entrevistas, não há nada mal-tocado. Era um som palhetado, cruzado de country e rock, com forte personalidade, além de toques peculiares na guitarra, que muita gente tenta imitar.

Tratava-se de um compositor econômico que - nisso, ele se assemelhava a vários de seus pares - privilegiava o espaço para contar diatribes de cadeeiros (em "Folson prison blues" e "San Quentin", gravadas ao vivo nas próprias prisões, com participação ativa da platéia em versos como "San Quentin/I hate every inch of you") ou histórias bacanas como as de "A boy named Sue", escrita por Shel Silverstein. Nomeou-se de "o homem de preto" na emblemática "Man in black", lançada em 1971. E na mesma época, cruzou folk, rock e gospel na bela "A thing called love". Colocada numa só pilha, a carreira de Cash soa como uma espécie de country que os não-convertidos ao estilo podem entender, graças ao próprio personagem que Johnny Cash foi se tornando com o passar dos tempos, colecionando sofrimentos, sumiços e renascimentos.

Além dos sucessos de carreira, aparece uma gravação que nem é de Cash, mas do U2 com participação sua - "The wanderer", gravada pela banda no Zooropa, de 1993. A música serviu como batedor, no meio pop-rock, para a redescoberta de Cash pela geração roqueira dos anos 90, graças aos discos produzidos por Rick Rubin para o selo American Recordings. Além de novos clássicos country e de revisitações de sua própria obra (caso de "Give my love to Rose", sucesso seu de 1957, que entrara para o Top 15 nessa época), Cash ainda começou a gravar músicas de roqueiros como Glenn Danzig, Chris Cornell (na época vocalista do Soundgarden) e Trent Reznor (Nine Inch Nails). Na coletânea, aparecem "Hurt" (NIN), "Personal Jesus" (Depeche Mode), "Rusty Cage" (Soundgarden) e uma bela versão de "One", do U2 - e nem mesmo as mensagens de paz do hit de Bono & cia. ficaram deslocadas na voz de Cash.

Ring of fire chega às lojas ao mesmo tempo em que um filme sobre a vida do cantor começa a ser exibido nos Estados Unidos - e o release do disco informa que ambos foram lançados em conjunção, já que Walk the line, o tal filme, estrelado por Joaquim Phoenix (irmão do falecido River), tem várias músicas do álbum. Lá fora, o filme já foi exibido até na penitenciária de Folsom, a mesma na qual Cash gravara um CD ao vivo anos antes. No Brasil, Walk the line será exibido apenas em fevereiro de 2006 (ei, calma, esse texto saiu em janeiro de 2006!!! e tô sem saco de editar), com o nome de Johhny and June, referência a última esposa do cantor, June Carter, falecida em 2003. Justas homenagens a um cantor redescoberto, felizmente, enquanto era tempo.

P.S: Por causa de uma puta cagada deste que vos escreve, esse texto saiu no IM com um erro daqueles que acabam com a carreira de um jornalista: dizia-se lá que Johnny Cash tinha morrido aos 17 (17!) anos. Claro que isso foi um erro de digitação dos brabos.

Quinta-feira, Junho 01, 2006

Blog de resenhas

Esse blog vai voltar a ser um. Calma.

Rádio e TV digital

Amanhã, dia 2/6, na Praça XV (Centro do Rio de Janeiro) vai rolar um jogo de futebol (sério!) às 15h, entre os times Sistema Brasileiro de TV e Rádio Digital X Hélio Costa e os Monopólios da Mídia. O árbitro, dizem eles, será o nosso presidente Luís Ainácio Lula da Silva - não se sabe se na hora haverá um sósia do original com apito na mão. Tudo para chamar a atenção para a questão da digitalização da rádio e da TV, que vem chamando muita atenção por aí - e que já foi abordado por mim nessa matéria aqui, publicada originalmente no site Nitideal.

"A Torcida do Brasil vibra para ter 63 novos canais de Tv aberta e mais 100 novas estações de rádio, mas o Ministro Hélio Costa e os Monopólios da Mídia querem empatar e se possível fazer gol contra no povo da cultura . Eles querem manter tudo com está e dar mais canais ainda para os que já tem rádio e tv. Isto é um absurdo !!!! Isto é anti-democrático !! Isto é Monopólio !!!Compareça e venha de verde e amarelo!", diz o release do evento - e quem leu a tal matéria que eu fiz sabe que o lance não é brincadeira de criança. Após o jogo, rolarão shows com o pessoal do Movimento Pop Goiaba, incluindo Maracatu Relâmpago (batucada com DJ, violão e flauta), Claudio Salles (acompanhado do Maracatu Relâmpago e outros, fazendo rock e MPB), Fúria Brasileira (hip hop), Jorge Souto e Marcio Leonardo (chorinho) e os DJs Tata Ogan e Bob Pai (ambos da Rádio Pop Goiaba-UFF). Vai lá que é de graça e vale a pena.