Quinta-feira, Fevereiro 22, 2007

Oba, mudanças!!!!

Este blog, desde que foi fundado em 2002, já se mudou algumas vezes. Primeiro ele foi http://discotecabasica.blogspot.com, depois http://www.discotecabasica.blogger.com.br e, depois de alguns contratempos, ele ganhou sua URL na qual está até hoje: www.discotecabasica.com. Mas nesse ínterim, eu resolvi não pagar mais o servidor antigo que eu usava - nada pessoal, só resolvi economizar quando vi que o desemprego estava batendo à minha porta (não está mais, já aviso). Mantive a URL, a qual pago anualmente, mas uso para hospedar o site o endereço http://dbasica.blogspot.com. Os leitores que conheceram o blog de um ano para cá (uma leitora nova chegou a me enviar um comentário, bem simpático por sinal, de parabéns pelo aniversário de um ano do blog em janeiro de 2007 - o que indica que, graças a deus, tem gente nova entrando pra ler) já se habituaram a entrar neste endereço e há quem nem saiba do pontocom.
Pois bem, graças ao convite feito pelo Alexandre Inagaki e pela autorização dada pelo Edney Souza - isso sem esquecer da ajudinha dado pelo Ian Black - estou de casa nova agora. Este blog mudou-se para o portal Interney Blogs e pode ser lido neste endereço: http://www.interney.net/blogs/dbasica. Lá já tem muita gente boa - o volume de blogs legais (fico feliz pelo meu estar no meio) já pode ser visto no portal do Interney.

ARQUIVOS DO DISCOTECA BÁSICA: Penso em pegar todos os textos publicados entre 2002 e 2005 e deixá-los num arquivo qualquer do Badongo, do Rapidshare ou algo assim. O blog antigo ainda poderá ser lido aqui no http://dbasica.blogspot.com, mas passando alguns dias do primeiro dia do ano (a segunda-feira que vem) vou direcionar o www.discotecabasica.com para o endereço novo. Provavelmente os arquivos de 2006 vão também ser copiados e hospedados em algum arquivo .zip ou .rar pra facilitar a leitura, ou sei lá o que. Fato é que quem quiser ler o Discoteca Básica agora que vá pro endereço novo, blz?

Quarta-feira, Fevereiro 14, 2007

Wood & Stock / Falcão


"WOOD & STOCK - SEXO, ORÉGANO E ROCK´N ROLL" - VÁRIOS (Deck)

A trilha de Wood & Stock - Sexo, orégano e rock´n roll (desenho de Otto Guerra baseado - opa - nas histórias em quadrinho de Angeli), segundo testemunhas, está longe de ser melhor que o filme - digo "segundo testemunhas" porque, por falta de tempo, nem eu mesmo pude ainda assistir. Mas diverte bastante, como tem acontecido com várias trilhas de filmes nacionais recentemente lançadas. E ainda serve como momento histórico bastante interessante. Quantas vezes na sua vida você pôde pegar o encarte de um CD lançado por uma gravadora de grande porte (no caso a Deck Disc) e ler lá: "fonograma cedido pela Baratos Afins?". Foi a veterana gravadora independente paulista que forneceu os fonogramas da banda alagoana Mopho. Até fonogramas publicados na revista-CD Outracoisa, de Lobão, aparecem, já que Arnaldo Baptista pinta no CD tocando sua versão para "Woody Woodpecker", um dos temas do Pica-Pau (aquela do "everybody thinks I'm crazy"...).

A história dos dois velhos hippies é muitíssimo bem contada em CD, com músicas de artistas antigos e novos. Júpiter Maçã é um dos mais ativos da trilha, servindo de música de fundo em vários momentos, com músicas de momentos diferentes de sua carreira. Tem várias de A Sétima Efervescência, como "The freaking Alice (Hippie Under groove)", quase uma lição sobre cogumelos psicodélicos, e "Querida Superhist x Mr. Frog", mas também tem a maravilhosa "A marchinha psicótica de Dr. Soup", herdeira direta da psicodelia de Ronnie Von e das marchinhas ingênuas de Abílio Manoel - isso sem falar no hino "Um lugar do caralho". Rita Lee, que faz a voz da Rê Bordosa - ressucitada especialmente para o filme, já que o quadrinista Angeli matou a personagem em 1987 - aparece com duas faixas de seu primeiro LP solo, Build up, a engraçada "Hulla-Hulla" e a gospel-irônica "Eu vou me salvar".

