Katarse / Ventura S.A / Cumbaquê / Homens do Pântano / Tubarão em Chamas / Brasil Papaya

"SEM CONTROLE OU DIREÇÃO" - VENTURA S.A (Highlights) - O nome desta banda paulista - formada por Ricardo (bateria), Nen (guitarra e "garganta"), Marothy (voz), Denis (baixo) e Peruka (guitarra e voz) - sugere um plágio do Los Hermanos. Mas não é nada disso. O grupo, até pouco tempo, se chamava Fuleiragem e tinha até aparecido na coletânea Surf Rock, da Deckdisc, com "Estranho mas real", bom punk rock com letra crítica e heranças musicais de bandas como Bad Religion. Em Sem controle ou direção, o primeiro disco, a banda destaca-se por investir em ótimas e pesadas músicas, sempre com refrões facilmente assimiláveis - lembrando gritos de guerra, em faixas como "Sem controle ou direção", "Hora do show" e a já citada "Estranho...". Uma ótima banda punk para engrossar as fileiras dos grupos brasileiros que militam ao lado do Dead Fish, abordando temas mais políticos ou existencialistas, em faixas como "Coração", "Todos têm o seu lugar" e "Sonho americano" (site da Highlights: www.highlights.com.br).
"O AR Q MOVIMENTA NO OCO PERFURADO" - CUMBAQUÊ (Independente) - A banda Cumbaquê conseguiu fazer uma boa conexão Rio-Minas. Começou gravando lá em BH e depois veio para o Rio concluir O ar q movimenta no oco perfurado com uma galera bem interessante - Jongui, Junior Tostoi, Mariana Eva - que incluiu o disco nas fileiras engrossadas por Lobão, Vulgue Tostoi, mim, etc. Música brasileira com toques de rock, eletrônica, samba, samba-rock, macumba, etc, com boa poesia nas letras. O disco acerta mais em momentos como o rock´n roll de "Pesado" e "Só", o rap-funk brazuca de "Vira o disco" e "Jornada" e, em especial, na lisergia eletrônica de "Oco" e "Negro y blanco", cheias de efeitos e boas guitarras - dando mostras de que o grupo soa melhor à medida que as composições mostram-se mais ousadas. (site: www.cumbaque.com.br)
"HOMENS DO PÂNTANO" - HOMENS DO PÂNTANO (Lama produções/Dub monster) - Vindos de Jacarepaguá, zona Oeste do Rio, os Homens do Pântano seguem uma linha associável (por vezes, associável demais, diga-se) à do Planet Hemp em discos como Usuário e Os cães ladram mas a caravana não pára: rap, guitarras (boas), uniões rock-rap-samba, uma trinca de MCs (ágil, diga-se) e letras que, ora parecem espertas, ora pecam demais pelo excesso de "se tu vacilá, vão te ganhá na atitude" (trecho de "Verdadeiro MC", faixa de abertura) ou de papos no estilo "eu sou o Rio". O saldo fica positivo ao entrarem o balanço legal e as guitarras meio psicodélicas de "Gravidade zero", além do samba-funk de "Aperte o play", mas fica a vontade de ver todo esse pessoal (são oito pessoas no time, incluindo um DJ, um cavaquinista/percussionista e um cara que toca cítara e oboé) fazendo um som mais diferente do que já foi feito no mesmo estilo. (e-mail: homensdopantano@gmail.com).
"RESSURREIÇÃO" - TUBARÃO EM CHAMAS (Independente) - O Tubarão não lançou um disco, lançou um kit - pelo menos para a imprensa, Ressurreição veio acompanhado de garrafa de cachaça, revista de história em quadrinhos (com a trilha de imagens das músicas) e versão em vinil (com capa dupla) do disco. Em termos de som, o Tubarão é associável ao heavy metal paulista dos anos 80 - até no projeto gráfico, que lembra bandas como Harppia e o Sepultura do começo. Com pouca produção na qualidade de gravação/mixagem, o CD soa como uma demo e mostra momentos interessantes em músicas como a progressiva "Viagem ao centro do útero" e a palhetada "Contato com Júpiter". Rola uma certa ingenuidade e amadorismo, embora tais pontos talvez estejam dentro da proposta da banda, pelo que o disco (e tudo o que o acompanha) dá a entender. Vale citar a boa qualidade dos músicos e do vocalista do grupo. (site: www.tubaraoemchamas.com.br).
"ESPERANZA" - BRASIL PAPAYA (Beluga/Tratore) - Que disco legal. O Brasil Papaya mostra que ainda dá pra fazer música boa sem necessariamente ser original, mas também sem recorrer na repetição. É só música instrumental, roqueira até a medula, mas com outras influências - desde o quase jazz-funk repleto de solos da faixa-título, até o tango roqueiro explícito de "Libertango", de Astor Piazolla. No meio tem ainda a patada flamenca de "Noyé", o som pesado de "Punkbone fighter" e "Kichute" e até uma sentida versão para "Cowboy", semi-inédita de Arnaldo Baptista - com participação de Rolando Castello Junior, da Patrulha do Espaço, na bateria. Não é um trabalho que possa ser colocado gratuitamente na gavetinha de "progressivo" - apesar de um momento ou outro até enganar - nem se assemelha ao normal que as pessoas imaginam da música instrumental (até por ser rock´n roll).Unindo tramas musicais que se alternam entre guitarra-baixo-bateria e instrumentos como derbak e cavaquinho, o Brasil Papaya surpreende também pela ótima qualidade de produção (o trabalho gráfico é de primeira, incluindo um envelope com papel reciclado) e pelo fato de criar um trabalho requintado, mas acessível, que pode despertar a atenção de roqueiros sem preconceitos e de fâs de outros estilos musicais. Muito bom (www.brasilpapaya.com.br).








