Segunda-feira, Fevereiro 05, 2007

Pesquisando a MPB *


Quem se interessa pela história da música popular brasileira e mora em Niterói pode nem saber, mas aqui mesmo na cidade está sendo realizada uma das mais completas e ambiciosas pesquisas sobre MPB. Tal trabalho vem sendo feito pelo Instituto Memória Musical Brasileira, que cataloga todas as informações possíveis sobre discos brasileiros e também valoriza o resgate das capas dos álbuns - tão esquecidas nessa era pós-CD.

O IMMUB foi fundado, curiosiamente, por um alemão fâ de música brasileira, Andreas Pavel. O acervo do Instituto foi reunido pelo pesquisador Silvio Julio Ribeiro, que começou a pesquisar discos nacionais inicialmente para o site Cliquemusic. Hoje, no Instituto, somam-se ao acervo antigo várias novidades, como DVDs, livros sobre música e pesquisas sobre artistas que muitas vezes não aparecem nos grandes catálogos sobre a história da MPB (como os chamados artistas "bregas", populares, e a produção independente e regional do país).

- Nós conseguimos reunir informações sobre cerca de cem mil discos fabricados no Brasil, além de mais de 25 mil partituras originais da Banda do Corpo de Bombeiros do Estado do RJ. - diz o presidente do IMMUB, João Carlos Carino. - Temos desde o primeiro disco fabricado no Brasil, de 1902, com todas as informações sobre ele, até discos lançados ontem. É complicado catalogar tudo, porque afinal são lançados 200 discos por mês no Brasil, em média.

Tal acervo pode ser pesquisado no site do Instituto. Para consultar virtualmente o acervo, é só clicar em "pesquisa" e fazer buscas.

- Não há necessidade de um acervo físico. Pesquisando no site, você pode cruzar informações, descobrir quais discos foram lançados por determinado artista numa certa época, ou numa certa gravadora, etc. - diz Carino, afirmando que há idéias ainda mais amplas. - Não temos ainda condição de fazer isso, mas queremos digitalizar o acervo para que ele possa ser ouvido no site.

O Instituto já está fazendo mais projetos. A Petrobrás (que já patrocinava a pesquisa feita por Sílvio Júlio desde antes do IMMUB) vem dando apoio a alguns deles, como a elaboração de um CD-Rom só com informações sobre discos brasileiros, e também um ambicioso projeto sobre capas de discos.

- Vamos pegar todas as capas dos discos da nossa pesquisa e fotografá-las com uma definição boa. Muitas fotos que existem na internet não têm qualidade. Nossa idéia é ir na casa da pessoa que tem o disco, fotografar capa, contracapa, encarte etc. Isso tudo ficará disponível no site. - diz Carino, com os olhos voltados também para Niterói. - Temos um contato muito bom com a Secretaria de Cultura e temos vontade de fazer um projeto com os grandes compositores da cidade. Isso pode virar um DVD.

Sem banalidade Para dar visibilidade ao IMMUB, o jornalista carioca Tárik de Souza criou o site Jornal Musical, vinculado ao instituto.

- Nossa idéia é seguir nessa linha de pesquisa do Instituto. A gente acha que há uma dificuldade muito grande das pessoas em preservar a memória cultural. Aqui no Brasil é tudo muito fugaz, rápido. - diz Tárik, que edita o site. - Sinto falta inclusive de um espaço maior para a música popular nos jornais.

Justamente por isso, Tárik diz que um dos objetivos do Jornal Musical é evitar a cobertura banal, do dia-a-dia - algo importante, numa época em que boa parte do jornalismo cultural nas grandes mídias é pautado. Como exemplo da área na qual o Jornal atua, ele cita a série Samba 90. Iniciada ano passado, ela comemora o aniversário de 90 anos do gênero musical.

- O marco inicial foi a gravação de "Pelo telefone", por Donga. Ele gravou em 1916 e a música estourou em 1917. Para as matérias, pegamos depoimentos dos que estão vivos, fizemos uma retrospectiva dos que já morreram, coversamos com herdeiros etc. É história viva. - diz Tárik, lamentando não ter conseguido falar com a neta do sambista Sinhô. - Ela não se interessa em saber da herança musical dele, nem quer conversar com a imprensa. Mas pudemos falar com a filha do João da Bahiana, que tem até quadros pintados pelo pai.

No Jornal, o leitor pode encontrar, além das pautas históricas, várias resenhas e entrevistas com artistas. E há também o Disco em Debate, no qual um disco de música brasileira é discutido por vários jornalistas, podendo entrar ou não na "discoteca básica de música brasileira" do site.

- O público vota se o disco merece entrar na discoteca. Tentamos colocar algo que seja "quente". O primeiro disco dos Mutantes, por exemplo, foi votado na semana em que iria acontecer o show deles no Rio. - diz o editor executivo do Jornal, Marco Antonio Barbosa, revelando uma preferência dos leitores. - Discos mais voltados à música pop geralmente não entram, como aconteceu com o À procura da batida perfeita do Marcelo D2.

Foto: reprodução do site do IMMUB.

*publicado no Nitideal

3 Comments:

Blogger guilherme mattoso said...

SENSACIONAL! adorei a matéria. parabéns, ric!

4:41 AM  
Anonymous magnesio said...

Cara, muito ducacete essa proposta, eu gostaria muito de trabalhar com esse tipo de pesquisa, pena q é em Niterói a parada!

Mas rapaz...esse Andreas Pavel saiu numa matéria da Trip sei lá deq mês, ele q inventou o walkman, veio pro Brasil com 6 anos de idade! é um inventor maluco da porra! hahaah!

http://revistatrip.uol.com.br/150/som_livre/01.htm

o cara ganhou processo contra a Sony e contra a Apple a outras empresas ae! sucesso absoluto esse alemão brasileiro da peste! fã de joão gilberto...espero o rapaz! ahah

abração,
maneco

6:34 AM  
Anonymous Anônimo said...

Excelente iniciativa. Seria legal também publicar um livro com algumas das capas mais legais já lançadas no Brasil, ao modo de algumas edições americanas que podem ser encontradas por aí.

Abraço,
Conti

8:28 AM  

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