Sexta-feira, Dezembro 29, 2006

Notinhas

+ Site do Humaitá Pra Peixe 2007 tá no ar, com o podcast do evento, notías atualizadas sempre, perfis das bandas (das várias atrações legais, recomendo A Filial, Eletro, Brasov, Vulgue Tostoi e o Reverse)
+ Feliz 2007!!

Terça-feira, Dezembro 26, 2006

She Wants Revenge / Hoobastank

"SHE WANTS REVENGE" - SHE WANTS REVENGE (Universal)

O que andam dizendo por aí do She Wants Revenge não corresponde à realidade. Primeiro: NÃO, a banda não é plágio do Joy Division. Se fossem pegar todas as bandas dos anos 80 que usavam baixo palhetado, marcação rítmica cerrada e vocais dramáticos, ia faltar espaço - e o Joy nem recorria tanto a esse recurso, preferindo instrumentações esparsas e gélidas. Segundo: NÃO, o vocal de Justin Warfiels NÃO é cópia do de Ian Curtis - sim, percebe-se influências, mas a voz do cara lembra mais a de Peter Murphy (Bauhaus) e a de David Bowie. Terceiro: o som é bem mais alegrinho do que todas essas credenciais podem fazer supor. É oitentismo assumido, que até impressiona pela convicção - em vários momentos, parece que os caras realmente querem montar "o som de uma época". Só pra confundir mais a cabeça das pessoas: os caras são californianos, mas enganariam qualquer pessoa se inventassem que vieram de algum beco novaiorquino.

Para não dizer que a banda em nada lembra o Joy, a fase inicial da banda de Manchester, mais punk do que pós-punk, que gerou faixas como "No love lost", dá as caras em She wants revenge, disco de estréia dos caras. Tem outros "anos 80" que aparecem na sonoridade do grupo, já que eles citam como influência até mesmo Smiths. Não consegui achar rigorosamente nada ali que lembrasse o grupo de Morrissey & Marr, que nunca primou pela crueza do som. O She Wants Revenge é elaborado e cru, junta as duas características e cria um som que, se não é próprio, é muito bem feito.

Opa, corrigindo um detalhe: o SWR não é um grupo. É uma dupla, formada por Justin (vocais, guitarra, programações) e Adam 12 (baixo, percussão, programações, teclados). O começo dos dois foi como tem acontecido com vários projetos musicais da atualidade: no quartinho, compondo e fazendo tudo por conta própria. O material foi registrado pelo gru... opa, dupla, em seu próprio estúdio, o Perfect Kiss (outra referência aos anos 80, já que se trata de nome de música do New Order), com o próprio Justin fazendo a engenharia de gravação. Nem precisa dizer que os próprios cuidaram da produção. As músicas se espalharam no boca-a-boca e chegaram na poderosa Geffen. Nada mais moderno, em tempos de Arctic Monkeys, Clap Your Hands And Say Yeah e Moptop.

A faixa de She wants revenge que mais lembra Ian Curtis e o Joy é a dançante "Tear you apart" - e note bem o nome, que lembra "Love will tear us apart", do JD. Parece até brincadeira, pra ver quem junta mais referências às bandas oitentistas numa música só - ou algo trash, como é o Darkness com o metal farofa. Mas é sério, tem gravadora apoiando e muita gente curtindo - e é bom. De resto, os vocais têm mais charme, emulando os já citados Bowie e Murphy e se aproximando da estética de outras bandas atuais, como Elefant e Interpol, em músicas como a sombria "She loves me, she loves me not". O grupo abre com uma bateria de tecladinho em velocidade new wave e com dedilhados que lembram mais Legião Urbana do que o rock da Factory, em "Red flags and long nights". A velocidade diminui em "These things", um Depeche Mode em tom grave. Reeferências aos anos 80 tem para todos os gostos, do The Fall em "I don't wanna fall in love" ao Talking Heads na eletronicazinha "Monologue". Resta dizer que, para além das referências, as músicas têm potencial e se sustentam por si só, dando ao She Wants Revenge cara de banda de "festa indie". Que vai dar certo nesse sentido, não há dúvidas.

Para conhecer Justin e Adam 12, compre/baixe o disco ou vá no site www.shewantsrevenge.com. Sim, eles são moderninhos, até mantém sua pagininha no My Space mesmo após terem sido contratados (a URL é www.myspace.com/shewantsrevenge).

"EVERY MAN FOR HIMSELF" - HOOBASTANK (Universal)

Uma amiga minha, avisada de que eu iria escutar o disco novo dos californianos do Hoobastank, me alertou que a banda era "um tiro na cabeça". Perguntei: "como assim?", e ela: "é emo demais!". No caso do Hoobastank, Every man for himself soa como um brega pesado, ou um metal farofa moderninho, ou (como querem alguns) um punk baladeiro, ou o que você quiser que seja - mas sempre com letras "pra baixo", temática deprê e melodias feitas para estourar na rádio mais próxima.