Entre as outras surpresas do CD, encontram-se os alagoanos do Mopho, elogiados pelo próprio Rogério Duprat durante uma entrevista - a balada triste "Quando você me disse adeus" emociona e encanta no meio de um disco que tem a descontração como mola mestra. "Ferro na boneca", do primeiro LP dos Novos Baianos, É ferro na boneca (1970) vem para mostrar que Moraes, Galvão, Baby & etc não faziam apenas samba-rock-choro - o som é pesado, com guitarras, gritos psicodélicos a la Tropicália, etc. "Um Oh! e um Ah!", de Tom Zé é o lado tropicalista brincalhão (mais até do que experimental) do CD. E boa parte desses fonogramas nem sequer teria ido parar aí se não fosse o crescente hábito dos fâs de pedras obscuras do rock nacional, de estar sempre trocando mp3 e baixando discos desconhecidos da internet. Pois é... Os "ladrões" de música têm muito a ensinar, até mesmo ás grandes gravadoras.

"WHAT PORRA IS THIS?" - FALCÃO (NC Music)

Você soube que o humorista e cantor cearense Falcão lançou disco novo? Não? Se não soube, nem esquente a cabeça. Quase ninguém que não faça parte do fâ-clube do cantor deve ter sabido mesmo - logo ele, que chegou a ter até anúncio de página inteira em jornais cariocas quando saiu o relançamento em CD, pela BMG, de seu primeiro disco solo, Bonito, lindo e joiado, lançado originalmente à própria custa (antes da BMG, a Continental chegou a bancar uma reedição, até com poucas cópias em CD).

Pois é. What porra is this, mesmo nome de um CD-ROM que o cearense chegou a lançar faz uns dez anos, é uma boa volta ao passado. Após alguns álbuns caidaços, o cantor (ou "cantor", como querem alguns) foi para o pequeno selo NC music e lançou um disco que tem uma característica fundamental para um CD lançado por um humorista: é engraçado. Engraçado, mas não de fazer ninguém rolar de rir: é irônico, como são aquelas boas piadas que você escuta e só ri meia hora depois. E, vá lá, tem um som bem legal, brega-rock bem gravado, com guitarras sacadas de Peter Frampton e Eric Clapton e até arranjos numa mescla de The Police e Lulu Santos fase "Último romântico" - em "Amanha será tomorow", um ajuntamento de frases escrotas. Já o rock´n roll "Fome zero-a-zero" é a melhor crítica que o governo Lula poderia ter recebido, valendo mais de mil discursos - "No Brasil nem tudo está perdido/muita coisa ainda há para se perder/(...) para sair o zero-a-zero contra a fome/encher o bucho é nosso melhor projeto".

Daí para diante, duas coisas são perceptíveis. A primeira: Falcão, assim como Caetano Veloso em , tentou fazer um disco de rock - com boas guitarras, gravação bacana, teclados bregas que não ferem o ouvido e letras cáusticas (confira "Doa a quem doar"). A segunda: o mensalão e a sacanagens de Brasília preenchem o disco todo e ganham sátiras engraçadíssimas (caso da havaiana "Ordem e progresso", dos versos: "se Satanás morasse em Brasília/seria com certeza aprendiz"). Mais: se nos primeiros discos ele era o cara que mais conseguia satirizar o comportamento besta de boa parte dos cânones emepebísticos, What porra is this? volta a isso com força total, em faixas como o reggae "Desculpe ter-lhe visto", "Alguma coisa acontece no meu bucho" (a letra é um discurso sobre fome que valeria a pena ser enviado num iPod para o Palácio do Planalto), "A sociedade não pode viver sem as pessoas" (só esse título já vale a música). Já "Doze perguntas que podem cair na prova" é o lado Tom Zé-satírico-brega de Falcão. E ainda há espaço para uma homenagem ao soulman nordestino Paulo Diniz, com a regravação de "Severina Cooper (It's not mole não)", sucesso seu dos anos 70.

Além de What Porra is This?, o fâ de Falcão pode se divertir também com a coletânea Maxximum, lançada pela Sony & BMG, trazendo 20 sucessos dos discos que o cantor deixou na multinacional - fase que vai do relançado Bonito... a Quanto pior, melhor, lançado numa fase em que ele chegou a ter um programa semanal na Rede Bandeirantes, Falcão na contramão. Tem de tudo lá: "Ai! minha mãe", "Isaltina", "A terra há de comer (Já que eu não comi)", "Black people car" (versão em inglês de mentira para "Fuscão preto"), "I'm not dog no" (idem para "Eu não sou cachorro não"), etc. Só não dá pra entender porque é que um conhecido site de vendas on-line resolveu oferecer esse CD em venda casada com o livro Jesus: o maior psicólogo que já existiu, de um sujeito chamado Mark Baker (!). Quanto a What porra is this?, não faço idéia de como você vai conseguir esse disco, já que nenhum site vende. Tente descobrir no site do cantor, www.sitedofalcao.com.br.

Segunda-feira, Fevereiro 05, 2007

Pesquisando a MPB *


Quem se interessa pela história da música popular brasileira e mora em Niterói pode nem saber, mas aqui mesmo na cidade está sendo realizada uma das mais completas e ambiciosas pesquisas sobre MPB. Tal trabalho vem sendo feito pelo Instituto Memória Musical Brasileira, que cataloga todas as informações possíveis sobre discos brasileiros e também valoriza o resgate das capas dos álbuns - tão esquecidas nessa era pós-CD.