Every man... é o terceiro disco dos caras e o primeiro depois da saída do baixista Markku Lappalainen - Douglas Robb (vocal), Dan Estrin (guitarra) e Chris Hesse (bateria) colocaram em seu lugar Josh Moreau, logo após as gravações do disco e seguiram em frente. Por conta da entrada tardia do músico, a banda aparece como trio no encarte do CD - na gravação, o baixo foi parar nas mãos de músicos de estúdio como Paul Bushnell (que, se o www.allmusic.com estiver certo, trabalhou também como produtor e músico na trilha de The Commitments) e Chris Chaney (que já tocou o instrumento até em trilhas de filmes da Disney). O disco novo mostra uma boa evolução no trabalho da banda, que já soa cada vez mais próxima do rock dos anos 90, de bandas como Alice In Chains, Faith No More, Green Day e, por uma outra via, até dos barulhinhos do Radiohead. Falando no Green Day tem quem diga que o disco, em termos de temática das letras, se "inspirou" demais em American Idiot, da banda norte-americana. O disco novo do Hoobastank segue tendências políticas nas letras, abrindo direto com uma vinheta "instigante", com um milico dando a ordem do dia, seguindo com o papo anti-totalitarismo da marcial "Born to lead", marcada por um repetitivo e pesado riff e por uma estrutura metal-funk-pop.

O disco segue com uma tema de cara quase blues pop ("Moving forward") e letra desesperançada, um som que lembra uma espécie de Duran Duran pesado ("Inside of you") e palhetadas quase punk na abertura da balada "The first of me", além de um tema que poderia estar num disco do Linkin Park, "Good enough". "If I were you" pode surpreender por lembrar um estranho misto de Beatles (confira o mellotron da abertura) e Silverchair. Um outro lado mais punk aparecem na melódica e gritada "Without a fight", e a faceta mais suingada da banda aparece na animada "Look where we are".

Críticos mais exaltados poderiam dizer que o Hoobastank se inspirou em tantas bandas por uma simples questão de estar ainda em busca de uma identidade própria - e não é algo que está muito longe da verdade. Mas vá lá que o grupo deu uma bela evoluída e chama a atenção pela quantidade de boas canções que conseguiu colocar em seu disco. Vale dar uma conferida - e destaque também para o belo encarte do CD, repleto de detalhes em alto-relevo.

* textos publicados no International Magazine.

Domingo, Dezembro 24, 2006

Curtas

+ Estou sempre atualizando meu blog no portal da Bizz. Resolvi desenterrar uns causos de matérias que fiz pra revista, além de umas babaquices de bloguinho diarinho mesmo.
+ Drummond traduzindo Beatles. O poeta traduziu algumas músicas dos fab four para publicar na falecida revista Realidade, da Abril, em 1969.
+ Feliz Natal!!!

Quarta-feira, Dezembro 20, 2006

Orson & McFly

"BRIGHT IDEA" - ORSON / "JUST MY LUCK" - McFLY (Universal) +

A Universal solta por aqui mais duas bandas interessantes do rock atual. O Orson é um quarteto de Hollywood - com nome evidentemente inspirado na obra do cineasta Orson Welles - que já se define, de cara, como "power pop". Calma, fâ de Big Star e Teenage Fanclub, que o que eles quiseram dizer não é exatamente isso - o "power pop" entra aí mais como definição do que como gênero, servindo para dar nome (de forma muito peculiar, diga-se) a um soft rock modernizado, com belos vocais, melodias assobiáveis e peso bem dosado. Mas que o grupo podia evitar confusões, podia, numa boa.

O som de Bright idea, primeiro álbum dos caras, mostra um grupo cuja sonoridade une rock dançante, alguns toques de funk, vocais suingados e uma moldura rock´n roll que, em faixas como "Bright idea" e "No tomorrow" e "Save the world", remetem a Strokes e Killers - e adquirem uma cara meio hard rock, meio new wave na bem marcada "Tryin to help". "Happiness" e "Last night", por sua vez, têm um lado pop fortíssimo, juntando a sonoridade de bandas como Duran Duran e U2 ao rock da atualidade. No geral, nada de muito inovador - fica a impressão de uma banda ainda em busca de personalidade própria, ainda que o disco renda ótimos momentos.

Em algumas canções, o som de Jason Pebworth (vocais), Jonny Lonely (baixo - e olha só o nome do cara...), Chris Cano (bateria) e dos guitarristas George Astasio, Kevin Roentgen e Chad Rachild tem que se cuidar para não resvalar na farofa radiofônica. Mas no geral, os rapazes tomam cuidado e fazem pop-rock bem sacado, seja nas faixas citadas, seja na dançante "Downtown", seja na baladinha nostálgica "Already over". E vá lá, algumas melodias não ficam nem um pouco a dever ao padrão de bandas como Bon Jovi (levando em conta o lado bom de Jon Bon, Richie Sambora & cia, que muita gente ainda insiste em não crer que exista). Só é dura de engolir a infame "So ahead to me", que cola a melodia de "O fantasma da ópera" numa moldura rítmica chupada do Jam (!). Para conhecer melhor o grupo, vale curtir trechos das músicas no site http://www.orsonband.com.

O lance da banda inglesa McFly fica claro na abertura de seu disco Just My Luck - punk rock com belas melodias, chupadas direto dos anos 60. A levada com que a banda conduz as músicas é que remete direto às décadas de 70 e 90. Não há nada de muito cool aqui - talvez só o fato do grupo ser "moderninho" e divulgar seu endereço no My Space até na contra-capa de seu CD, ou a presença de músicos de orquestra em seis das faixas do disco. "Five colours in her hair" é punk rock fora de tempo e espaço, chutado direto para alguma parada pop perdida dos anos 60, entre Monkees e Who. "Obviously" é uma baladinha pesada com vocais de Beach Boys. "I wanna hold you" vem com aparência country. Em "Ultraviolet", o grupo busca soar psicodélico, entregando suas intenções logo depois, quando a melodia se torna algo meio The Wonders. O McFly ainda remete a uma inocência que as "perigosas" bandas novaiorquinas e inglesas de hoje parecem ter perdido - mas não vem se livrando de zoações lá fora, já que o site PopMatters andou falando que "a não ser que você seja uma garotinha de 12 anos necessitando de uma paixão, você provavelmente não irá precisar de um disco do McFly. Todavia, isso não quer dizer que a música deles não possa provocar um sorriso em você".

E é isso mesmo. Dá prazer - e o tal sorriso no rosto - curtir faixas ensolaradas e pesadas como "I've got you", que lembram muita coisa do que se fazia em rock alternativo nos anos 90. Tom Fletcher (guitarra/vocais), Danny Jones (guitarra/vocais), Harry Judd (bateria) and Dougie Poynter (baixo) podem até não ser o tipo de música dita "séria" que a crítica procura em meio a tantas novidades-roqueiras-que-irão-mudar-o-mundo, mas alegram - e podem alegrar bem mais do que menininhas de 12 anos (que, pelo visto, estão num mood bem diferente do que é apresentado em Just my luck, ou será que é impressão minha?). Belas canções como a nostálgica "All about you", a desolada "Too close for comfort" (uma das mais moderninhas do disco, vinda numa onda que lembra mais o Green Day e o Blink 182 do que os anos 60) e belo arranjo orquestral de "Unsaid things" - que desemboca numa nostálgica balada-rock de violão - são de impressionar e devem fazer muitos fâs por aí afora. Conheça em www.mcflyofficial.com.

+ publicado no International Magazine.

Sexta-feira, Dezembro 15, 2006

Who novo


"ENDLESS WIRE" - THE WHO (Polydor/Universal)

Fala-se em disco novo da banda inglesa The Who há tanto tempo que o negócio já virou piada. Não tanto, claro, quanto no caso do tal Chinese democracy do Guns N´Roses - até porque a idolatria que o Who provoca é bem maior, bem como o talento dos músicos envolvidos. O último disco de inéditas deles foi o mais-ou-menos (muita gente acha fraco, beeem fraco) It's hard, de 1982. De lá para cá, falou-se em disco de inéditas quando a banda completou 25 anos e voltou com alguns shows, em 1988 - mas nada saiu. Roger Daltrey e Pete Townshend, os únicos vivos hoje, foram cuidar de suas carreiras. O baixista John Entwistle, morto em 2002, também fez das suas, com bem menos mídia.

Endless wire, o novo disco, vem sendo comentado de leve desde 2003. Na época, Pete anunciou que a banda ia se reunir - com o baixista Pino Palladino e o baterista Zak Starkey - para lançar um CD chamado The boy who heard music. O disco virou uma novela que Pete escreveu - sobre três garotos que montam uma banda - e começou a publicar em seu blog. Por sugestão do amigo Nick Goderson, morto de câncer em janeiro de 2006, Pete pegou seu texto e fez dele uma mini-ópera, Wire & Glass, que fecha o disco novo - na verdade, são "músicas feitas" para o texto, que pode ser lido no site de Pete em extensos arquivos PDF. No todo, dá pra imaginar uma referência bem bacana à internet no tal Endless wire, ainda que os temas das letras nem sequer passem perto de significar algo de futurista. O disco novo do Who retoma a estética desencantada, idealista e algo religiosa que domina a obra da banda desde seu começo.

Como tempo, ficou mais fácil atacar o Who do que defendê-lo. Primeiro, a banda, apesar de quase todo mundo em volta de Pete, Roger e John saber da impossibilidade de criar algo novo sem a presença do falecido baterista Keith Moon (com Kenny Jones em seu lugar, eles bem que tentaram) continuou insistindo em turnês e discos ao vivo. O lance satisfez alguns fãs, mas deu mais errado do que certo - o som da banda lá por 1989, ano das turnês de "volta", parecia mais um misto de Phil Collins e Elton John do que Who, perdido em meio a metais e às intervenções de um sofrível guitarrista de aluguel. Pete, surdinho da silva, evitava tocar instrumentos elétricos.

Join together, disco ao vivo resultante da turnê, mal podia ser chamado de um disco ruim. Era burocrático, terrível em se tratando de um álbum feito por uma banda cujo líder falava em "morrer antes de ficar velho". Do tal processo por pedofilia, do qual Pete se livrou, mas que acabou manchando sua imagem, nem se fala. O cantor foi denunciado por estar entrando em sites que traziam fotos de crianças nuas, mas alegou que fazia uma pesquisa CONTRA a pedofilia – um daqueles casos em que a verdade (se for o caso) é mais estapafúrdia que uma mentira. Anos antes, ele tinha declarado que havia passado por experiências homossexuais e que "sabia como era ser uma mulher, porque era uma mulher". A homofobia de boa parte do público ajudou a completar o espetáculo.