O IMMUB foi fundado, curiosiamente, por um alemão fâ de música brasileira, Andreas Pavel. O acervo do Instituto foi reunido pelo pesquisador Silvio Julio Ribeiro, que começou a pesquisar discos nacionais inicialmente para o site Cliquemusic. Hoje, no Instituto, somam-se ao acervo antigo várias novidades, como DVDs, livros sobre música e pesquisas sobre artistas que muitas vezes não aparecem nos grandes catálogos sobre a história da MPB (como os chamados artistas "bregas", populares, e a produção independente e regional do país).

- Nós conseguimos reunir informações sobre cerca de cem mil discos fabricados no Brasil, além de mais de 25 mil partituras originais da Banda do Corpo de Bombeiros do Estado do RJ. - diz o presidente do IMMUB, João Carlos Carino. - Temos desde o primeiro disco fabricado no Brasil, de 1902, com todas as informações sobre ele, até discos lançados ontem. É complicado catalogar tudo, porque afinal são lançados 200 discos por mês no Brasil, em média.

Tal acervo pode ser pesquisado no site do Instituto. Para consultar virtualmente o acervo, é só clicar em "pesquisa" e fazer buscas.

- Não há necessidade de um acervo físico. Pesquisando no site, você pode cruzar informações, descobrir quais discos foram lançados por determinado artista numa certa época, ou numa certa gravadora, etc. - diz Carino, afirmando que há idéias ainda mais amplas. - Não temos ainda condição de fazer isso, mas queremos digitalizar o acervo para que ele possa ser ouvido no site.

O Instituto já está fazendo mais projetos. A Petrobrás (que já patrocinava a pesquisa feita por Sílvio Júlio desde antes do IMMUB) vem dando apoio a alguns deles, como a elaboração de um CD-Rom só com informações sobre discos brasileiros, e também um ambicioso projeto sobre capas de discos.

- Vamos pegar todas as capas dos discos da nossa pesquisa e fotografá-las com uma definição boa. Muitas fotos que existem na internet não têm qualidade. Nossa idéia é ir na casa da pessoa que tem o disco, fotografar capa, contracapa, encarte etc. Isso tudo ficará disponível no site. - diz Carino, com os olhos voltados também para Niterói. - Temos um contato muito bom com a Secretaria de Cultura e temos vontade de fazer um projeto com os grandes compositores da cidade. Isso pode virar um DVD.

Sem banalidade Para dar visibilidade ao IMMUB, o jornalista carioca Tárik de Souza criou o site Jornal Musical, vinculado ao instituto.

- Nossa idéia é seguir nessa linha de pesquisa do Instituto. A gente acha que há uma dificuldade muito grande das pessoas em preservar a memória cultural. Aqui no Brasil é tudo muito fugaz, rápido. - diz Tárik, que edita o site. - Sinto falta inclusive de um espaço maior para a música popular nos jornais.

Justamente por isso, Tárik diz que um dos objetivos do Jornal Musical é evitar a cobertura banal, do dia-a-dia - algo importante, numa época em que boa parte do jornalismo cultural nas grandes mídias é pautado. Como exemplo da área na qual o Jornal atua, ele cita a série Samba 90. Iniciada ano passado, ela comemora o aniversário de 90 anos do gênero musical.

- O marco inicial foi a gravação de "Pelo telefone", por Donga. Ele gravou em 1916 e a música estourou em 1917. Para as matérias, pegamos depoimentos dos que estão vivos, fizemos uma retrospectiva dos que já morreram, coversamos com herdeiros etc. É história viva. - diz Tárik, lamentando não ter conseguido falar com a neta do sambista Sinhô. - Ela não se interessa em saber da herança musical dele, nem quer conversar com a imprensa. Mas pudemos falar com a filha do João da Bahiana, que tem até quadros pintados pelo pai.

No Jornal, o leitor pode encontrar, além das pautas históricas, várias resenhas e entrevistas com artistas. E há também o Disco em Debate, no qual um disco de música brasileira é discutido por vários jornalistas, podendo entrar ou não na "discoteca básica de música brasileira" do site.

- O público vota se o disco merece entrar na discoteca. Tentamos colocar algo que seja "quente". O primeiro disco dos Mutantes, por exemplo, foi votado na semana em que iria acontecer o show deles no Rio. - diz o editor executivo do Jornal, Marco Antonio Barbosa, revelando uma preferência dos leitores. - Discos mais voltados à música pop geralmente não entram, como aconteceu com o À procura da batida perfeita do Marcelo D2.

Foto: reprodução do site do IMMUB.

*publicado no Nitideal