E aí? E aí que Endless wire vem como um estranho relato disso tudo. Primeiro: nada mais óbvio e sem graça que o Who (uma banda até hoje assombrada pelo fantasma de Tommy) voltar investindo numa ópera-rock. Esse lado "operístico" domina todo o disco, nos vocais performáticos de Roger Daltrey - que encarna uma espécie de Tom Waits na divertida valsa folk "In the ether" -, no conceito que inclui religião em todos os momentos do CD etc. O álbum contém músicas baseadas no filme A paixão de Cristo, de Mel Gibson, como "A man in a purple dress", questionando a idéia de que "um homem precisa vestir-se de determinada forma para representar Deus".

Já a Wire & Glass vem cheia de referências à garotos que montam uma banda - só que são relatos um tanto ingênuos num tempo não lá muito ingênuo, ainda que músicas como "We got a hit", "They made my dreams come true" e "Mirror door" (uma extensa homenagem à música, que inclui nomes de compositores clássicos, jazzistas e gente dos primórdios do rock) tragam ao rock atual uma poesia inconformista que não é vista faz tempo. O diabo é que nem sempre aquilo que é contado numa narrativa linear funciona bem quando transposto em música - era algo que já acontecia até em Tommy.

Para quem não saca inglês, o que interessa é a música. "Fragments", que na tal The boy who heard music é o "primeiro hit" da banda cuja história é contada na novela, a Glass Househould, abre em clima de "Baba O'Riley", do Who's Next, com sintetizadores em loop, batidas fortes e vocais berrados. Bons temas folk dominam o disco, como "A man in a purple dress" e a étnica "Two thousand years". O peso de discos como Who are you aparece em "Mike Post theme" e "Black widow's eyes".

O problema é o fato de Endless wire ter até músicas legais, mas faltar algo que una tudo, que conquiste - ou que talvez fale para algo mais que o mundinho de fãs antigos da banda, que provavelmente acham legal o ultra-careta formato de ópera-rock. Mas mesmo os admiradores antigos vão encontrar bem mais segurança em discos anteriores. Lançados numa época em que Pete parecia diferente, mais sincero - ou talvez menos voltado para o seu próprio mundinho, do qual por vezes podem sair coisas estranhas.

+ O texto acima foi publicado originalmente no site Nitideal.
+ Na Revista Bizz desse mês tem uma resenha bem legal do disco do Who assinada por Luiz Antonio Mello. Colaborei na revista com matérias sobre Rômulo Fróes e A Bolha.
+ Artigo fodaço na revista Piauí sobre Beatles. Leia aqui.

Terça-feira, Dezembro 12, 2006

Som Imaginário em... clipe? (2)

A cantora Luhli viu o video do Som Imaginário que entrou no You Tube - e sobre o qual falamos aqui - e escreveu o seguinte:

"Pro Ricardo , e todos que se interessaram pelo assunto:
Eu e meu marido fotógrafo Luiz Fernando fizemos parte de uma turma boa
nos idos de 70.
Entre eles, Reginaldo Faria, Paulinho Mendonça e Maria Alice, Claudio Tovar,
Tania Scher,e o André Adler que fazia direção teatral.
Veio a ideia de fazer um curta sobre uma música do Som Imaginário,
foi um filme pioneiro antes da era do video clip, isso era coisa que não
havia ainda na época.
O Luiz Fernando filmou.Tudo rolou lá na baia de Sepetiba, onde temos casa.
Nós armamos as locações, eu fiz a continuidade(uma profissão que entrou
em desuso depois da invenção do video), chamamos a Tania Scher pra fazer
uma ponta,e a estrela foi sua filhinha de 2 anos,que era uma criança
encantadora,a Claudinha.
Daí trouxemos os músicos e o Milton, foi uma semana de dias azuis e noites
frescas com uma chuvinha boa pro dia seguinte estar lindo de novo...
mar calmo, traineira alugada,e muito violão na varanda.
Foi aí que fiquei amiga do Tavito,foi aí que se estreitou mais ainda o laço
que já havia com o Zé Rodrix.
O curta metragem ganho um premio num festival em Berlim.
Nunca mais ví o André, que viajou pro exterior, perdi de vista a maior parte
desse povo e só vim reencontrar Tavito na M-musica.
Eu mesma não tinha uma cópia do filminho,que agora o Tavito acabou
de me presentear.
Mesmo com o estrago do tempo,a qualidade ruim, a magia está lá.
A saudade me afogou gostoso e chorei, pelo lugar que a poluição vem destruindo,
pelos amigos desencontrados, pelo marido que Deus levou. ...e por mim mesma.
Uma esquina do tempo que se abriu.
A magia está lá e está aqui, é eterna em nós.
Eita saudade boa...eita...obrigada Tavito, pelo presentão.
Abraços,
LUHLI "

Sábado, Dezembro 09, 2006

Binário / Monotube / Lambretta / Abaixo de Zero


"NEREIDA" - BINÁRIO (Bolacha discos) - Impossível não pensar em qualquer coisa relacionada à contracultura brasileira dos anos 70 ao se observar uma banda como o Binário. O grupo costuma dar shows no Posto 9 (praia de Ipanema, Rio de Janeiro) e se dedicar a apresentações que misturam música - amplificadíssima e experimental, quase um post-rock à brasileira e acariocado - e vídeos. Em seus shows no Espaço Cultural Sérgio Porto, no Humaitá, o palco fica todo apagado, dando espaço para os membros do grupo solarem e fazerem ruídos diversos nos teclados. Nereida já começa diferente por causa do formato - não é um CD, é um Semi Metallic Disc (SMD), na verdade um CD normal cujo espaço para gravação vai só até parte do disquinho. No geral, o som também é diferente, misturando esquisitices como Tortoise e uma estética mais brasileira (o resultado faz lembrar o sumido Vulgue Tostoi). O disco tem tons de jazz ("Nem ofensa"), batidões ("Amor líquido"), instrumntais psicodélicos ("Outra vez") e experimntações distorcidas ("JC"), tudo com vocais que unem rock, rap e samba. E tudo por cinco reais - preço cobrado pla tal da Bolacha discos, impresso na capa e tudo (www.binario.mus.br).

+ Aliás, conheça melhor o tal do SMD aqui. www.portalsmd.com.br

"MONOTUBE" - MONOTUBE (demo)
- O guitarrista e compositor niteroiense Mike Vlcek já teve a banda Onno, que chegou a tocar em festivais como Humaitá Pra Peixe e Ruído Festival. O Monotube, seu mais novo projeto, traz, como o Onno, muitas influências de Beatles e Stones e bastante cuidado com as melodias. Mas o som vem mais pesado, por vezes lembrando o trabalho do Ash em faixas como "Perto do fim" e "Alguém pra ser feliz", lembrando uma versão bem madura dos projetos anteriores de Mike. Dentre as onze músicas, todas bem legais, destacam-se também a balada de piano "É tarde", o contry-rock ensolarado de "Quem se atreve a me ajudar?" (coisa de quem ouve Clash e Jam, além dos Beatles) e o riffs simples de "Amor proibido" (www.fotolog.net/monotube_rock).

"LAMBRETTA" - LAMBRETTA (independente)
- Cariocas, os caras do Lambretta fazem um pop-rock ágil - do tipo que talvez uma gravadora resolvesse pegar para dar um puta banho de loja, acentuar umas características aqui e ali, etc. O lance é que o grupo chama a atenção justamente pela inocência, pelas boas canções que unem bateria quase metálica, melodias simples e boas, guitarras pesadas e agilidade quase punk-hardcore em vários momentos. Muita coisa merece destaque no disco, incluindo o ska de "A flor da pele", a balada "Arpoador", a punk-melódica "Estrela guia" e potenciais hits como "Jardim de sonhos" e "Kamikaze" (www.bandalambretta.com).

"ME ENVENENO DE AZUL" - ABAIXO DE ZERO (independente) -
A banda niteroiense passou pelo problema de ter quase um guitarrista diferente a cada disco. No quarto EP, o grupo reaparece com um som que consegue ser mais simples emais elaborado - melodias bem mais trabalhadas, mas com riffs simples, que lembram boa parte dos grupos atuais que cruzam características de anos 80, como o Bravery e o Bloc Psrty (este, vem sendo homenageado pela banda em shows, com uma boa versão de "Banquet"). Lançado com uma puta festa na boate Melt, Me enveneno de azul vem em clima de "agora vai!": nunca o grupo esteve tão bem produzido e mandando tão bem em letras e melodias, em especial nos prováveis hits "Deixa" e "Me levar", além da cozinha bem cravada de "Quanto é mais" (www.abaixodezero.net).

Quarta-feira, Dezembro 06, 2006

Nitideal

Seguem aí embaixo três personagens musicais de Niterói que entrevistei pro Nitideal.
Tô cheio de serviço e não sei se vou atualizar mais o blog essa semana. Leiam aí.

Fred Martins


O compositor niteroiense Fred Martins, segundo matérias publicadas na mídia, não é muito chegado em festivais – e quase nem se inscreveu para o 9º Prêmio Visa de Música Brasileira, edição compositores. Foi de última hora e já se dizia feliz por ter ficado entre os cinco finalistas. Pois bem: Fred, com 37 anos e um currículo bem grande (que já inclui músicas gravadas por Ney Matogrosso e Zélia Duncan, além de discos solo) abiscoitou o primeiro lugar nos votos do público e da crítica.Graças ao júri, Fred ganhou 110 mil reais e a gravação de um CD pelo selo Eldorado. E a platéia o ajudou a conseguir uma viagem para Bonito (MS).

- Nem deu para aproveitar a viagem ainda. Já estou preperando um CD e um DVD para março. – diz Fred, que adorou (claro!) ganhar o prêmio. - Hoje o Visa é o premio mais importante na área da música, o mais criterioso. Então imagine como foi, para mim, receber todo esse retorno. Levar o 1° lugar com a unanimidade dos jurados, mais o prêmio do público, disputando com o clássico João Donato, com o André Abujamra, que é muito querido em São Paulo... Enfim, foi um espanto, e ainda está sendo!

Nos anos 80, quando Fred começou, o ambiente musical de Niterói já fervilhava.

- Comecei na música ouvindo de tudo. Muito rádio, LPs dos meus pais e irmãos. Mais tarde montamos uma banda na escola. Eu, o Marcelo Martins, Ézio Filho e o Ayres D'Athayde. Todos dessa bandinha seguiram a profissão. – diz ele, que conviveu com músicos como Arthur Maia, Mazinho Ventura, Renato Franco e Heitor TP - Eu era vizinho do Márvio Ciribeli e ouvia seus ensaios. E tinha também o pessoal do rock, o Paulinho Guitarra, o Renatinho Roquete, o Escobino, o Saloon e Cia, etc. Todos foram referências.

Com canções gravadas por Maria Rita ("Sem aviso"), Ney Matogrosso ("Novamente" e "Tempo Afora") e Zélia Duncan ("Flores" e "Hóspede do Tempo"), Fred diz que viver só como compositor é algo muito complicado:

- O Edu Lobo, que é uma referência obrigatória no ofício, diz que não dá. Para um compositor de MPB, como eu, essa batalha é dura. O gênero perdeu espaço nas últimas décadas, rádios e TVs não abraçam o melhor de nossa produção musical. Hoje a MPB é coisa de um grupo seleto de amantes de música. Veja o fenômeno da migração de grandes nomes, como Chico, Bethânia, Gal, Djavan, Paulinho da Viola, etc, das majors para selos pequenos. Isso mostra que o grande mercado não está tão receptivo à MPB, que as vendas caíram. E isso se reflete no bolso dos compositores. Fora o sistema de arrecadação de direitos autorais que é complexo. Enfim, é duro!

Além de compor e gravar solo, Fred teve um ofício bastante especial por vários anos: era ele quem transcrevia partituras para os songbooks do falecido violonista Almir Chediak. Fred teve como professor de violão o músico Ian Guest, que também foi professor de Almir.

- O Ian dirigiu os trabalhos dos songbooks e era um grande professor. Ele me chamou para a equipe quando o Almir pensava em lançar o livro do Cazuza. Na época não havia bons livros de partituras de MPB. Os songbooks do Almir supriram essa lacuna. Ele soube como ninguém chamar atenção pra esses lançamentos. Foram mais de 10 anos transcrevendo e foi uma fase muito rica pra minha formação.

Fora isso, Fred vem se preparando para o lançamento do disco e compondo – inclusive com parceiros como o poeta e professor Fred Girauta e os poetas Francisco Bosco e Manoel Gomes. E Niterói, como não poderia deixar de ser, ainda é sua fonte de inspiração.

- A Baía de Guanabara me inspira muito, tanto que já fiz uma música com seu nome. E fiz uma música chamada "996", cuja letra foi feita pelo Alexandre Lemos dentro de um ônibus Charitas-Gávea lotado. - brinca.

Claudio Schott


O niteroiense Claudio Schott é uma figura bastante popular no meio musical da cidade. "Músico amador", como ele mesmo se define, ele vem dando significativas contribuições à música de Niterói desde 2003, quando montou o bar São Dom Dom, na praça Leoni Ramos, em São Domingos.

- Toco meu violão desde os 14 anos, componho desde os 15, levo fé no meu talento. Mas não vou dizer que estou no lado profissional da música - define Cláudio - O bar é meu lado profissional. Lá eu produzo, convido músicos, monto shows. O fato de eu também tocar facilita, porque aí posso convidar meus amigos, meus colegas de arte.

A idéia de montar o São Dom Dom veio de quando Cláudio residia com a esposa, Solanges Pimentel, em Visconde de Mauá. Lá, eles chegaram a ter um comércio, que misturava lanchonete, livraria e teatro. Quando Cláudio e sua família voltaram para Niterói, resolveram repetir a experiência.

- Como já tínhamos o espaço físico, não foi muito complicado. Eu, a Solanges, mais a irmã e o primo dela, montamos tudo em conjunto. Também facilitou o fato de eu já ter experiência com pintar paredes, fazer obra - diz, rindo - Depois um artista plástico chileno amigo nosso, o Vitor Santana, ofereceu as mascaras que ficam na parede da esquerda do bar, e que foram nosso primeiro adereço.

O resultado do investimento inicial foi sucesso logo no começo. Além da ótima localização, o São Dom Dom ("um nome bom, que lembra som, São, tom, dom, uma mistura, um caldeirão de iniciativas e talentos", diz Cláudio) é conhecido pela variedade da programação musical, que atrai vários tipos de loucos por música.

- Nosso projeto original era fazer uma espécie de "bar do cinema". Pensamos nisso porque tinha a faculdade de cinema, ia ter o museu do cinema. Mas depois achamos que ia ficar restrito - diz.

Ele acrescenta que, além da música, da cerveja, do papo com amigos e das artes plásticas (o bar também abriga exposições), outros prazeres para a alma podem ser encontrados no São Dom Dom.

- Temos também uma biblioteca, que na verdade não é bem uma biblioteca... Você pode ler o livro enquanto está no bar. Mas você pode se associar doando cinco volumes e aí pode pegar um livro quando quiser, gratuitamente. Também vendemos os livros - conta.

Programação Se você se interessou pela programação do São Dom Dom, vá se preparando para ter coisas interessantes para assistir durante praticamente toda a semana.

- Na segunda tem jazz com o guitarrista Dino Rangel e o baixista Mazinho Ventura. Os bateristas costumam ser convidados. Já vieram o Márcio Bahia, o Roberto Alemão, etc. Terça é a Terça Reggae, com o baixista Renato Rocketh e o DJ M Seixas nas carrapetas. Na quarta tem voz e violão. O som tem de tudo, até rock, mas pelo formato fica mais MPB. O palco fica lá em cima, o clima é até de uma rodinha de violao.- diz. - Quinta tem o DJ Gomes e o DJ Bob Pai. Preferimos não colocar música ao vivo por causa do barulho do público na praça, já que é o dia em que ela é mais frequentada.

No fim de semana, o público encontra rock, blues e jazz-rock na sexta-feira, podendo deparar com apresentações de bandas como o Blue Dog e músicos como Paulinho Guitarra - até mesmo o próprio Cláudio já tocou na sexta. Sábado, como não há muita gente na Cantareira, a programação musical é livre.

Para Cláudio, o sucesso do bar vem de várias caracterísitcas misturadas.

- O São Dom Dom é um bar privilegiado fisicamente, já que está de frente para a Cantareira. Mas acho que o faz o bar dar certo é que a gente pensa diferente, faz diferente, arrisca, investe a fundo na arte - define.

Justamente pelo investimento em arte, Cláudio faz questão de conscientizar o público em relação a algumas coisas.

- Se o cara entra no bar, tem que pagar o couvert. O freguês não pode entrar com uma lata de cerveja na mão, por exemplo. Chegamos para ele e falamos: "você quer uma cerveja daqui? Aí pode. E tem que pagar o couvert" - diz, para depois brincar. - Sem pagar, a gente deixa no máximo o cara usar o banheiro! Tem que ser assim, porque recebemos muitos músicos famosos no país todo e temos que pagá-los.

Alma da Noite


A banda niteroiense Alma da Noite faz um som filtrado pelo rock anos 60 e 70 - mas em cuja receita aparecem elementos de punk, metal, blues, até um pouco de anos 80. Uma variedade bem legal de elementos, dentro dos quais se incluem também as letras bastante urbanas do vocalista Celso Silva, que além de músico e letrista é poeta e já editou livros para distribuir entre amigos.

Essa variedade se deve à formação musical de cada um de seus integrantes e também a um detalhe bastante curioso, que é a diferença da idade de todos na banda. Enquanto Celso tem 40 anos, Marcelo Ferraz, guitarrista, tem 20, Fábio Valle, o baterista, tem 34 e David Nascimento, baixista, tem 23. Cada um curte coisas diferentes um do outro, numa lista que inclui desde o célebre metal-progressivo do Rush até o metal experimental do Helmet, passando por MPB, pelo punk dos Dead Kennedys e até pelo grunge.

- Eu sou o único solteiro, que não tem nem mulher nem filhos. É legal trabalhar com eles porque são pessoas que já têm uma vida pra cuidar, então levam tudo mais a sério. A responsabilidade é outra - diz Marcelo, que montou a banda junto com Celso e toca guitarra desde a adolescência, sempre influenciado por punk e metal.

- Isso equilibra mais a banda, e até ajuda, porque cada um vem com sua influência. E na hora de ensaiar, parece que todo mundo é da mesma idade. - diz Celso, cuja grande influência na hora de cantar e compor é Cazuza.

Com quatro anos de existência e alguns shows em lugares roqueiros de Niterói - como o Arab's Café - na bagagem, a banda acabou de fazer sua primeira demo, gravada no estúdio da gravadora niteroiense Tomba Records, com produção do chefe do selo, Bruno Marcus. O EP, com 3 faixas, provavelmente vai ser distribuído pela própria banda.

- Vai ter músicas que estamos trabalhando bastante e que as pessoas têm gostado, como "Anjos caídos", "Zeppelin song" e "Princesa".- diz Marcelo - Antes mesmo da gente começar a dar shows, tivemos que fazer mudanças no nosso repertório porque um dos guitarristas saiu e levou as músicas que ele tinha feito.

- Nos shows a gente aproveita também para tocar covers de bandas que a gente gosta. Sempre tocamos alguma do Barão Vermelho, além de "Polícia", dos Titâs. - fala Celso.

Segunda-feira, Dezembro 04, 2006

Música invisível

Heloísa Tapajós, do Instituto Cultural Cravo Albim, avisa:

"Oi, amigos
Como muitos de vocês sabem, assino uma coluna quinzenal no site do Instituto Cultural Cravo Albin.
Costumo copiar e colar o texto para divulgar entre os amigos meus escritinhos e entrevistas.Bom, comecei a me dar conta de que com isso perdemos acesso ao site... ;-(
Então, conto com vocês, queridos. Cliquem aí no link porque a coluna acaba de ser atualizada, desta vez inaugurando o tema "Dando voz a quem tem muito pra contar", com texto do pianista, compositor e produtor musical Mú Carvalho: "A Música Invisível". Trata-se de reflexão esclarecedora do Mú sobre música de novela, em texto super bem-humorado."

A coluna tá aqui. Mu, irmão de Heloísa, é também tecladista da Cor do Som e já teve um CD solo resenhado aqui.

A televisão brasileira no You Tube


+ Programa Carlos Imperial: Na TV Tupi, em 1978. Impera anuncia um cantor chamado Fábio, "o rei das discotecas", e o público invade o palco. Só resta a ele pedir "os comerciais". É de rolar de rir.
+ Cheque Especial na Hebe: No programa da loiruda, em 1985, na Band, o grupo que cantava "assim você vai se dar mal/ assim você vai levar pau, pau, paaaaaau" aparece cantando seu maior hit.
+ Encerramento da TV Tupi, de São Paulo, 1977.
+ Encerramento do Fantástico, 1976. O mais próximo que a televisão brasileira já conseguiu chegar de uma bad trip.
+ Encerramento da Globo, 1976. Pra rir: efeitos especiais de baixa categoria (e que na época deviam ser o must do must), um texto que fala coisas como "a luz de sua televisão desaparece e aguarda pelos raios de sol" e um macabro corinho falando "até amanhãããã...". Veja e não durma de noite.
+ Vinhetas da Globo de 1973 a 1982. Divirta-se.
+ Documentário TV Tupi. O texto explicativo diz: "final do doc dos 40 anos da tv pela TV Cultura: ultimo depoimento e cenas do lacre do transmissor".

Sábado, Dezembro 02, 2006

Só avisando

+ Vocês podem ouvir minha aveludada voz e minha língua pgesa falando sobre a matéria da Gal Costa nos anos 70 (que saiu na Bizz) no podcast da revista: http://bizz.abril.com.br/podcastbizz/podcast_195279.shtml
+ E meu blog no portal da Bizz continua sendo atualizado.

Fresno / O Grito / Jorge Quase


"CIANO" - FRESNO (Distribuidora independente/Trama) - O disco da banda gaúcha Fresno chega a ser uma experiência trash, assim como o são vários momentos de Reginaldo Rossi, alguns discos de Falcão e muita coisa de Alípio Martins, Genival Lacerda, Gretchen etc. O grupo é um representante brasileiro do tal do emo, o hardcore melódico que era uma ondinha lá fora e hoje arrebanha fãs no Brasil - mas provavelmente seus integrantes não reconheceriam ou admitiriam isso nem sob chuva de porradas. O problema é que o narcisismo e o ridículo das letras - sempre deixando os pais e as ex-namoradas dos moleques de orelha fervendo - não deixa transparecer outra coisa. Ouvindo sem preconceito, dá pra se divertir com muitas ótimas melodias do álbum - a banda é bem mais criativa que vários grupos que estão em grandes gravadoras, como é o caso do próprio CPM 22, e acerta no gosto da tal garotada emotiva com músicas bem compostas e fáceis. Os não-convertidos ao estilo podem até curtir o disco deixando o encarte de lado - pegando o livrinho, dá até pra rir um bocado com letras como "Cada poça dessa rua tem um pouco de minhas lágrimas" (essa, nem o Daniel faria igual), "O Peso do Mundo" e a traumatizada-traumatizante baladinha de piano "Infância", dos versos "a culpa é sua por hoje eu ser assim/ a culpa é sua por eu não ter sido criança" (www.fresnorock.com.br).

"URBE INCANDESCENTE" - O GRITO (Independente) - Vindos de São Paulo, os caras d'O Grito soam quase como uma banda carioca perdida na grande metrópole, falando de temas ligados ao cotidiano paulista com uma linguagem que une poesia de boa qualidade e concretismos dosados - caso da primeira faixa, "O Vento e o Tempo" e da criatividade de "^SP´". O ir e vir da metrópole é tratado com uma sonoridade que vai do soul à lisergia, com riffs e solos bacanas, em faixas como "Água de Pano de Chão", "Lua do Meio Dia" e até uma corajosa versão de "Selvagem", dos Paralamas. Altamente recomendável (ogrito@uol.com.br).

"SIMANCOL" - JORGE QUASE (independente) - Ganhador de alguns pequenos festivais, Jorge Quase nem sempre acerta, musicalmente falando (e nisso, nenhum trocadilho com o sobrenome do rapaz), mas ganha vários pontos no quesito ironia. Simancol, disquinho do cara, manda bala num poema maneiro do carioca Chacal ("Festa") e mesmo em alguns momentos mais sérios deixa algo estranho no ar, como em "Mariela" e "Outro Dia". Já "Gordinho Peludo" é uma grotesca canção de amor gay, lembrando direto "Rubens", do Premê, que a Cássia Eller gravou. Só peca por não criar uma identidade muito grande como compositor, embora já seja um começo legal (www.jorgequase.com).